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O Homem ao Lado incomoda os vizinhos.

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O cinema argentino, assim como boa parte do que está sendo produzido pela América Latina nos últimos anos, vem numa ascensão agradável. O Segredo de seus Olhos foi um pedaço desse iceberg que o mundo conseguiu ver ultimamente. Não diferente seria com O Banheiro do Papa em parceria franco-uruguaia, A Teta Assustada, um filme peruano ou mesmo o também argentino XXY de 2007, todos com menos visibilidade, mas de igual qualidade.

Um dos mais recentes trabalhos dos hermanos, já premiados em alguns festivais, é O Homem ao Lado. O filme conta a história de Leonardo, sistemático, pseudo-intelectual, renomado designer/decorador e fracassado como ser humano, que mora em La Plata, com mulher e filha, na única residência que o arquiteto/urbanista francês, Le Corbusier, construiu na América Latina. Até que Víctor, o mais novo vizinho, resolve tirar a paz da família, ao fazer uma janela de frente pra casa de Leonardo. De longe ainda consegui ver uma sutil referência trazida de A Mulher do Lado, de Truffaut.

Bem, o filme é isso. Conflitos internos, conivência e metáforas. E só isso. E aqui está toda a capacidade e sensibilidade em contar histórias. Fotografia, direção, tomadas, recursos de enquadramento que mostram o protagonista sempre se escondendo da vida, o humor feito no silêncio, o drama, a interpretação, a acidez, o sarcasmo, enfim. O Homem ao Lado não é o melhor trabalho de todos os tempos, mas é a prova de que cada vez mais, o cinema argentino se aproxima do europeu, e com certeza incomoda também o vizinhos americanos.

E o segundo turno, promete?

Numa coisa a gente vai concordar, nem todo mundo faz a escolha certa. Na sua opinião, devemos fazer mudanças ousadas ou como diz os mais conservadores, em time que está ganhando não se mexe?

Fato é, que muitos não merecem ocupar a posição que ocupam, e digo mais, muitos não têm amadurecimento pra tanto, e é incrível como tem gente que ainda acredita no contrário.

Indo mais fundo, a questão financeira é outro ponto que me incomoda. É absurda a quantidade de dinheiro que essas pessoas levam sem merecer, e pior, nosso retorno e satisfação nunca são correspondidos.

Mas quer saber o que é pior ainda? As pessoas que preferem não se envolver por achar que a situação no país não vai mudar e assim, ficam em cima do muro, na maioria das vezes desconversando sobre o assunto.

Quer um exemplo? Lê o texto de novo e imagina que eu tô reclamando do segundo turno do campeonato brasileiro de futebol. É a mesma coisa.

Este post expressa superficialmente a visão do autor sobre política.
E sobre futebol também.

Perco o dinheiro, mas não perco a piada

Essa indecisão, um tanto quanto sexual do Supremo Tribunal Federal, em liberar ou não liberar, as sátiras e manifestações de humor contra politicos durante as eleições, não é o principal dos problemas.

A passeata do Humor Sem Censura que os humoristas fizeram no Rio de Janeiro, e que reuniu mais de 600 pessoas entre elas grandes nomes do humor (atual), também não é o principal dos problemas.

Nem humor, nem governo. O principal problema está na população.

Enquanto tivermos pessoas extremamente interessadas em resolver o futuro do seu próprio umbigo, teremos candidatos carnavalescos a divertir épocas eleitorais.

Enquanto tivermos pessoas interessadas em fazer valer seu direito de vir e ir tomar no cu, teremos lavagens, extorções, subornos e desvios, do seu e do meu imposto, idiota.

Enquanto tivermos pessoas super afim de exercer seu espaço como cidadão de merda, teremos mais votos nulos e brancos na urna, fazendo com que os candidatos da frente, continuem a frente.

Não tenho nada contra piadas políticas. Só acho que, fora os risos, deveria haver um pouco mais de atitude da população.

A Origem, a precocidade e um pouco de não é pra tanto



Como é comum em toda superprodução cinematográfica, o barulho em torno de A Origem não foi diferente (afinal, o dinheiro que vai, tem que voltar). O filme encanta muito mais pelo fôlego reconhecido dos estúdios em fazer um projeto novo, e pelo bom uso dos efeitos especiais (vide cenas em “gravidade zero”), do que pelo conjunto do trabalho, que possui deslizes e alguns pontos fracos.

