Microconto #453

A corrente de ar se esquiva entre os casacos que passam pela rua.
O vento frio chega impiedoso no mendigo.
Congela as mãos, os pés, o resto de sopa, o pão e a cena.

Microconto #452

Enquanto afogava Carla, na lagoa da Conceição, olhava em silêncio o reflexo da Lua. Aquela mesma que prometeu no começo do namoro.

Microconto #451

Bia chamava de mãe, todas as funcionárias do orfanato.

Microconto #450

A carta de suicídio ficou lá, incompleta, em cima da mesa.

Microconto #449

- Estou grávida!
A mãe, estática, ficou surpresa.
O pai, com o cano quente do revólver na mão, ficou arrependido.

Microconto #448

Perdeu o pai,
o vô,
a mãe,
o irmão,
a tia;
e do jeito que a coisa ia,
logo logo todo mundo se encontrava de novo.

Microconto #447

Rum.
É disso que eu preciso.
Vou encher a cara, esquecer problemas, lugares, datas e me perder com alguns piratas, no século XVI dessa noite.

Microconto #446

Nesses tempos de chuva, a solidão é tão triste, que me obriga a ficar no apartamento, imaginando amigos e vendo a janela chorar.

Microconto #445

Confusão;
e a ambulância passa apressada
deformando o som da sirene.
Aqui fora a vida continua.
Lá dentro não.