Junto com essa expectativa, alguns precoces contemporâneos aficionados por Hollywood, já decretaram o filme como uma das melhores e mais inteligentes projeções dos últimos anos. Aí me pergunto, o quanto longe esse pessoal já foi no cinema. e a metalinguagem de Fellini, Primer, o delicioso e nerd projeto independente de ficção científica, ou mesmo Sinédoque, Nova Iorque, pra ser mais recente, seriam algumas das respostas que gostaria de ouvir.

Não dá pra entrar muito no filme, que, apesar de ter roteiro um tanto quanto diferente para padrões de blockbusters, não possui uma trama tão complexa assim, logo, qualquer detalhe a mais seria um triste spoiler.

Como bem resumiu o jornalista Mauricio Stycer, ”Don Cobb (Leonardo DiCaprio), é um especialista em entrar na mente das pessoas para roubar segredos. A missão que vamos acompanhar na tela é mais complexa: em vez de extrair, ele deve inserir uma ideia na mente de um empresário”. É isso. Essa é a linha central do filme.

Apesar de ser uma experiência que vale a pena conferir, o longa peca em dois pontos clássicos de Hollywood: personagens superficiais demais, como por exemplo Michael Cane, no papel de Miles; e a falta de aprofundamento em temas e discussões. Dava pra tirar muito mais de assuntos como Psicanálise, Subconsciente e Catarse. Só que aí, o fadado cinema clichê-comercial, ficaria inteligente demais, difícil demais e com bilheteria de menos.

Alguém viu um filme por aí?

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Sempre gostei de Tim Burton mais por sua visão artística do cinema do que pelo conjunto. Salvo exceções do tipo Edward Mãos de Tesoura e Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas.

Não esperava um grande filme sobre a história da menina Alice, principalmente porque não considero a história original tão grande assim. Lewis Carroll, sempre mostrou ser melhor matemático do que escritor. O filme dirigido por Burton é, na verdade, uma possível continuação da história original, onde Alice volta, depois de grande, ao “País das Maravilhas”. Que aqui sim, cabe muito bem o “Maravilhas”.

Com visual quase impecável, Tim Burton leva aos cinemas, mais uma vez, vida, cor e detalhe. O que enche os olhos, infelizmente não enche a expectativa. História acelerada, com diálogos fracos e de baixo conteúdo. Tim Burton se une ao time de Cameron e mostra mais uma vez que precisa de roteiristas. Alice, assim como Avatar, presa pela perfeição estética e peca na simplicidade narrativa.

Agora o que resta é dúvida: quem leva mais gente aos cinemas, Tim Burton e sua reunião de fãs alternativos, Johnny Depp e sua versatilidade ou animações 3D sem conteúdo?

Tinha tudo pra ser mais do mesmo

Não quis tirar este texto pra falar exclusivamente de um filme, mas sim de uma característica interessante e comum em dois dos quais assisti essa semana. Tratando em ordem de produção, um deles foi O Bebê de Rosemary.

Considerado um grande clássico do cinema-terror, foi dirigido pelo mestre Roman Polanski (em minha opinião, mestre, muito mais pelos trabalhos feitos de 80 pra trás, com exceção para O Pianista). Tem Mia Farrow (a queridinha de Wood Allen) como protagonista em uma ótima interpretação. Conta também com Maurice Evans (de pouca expressão), Ralph Bellamy (idem), John Cassavetes (que também já trabalhou como diretor), Sidney Blackmer e Ruth Gordon premiada com Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante na ocasião.
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O outro filme foi Primer. Pra falar desse, basicamente pode-se citar um nome, Shane Carruth. Produzido de forma independente, Primer foi a porta de entrada de Carruth como diretor, ator, roteirista, produtor, editor, compositor e diretor de fotografia. É um filme de ficção científica (pasmem), feito com míseros 7 mil dólares. Porém, o baixo orçamento não foi suficiente para desmerecer o trabalho. A história em si trata sobre um experimento que acaba proporcionando aos protagonistas, Aaron e Abe, viajar no tempo.
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Não vou perder tempo com sinopses e resenhas, sendo que é possível achar isso em qualquer outro site/blog mais especializado. O que queria discutir é sobre a capacidade de tratar um tema, sem tratar desse tema.

Tá, explico.

O Bebê de Rosemary é um filme de terror, mas um terror psicológico, talvez um ou outro frame possa fugir disso, mas não é aquele tipo de filme que monstros, sangue, olhos, ossos e gritos escorrem e ecoam por toda a sala. Muito pelo contrário, Polanski consegue colocar o horror dentro da nossa imaginação, da mesma forma que brinca com a cabeça de Rosemary, colocando-nos como cúmplices de uma loucura, ou participantes de uma seita, o que varia de acordo com o ponto de vista.

Primer por sua vez, é um filme de ficção científica que não conta com nenhum efeito especial. Denso, inteligente e instigante, pode ser chamado também de nerd. O roteiro é complexo, mas bem amarrado. O filme não tem apenas uma trama, várias pontas podem ser ligadas durante o pouco tempo de projeção. E aqui vai um conselho, caso vá assistir, reserve pelo menos o dobro do tempo, dificilmente consiga perceber todos os detalhes em uma única exibição.

Apesar de Primer ser um trabalho de baixíssimo investimento, é um grande exemplo da possibilidade de contar uma história envolvente, valendo-se apenas do contexto. Óbvio que se os direitos fossem comprados pelo cinema comercial hollywoodiano, assim como há especulações de um remake de O Bebê de Rosemary, as obras estariam repletas de efeitos especiais, entrariam pro hall da fama Spielberguiano, completariam a avalanche anual de mais dos mesmos, e aí sim, com certeza, eu não perderia tempo falando disso aqui.

Lolita

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Incomparável. Acho que essa seria a palavra certa quando o que está em jogo são as duas produções de Lolita: o livro de Vladimir Nabokov e o filme de Stanley Kubrick.

Nada contra o trabalho de Kubrick, pelo contrário, linda fotografia e boa direção, sem contar que algumas interpretações ajudaram muito. Mas o livro, em minha opinião, fica um passo a frente quando colocados lado a lado. Acho, talvez, reflexo da única indicação ao Oscar em 1963, para Melhor Roteiro Adaptado.

O detalhe mais evidente que produziu essa diferenciação, foi a sensibilidade. Na obra literária, Vladimir consegue tratar o tema com um olhar delicado que permite ao leitor fazer parte da história de forma gradativa e densa, colocando Humbert, o personagem “pedófilo”, como vítima da “pequena” Dolores Haze (Lolita).

Essa capacidade intrínseca, acaba sendo diluída no filme, um pouco por conta de uma sutil frieza e outra por conta da minha subjetividade, que a essa altura já estava praticamente dentro do livro.

Apenas o fim

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Existem dois tipos de mulheres no mundo, as que acham o Johnny Deep bonito e as que acham o Chico bonito”.

Construído com diálogos atuais, simpáticos e nerds (tão nerds que seria um daqueles filmes que facilmente meus pais descartariam para o final de semana), Apenas o fim, primeiro longa metragem do jovem cineasta Matheus Souza, retrata um fragmento da vida de Adriana (Érika Mader) e Antônio (Gregório Duviver), destaque para a boa interpretação de Gregório. O casal vive instantes de discussões em torno do fim do relacionamento. Recordações sobre bons momentos intercalam com as cenas externas, montando a história vivida por eles.

Falar sobre o baixo orçamento (R$ 8 mil) e outra questões como: locações, figurinos, empréstimos e elenco, chega a ser um demérito perto da qualidade dos diálogos. O trabalho agrada pela fluidez e pelo revigoramento da qualidade de produção nacional. Particularmente, eu excluiria a cena das filmagens, uma em que aparece o Marcelo Adnet, e a cena depois dos créditos, acho que o filme é muito mais que isso. #excesso.

Outro ponto interessante (e prematuro) que gostaria de comentar: será que depois de reformulações como o Cinema Novo e o Cinema da Retomada, essa poderia ser uma deixa pro Cinema da Geração Y?

Não sei ao certo, mas fiquei satisfeito com o resultado da projeção. Valeram as gargalhadas, o roteiro e as interpretações, e espero veementemente, que isso seja para o novo cinema brasileiro, apenas o começo.

Concurso de Tirinha

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E não é que deu certo. O blog Joãos e Joanas do queridíssimo parceiro Pedro Balboni está realizando um concurso de tirinhas.

A especialização dele é essa, criar casos do cotidiano, satirizados pela visão de Joaninhas. O objetivo do concurso era simples, criar sua própria tirinha, sua própria história e sua própria joaninha.
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Fiz isso e lá estou, na final. A votação rola até segunda-feira (05/04), clique
aqui e deixe seu voto nos comentários, se quiser uma dica, eu iria na tirinha número 2, nada de especial, só opinião pessoal.

Update: 06/04/09 às 16h45

DEU "NÓIS". OBRIGADO A QUEM VOTOU. CLICA AQUI PRA VER O RESULTADO FINAL.

Bollywood comendo pelas beradas

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Não ia falar por aqui nada oficialmente sobre o Oscar, porém, alguns comentários, questões e visões pessoais dos indicados daquela noite, acabaram me trazendo às letras. Poderia escrever sobre coisas como, melhor ator, que a meu ver, Sean Penn levou, graças a uma sensibilidade de interpretação maior que a de Mickey Rourke, um dos outros candidatos e favorito.

Poderia ir mais além e comentar sobre minha alegria de o Senhor Button não ter levado tantos prêmios, e, principalmente, sobre a alegria prévia de Batman não ter nem sido indicado às grandes categorias. Poderia dizer que fiquei triste de Heath Ledger não estar presente para levar sua tão merecida estatueta. Poderia falar um pouco dos estrangeiros, das animações ou fazer comentários pedantes sobre som, mixagem, edição, montagem, roteirizações e outras coisas das quais, infelizmente, não tenho conhecimento para opinar.

Por isso, ficarei somente nos indicados a melhor filme.

Descarto Benjamin Button logo de início. Um filme que caiu rapidamente nas graças da internet por seus belos efeitos especiais, porém, com fraca maquiagem (muito mais digna para Hellboy II, e só também), achei o filme carregado de releituras já usadas e muito (mas muito), comercial.

Frost/Nixon por achar que não chegou lá. Tinha uma filmagem interessante, um figurino interessante, uma fotografia interessante, uma história interessante, mas um filme desinteressante.

The Reader ainda não vi, mas infelizmente só pelas expectativas criadas não fará diferente minha opinião, mas qualquer coisa, volto e faço uma retratação. E ainda acho que Kate Winslet levou o boneco dourado mais por incapacidade das adversárias.

Vamos agora para a parte mais tensa.

Milk, muito bom filme, com ótima história, roteiro e interpretações. Ao lado de Slumdog Millionaire, considerava-os favoritos da noite (entre os cinco, não que isso dê a eles o status de melhores filmes do ano). Pesando as informações, não achei tão justo o prêmio para Slumdog. Apesar de ser um estereótipo da pobreza e como muitos puderam perceber, semelhante em alguns momentos a Cidade de Deus. O filme retrata grandes problemas da Índia, que precisaram vestir uma camuflagem comercial para atingir o mundo e alcançar o estrelato.

Apesar disso, o filme marca um ótimo ponto para a indústria indiana que vem crescendo assustadoramente. A parceria americana mostra um pouco de reconhecimento do mundo para aquele pedaço de continente. O filme não foi bem aceito no país de origem, justamente por essa camuflagem supra citada, mas, que mesmo assim, conseguiu com sua fotografia, música e a tão inusitada e criticada dança que faz parte da cultura local, agradar os olhos do mundo e dar mais um passo para quem sabe, uma futura concorrência cinematográfica de peso e quem sabe, até melhor que a norte-americana.

Mais discussões

No começo do ano fiz um texto intitulado “Discussões”, o post trazia assuntos polêmicos na propaganda. Estavam entre os temas, peças sobre problemas socias, ambientais e saúde, sem contar um vídeo da Nike que trazia uma situação grotesca (quando digo grotesca, não entenda como se eu não gostasse).

Alguns meses passaram e outros anúncios foram rolando. Tivemos uns bem polêmicos, como foi o caso do vídeo da Diesel para divulgação da festa de aniversário, o que rendeu posts em diversos blogs pelo mundo. Para aumentar a polêmica, o vídeo em questão foi acusado de plágio, pois levava uma estética idêntica a umas peças desenvolvidas tempos antes para informar sobre um serviço de bloqueio a sites pornográficos (saiba mais aqui).

O que me fez resgatar esse assunto-naftalina, foi este post um pouco recente do Marcelo Pollara para o Falando Nisso. O texto “re.despertou” minha atenção para continuar discutindo as bizarrices. Por coincidência, o post dele também tratava da Diesel (só que de outra campanha).

Para colocar mais lenha da fornalha das argumentações, posto agora, outros anúncios que trazem situações estranhas, grotescas e bizarras, e quero saber a opinião de vocês.

Até que ponto isso é bem vindo? Ou vocês concordam comigo, liberdade total para as ideias desde que não infrinjam problemas éticos locais?

Para começar bem, segue este vídeo da Scruffs Hardware, uma empresa (acho que Holandesa) do ramo da construção civil. Parece?
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Blowtex – Preservativos
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Dr. Barata – Impressão na caixa de pizza
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Keimling – Restaurante vegetariano
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Neonode – Celulares
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Olivé – Super cola
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Prêmio Paladar – Dedo
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Worksafe – Acidentes no trabalho
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O que muita gente preferiu não falar sobre Obama

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Muito se fala sobre as estratégias de marketing (não-político) usado por Obama e companhia nas eleições americanas de 2008. Um marco para comunicação e um pontapé nas mídias digitais (politicamente falando). Passei uma rápida vista por meus feeds com o objetivo de levantar alguns links e detalhar o tema, mas a quantidade de informações despejadas na rede me fez concluir que não é muito necessário.

Há algum tempo, comentei aqui sobre as possibilidades que o governo do (na época) futuro presidente, poderia passar. Apenas chutes, nada de torcida nem previsões, só quis falar o que ninguém estava dizendo.

Agora, mais recentemente, uma postagem no Twitter, fez-me refletir sobre novas perspectivas. Toda massa agitada em volta do fenômeno (não o Ronaldo), com suas bandeiras, ideais e uniformes, colocou fresca em minha mente a estratégia que Joseph Goebbels (Ministro das Comunicações) fez para o governo Hitler.

Daremos uma pausa na reflexão para explicar. Não estou comparando as políticas nem muito menos os objetivos. Voltando.

O poder de comunicação que estava ao alcance de David Axelrod (responsável pela Obamania), foi usado ao extremo, assim como Goebbels fez uso de tudo o que tinha em mãos. Goebbels massificou suas propostas nazistas e Axelrod suas propostas revolucionárias. Goebbels fez de Hitler um ícone, com direito a cartazes e posters das mais variadas qualidades gráficas e apelativas, idem Axelrod. Os discursos de Hitler eram aclamados e ouvidos com euforia sob uma Alemanha frágil perante as dificuldades e desempregos do pós-guerra, ao mesmo modo que os discursos de Obama eram freneticamente acompanhados sob uma América carente e em crise.

A gana que o povo aclamava e aclama tais referências históricas de governo, não será esquecida tão fácil, graças as suas formas ousadas e inovadoras de marketing político. Não só as estratégias, mas os mandatos também serão lembrados por muito tempo. No caso de Hitler, infelizmente devido a sua brutalidade e ideais ego-preconceituosos. E no caso de Barack Obama, por sua ainda precoce política de boa vizinhança e a prematura visão de mudança global. Aguardemos.

Propaganda inspirando propaganda #5

Essa vida de inspirações nunca mais vai parar, desde que inventaram a bendita palavra “referência”, fudeu (os conservadores, desculpem a expressão), ninguém mais está imune a essa doença.

Pra comemorar a 5ª edição da série “Inspirações” (nada de especial), esse post vem um pouco mais recheado. Duas campanhas, cada uma com dois anúncios parecidos; bem..., muito parecidos; na verdade..., parecidos pra caralho (não vou pedir desculpa de novo).

Os primeiros eu vi na Archive (acho que nº 6 de 2007) e foram feitos pela BBDO de Sydney na Austrália para a Cheeky Monkey. Já os segundos..., foram feitos(?) pela “brazuca” Master Comunicação para o Zôo de Curitiba e vi no CCSP (Clube de Criação de São Paulo).
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Já comentei por aqui, algumas boas referências, coincidências, chupadas, acasos, infelicidades, ah, cada um chama como quiser, mas creio que essas sejam as mais marcantes, tanto pelos tratamentos e tons, como também pelos vetores(?) das folhas nas árvores.

Mistérios.

Overdose filmográfica

Nesse feriado de final de ano acabei passando por uma overdose de filmes, o que pra quem gosta, não foi nenhuma dificuldade. Cheguei provavelmente fácil fácil a uns 30 longa-metragens (agradeço ao uTorrent pela graça alcançada – T.F.M.).

Poderia falar de muitos deles, algumas produções antigas e outras recentes, alguns conhecidos e outros mais, alguns bons e outros melhores. De Brian de Palma a Ingmar Bergman (ou seria o contrário pelo sentido cronológico?). Alguns indicados ao Oscar e outros que ganharam prêmios mais “importantes” e democráticos.

Investiria algumas linhas tranquilamente para falar sobre o excelente italiano “Gomorra”, para criticar “Gran Torino” por seu excesso de estereótipos apesar de ter uma boa história, para dizer que não gostei muito de “Zack and Miri make a porno” porque achei uma releitura pornográfica de “Rebobine por favor” ou simplesmente para deleitar em palavras o prazer de ver “Cidadão Kane”, “O sétimo selo”, “Clube da luta”, “O dia em que a Terra parou (1951)”, “Shortbus”, “Magnólia”, “21 gramas” ou “Jogos, trapaças e dois canos fumegantes”, entre outros.
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Cartaz censurado.

Mas, retornando ao começo do post, queria fazer referência a duas produções em especial. A primeira e menos importante, “Rede de mentiras”. Novo filme de Ridley Scott, traz Leonardo Di Caprio e Russel Crowe nos papéis principais e trata basicamente sobre conflitos terroristas na visão americana, mas mesmo assim, consegui enxergar uma pequena luz crítica no filme, acho que bem melhor retratada nesta crítica da Bravo!.

O segundo, e agora sim, mais importante, “Guerra sem cortes” de Brian de Palma. Apesar de fazer uso de uma técnica não muito nova ("Zelig" já fez isso, e muito bem diga-se de passagem). O filme, com uma leitura documental, conta a vida de uma tropa dentro da guerra do Iraque. Muito mais duro, cruel e com uma crítica muito mais explícita que o de Scott. Ainda não saiu aqui no Brasil, mas fica a dica para quem quiser conferir.

Propaganda auto-sustentável

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Está ficando cada vez mais comum nos depararmos com ações que inovam em suas formas, que inovam em seus conteúdos ou que simplesmente inovam (ainda bem). Isso não é mais nenhuma surpresa pra quem acompanha o mercado publicitário e suas tendências.

Mas para quem não acompanha, vamos deixar um pouco mais clara essa real situação, afinal, é exatamente pra isso que estamos aqui, pra falar de tudo um pouco.

Vamos a três exemplos rápidos:

Essa ação da
DOVE na Alemanha, brinca com os sentidos e com certeza afeta um ponto muito fraco no ser humano, o olfato. Instalando reprodutores em salas de cinemas as quais puderam aromatizar o ambiente com um "cheirinho bom de DOVE" durante a apresentação do comercial da marca.

Essa da
MTV, bem mais recente, feita pela LODUCCA. Foge do comum e brinca novamente com os sentidos (dessa vez o mais fraco em mim), o paladar. Um anúncio criado para promover a sustentabilidade, foi feito justamente para não ser jogado fora, e sim, para ser comido.

Essa no caso já não é uma inovação de conteúdo, mas sim de forma. Como disse o
Rafael Amaral, a empresa Quividi de Londres, está utilizando técnicas que podem definir quem está olhado para o anúncio (ainda em mídia externa), suas características de sexo e idade aproximada. Fazendo assim com que seja possível cada pessoa ver um tipo de anúncio específico, mais ou menos como aqui no filme Minority Report, ou como esse vídeo da Oblong onde a vida imita a arte (ou será o contrário, já me confundi a essa altura).

Enfim, tecnologia,
neuromarketing, portabilidade, interatividade, anúncios sensitivos, comestíveis, mutáveis, mutantes, uhuuu, viva essa geração!

Preconceito ou não?

Eu não sei se eu gosto disso ou se eu me revolto.

Estava com um post prontinho pra sair e aparecem essas coisas que precisam ser comentadas. Mas tudo bem, amanhã sai o outro (eu acho).

Não vou ficar falando de propaganda por muito tempo. A grande maioria que passa por aqui já sabe o que é o submundo da publicidade, e quem não conhece é melhor não ficar sabendo, continue aí, achando que é tudo mil maravilhas.

Vira e mexa a propaganda é alvo de discussões e consequentemente penalizada por discriminações. Sejam elas raciais, religiosas ou sexuais. Mas nem sempre é só isso. Muitas vezes também, ela é acusada de incitar a violência e quando não, indicar produtos que não são considerados adequados a uma boa alimentação, principalmente quando o assunto é criança.

Mas voltando ao tema das discriminações. Hoje, nós nos encontramos em uma sociedade tão moderna, atual e ao mesmo tempo liberal, que muitas coisas podem ser vistas a bons olhos. Mas, em compensação, outras podem ser consideradas como ofensas sutis.

Não que eu ache preconceito. Só que essas peças desenvolvidas recentemente pela MatosGrey para a revista VIP, ao exaltar o conceito da mídia, acho que se exaltaram também um pouco nas palavras. Não quero iniciar aqui uma polêmica, porém, penso que esses termos poderiam ser evitados. Os anúncios são bons, mas que gera um pouco de discussão gera. E você, o que acha?
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Eu vejo o futuro repetir o passado

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A história dos Estados Unidos não é feita de bons exemplos para a humanidade. Porém, tendências e grandes manifestações já fizeram de lá, algumas vezes, um lugar interessante para morar (só algumas vezes). O retrospecto político também não serve de inspiração em especial para nenhum país. Grandes crises seguidas de grandes guerras e grandes guerras mesmo sem nenhuma crise.

O “boom” mundial do momento são as eleições presidenciais. Não quero falar sobre o presente assunto, prefiro fazer uma reflexão a respeito do passado, e gostaria de convidá-lo a isso. Se tiver interesse, o próximo parágrafo dará início ao assunto, caso contrário, temos ótimas ofertas em nossa seção “Estou cagando e andando para esse assunto”, que fica logo ali em qualquer outro post.

Em 1861, Abraham Lincoln é eleito ao comando dos Estados Unidos, como o primeiro presidente republicano da história. Com sua posse, o Sul e o Norte resolvem disputar interesses e é dado início a chamada “Guerra da Secessão”, que perdurou por quase todo o seu mandato. Lincoln, apesar de ser um membro do partido republicano, teve discursos considerados marcos da democracia. Com uma visão ambiciosa, mas ao mesmo tempo renovadora (soa familiar?), publicou em 1862 a proclamação para a liberdade dos escravos nos estados confederados.

Em 1865, logo após a Guerra da Secessão ter chegado ao fim, um simpatizante do conflito dispara um tiro na cabeça de Lincoln, e assim, resolve um conflito pessoal.

Algumas décadas depois do incidente, chega ao comando dos Estados Unidos um novo presidente, dessa vez democrata de ofício. John Fitzgerald Kennedy. Considerado por muitos, um dos maiores líderes mundiais do século 20. Ainda novo no comando, é responsável por colocar em ordem um país que vive uma crise econômica (soa familiar de novo?), causada pela invasão de Cuba. Também revolucionário, cria a “Aliança para o Progresso”, com o objetivo de ajudar os países sul-americanos.

Em 1963, preparando-se para a reeleição que aconteceria no ano seguinte, Kennedy é atingido, coincidentemente, na cabeça, por um outro louco, que antes de ser preso também é assassinado (queima de arquivo?). Dessa forma a América perde quase um pai. (Aqui cabe uma dica de documentário, “Primárias” que conta a história das eleições de Kennedy, assim como “Entre atos” fez com Lula).

Agora, mais uma vez, décadas depois, um outro nome surge. Um democrata com uma proposta nova para a época, mas antiga para a história. Barack Hussein Obama, Jr. O primeiro candidato negro da história dos Estados Unidos, propõe mudanças e transformações, pretende resolver o problema da crise e da guerra de uma forma renovadora. Mudança, esse é o norte de sua campanha, disputada contra John McCain. Obama faz uma candidatura impecável, com mídias e estratégias dignas do século XXI, conquista a todos, dentro e fora de seu país.

Meu objetivo não era fazer apologias aos Estados Unidos (aqui sim eu estou cagando e andando), não era fazer referências às campanhas milionárias, não era mostrar ações impressionantes, não era fazer menção ao dia das eleições e nem muito menos ao seu resultado, mas, caso Obama venha a ser eleito pelo povo estadunidense (e pelo mundo), ficarei torcendo para que a bandeira americana não precise ser hasteada a meio mastro novamente.

Nike e Racionais, no limite do capitalismo

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Com letras sempre tão críticas, cheias de reflexões e anseios de uma sociedade mais desfavorecida, que ao mesmo tempo não deixam de refletir uma realidade pouco presente na vida de tantos que lêem isto aqui, neste momento, os Racionais MC’s, grupo de rap muito conhecido pela qualidade de suas melodias (precisava explicar?), estarão sucumbindo ao capitalismo?

Esses dias a Folha de São Paulo noticiou que o grupo vai estrelar uma campanha para a toda poderosa Nike. A ação trará como tema central o futebol de rua.

Nada de comprovado, mas algumas coisas parecem se encaixar. Em janeiro havia lido essa
reportagem, sobre o documentário “Freestyle: UM ESTILO DE VIDA”. O cineasta paulista, Pedro, tem influência na cultura de periferia e consequentemente um link com os Racionais. O documentário foi produzido em parceria com a Nike Spotswear, o que já mostra um interesse da marca em atingir um público muitas vezes esquecido no momento da compra. O que faltava, era só uma forma de chegar direto ao ponto.

Ainda no aguardo de mais informações e ansioso para ver o que vem por aí. Só que ao mesmo tempo preocupado, afinal, “meus heróis, morreram de overdose”, aqui no caso, uma overdose financeira, mas overdose.

Ensaio sobre a cegueira

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Se eu gostei? Sim.

Se superou minhas expectativas? Não.

Com estréia marcada só para o dia 12/09, tive a oportunidade de conferir em primeira mão, o novo filme de Fernando Meirelles. A exibição ocorreu nessa sexta (05/09) no Noitão (breve um post sobre isso) do HSBC Belas Artes, na Consolação, Avenida Paulista.

Com record de ingressos vendidos, a casa ficou extremamente lotada. Pessoas apertadas por pequenos espaços e corpos que misturavam suas massas em locais no qual, atualmente, a física mais conservadora não permitiria.

O meu principal defeito (?) é gostar de ler, pois acabei indo assistir à projeção com a memória ainda fresca nas páginas devoradas tempos atrás. O que tenho certeza que me prejudicou, junto com a alta expectativa, de ter visto um ótimo filme.

Não estou dizendo que o filme é ruim, de forma alguma, com uma história daquelas não tinha como ser, mas o que achei, foi que ocorreram alguns pecados que só podem ser notados e discutidos por quem já leu a obra de Saramago. Algumas cenas mais aceleradas e outras mais lentas poderiam ser evitadas. Bem como, outras que poderiam ser muito mais dramatizadas da mesma forma que no livro.

Eu sei que um livro é um livro; tem todo um poder de incentivar a imaginação e toda a força de construir uma realidade subjetiva; eu sei também que tudo que eu vi quando li, não tem nada a ver com o que Meirelles viu em sua leitura, e é exatamente nesse ponto que as coisas se tornam interessantes. Estereótipos de personagens que não ficam claros na história, ganham vida no longa, assim como cenários e situações, até então presentes apenas em minha cabeça.

Novamente com uma linda fotografia, Meirelles mostra seu ótimo olhar para o cinema e agrada uma platéia cheia de pessoas em suas poltronas e onde mais tivesse espaço
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Propaganda inspirando propaganda #3

Bem, dando seqüência a nossa séria de Propaganda inspirando propaganda, posto aqui duas idéias novamente similares, e retomo a questão discutida neste outro post, que por sinal foi o precursor da série. Nele, foi discutida a questão do inconsciente coletivo (o fato das pessoas estarem expostas as mesmas informações, fazem com que elas tenham os mesmos repertórios).
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Trago aqui duas peças que seguem uma tendência. No início de 2008, virou mania na internet, as pessoas posarem com capas de vinis, dando na época origem até a uma expressão, “Cara de Capa”. Bem, como a propaganda é feita de inspirações e oportunidades, segue os dois anúncios. O primeiro feito pela Kitchen de Madrid, para a Fnac e o segundo é nacional, feito pela YO Propaganda, para a RBS TV.
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É por isso que enquanto não for comprovado o contrário, eu prefiro chamar de inspiração do que “chupada”.