Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Irreversível

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Contado de trás pra frente, no melhor estilo Amnésia de Christopher Nolan, Irreversível consegue ser bem diferente disso.

Aqui vão duas coisas importantes, a primeira pra você se sentir interessado no filme e a segunda pra você desistir dele:

o filme é bom, mas exige estômago.

Porém, se eu fosse você, deixaria a primeira opção falar mais alto.

Com longas cenas que dispensam cortes, com uma câmera maravilhosamente nauseante e otimamente interpretado por Vincent Cassel, Albert Dupontel e Mônica Bellucci, os 3 protagonistas, o filme vale muito a pena.

Posso destacar algumas cenas que, com certeza, ficarão na sua cabeça depois da projeção: o estupro, a briga com o extintor e a sequência pelos corredores da boate gay, que antecede a briga. Isso sem falar dos diálogos e a cara de filme noir, em seu estilo básico da variação francesa de “novela escura”.

Não tem muita coisa fora isso pra falar sem estragar algum ponto da história, além do mais, Irreversível é um filme muito visual, sensorial, psíquico e gratificante.

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

Microconto #109

Parado no campo a beira do lago viu seu reflexo na água e se apaixonou ainda mais,
pela esposa, já que não era nada parecido com Narciso.

Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

Microconto #108

As luzes apagaram e a grande tela acendeu. Estava pronto para encarar a ilusão que o deixaria momentaneamente mais feliz que sua realidade.

Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Microilustração de um microconto

Recentemente recebi o contato de Carol Rivello. Parafraseando o que disse o Massa Cultural, Carol é “meio mineira, meio catarinense”, mas ilustradora por completo. Trabalha atualmente no studio MidiaEffects e já teve passagem pelo Brasil e exterior.

O que me deixou mais satisfeito foi sua solicitação para ilustrar um dos meus microcontos, onde o mínimo que eu poderia fazer, era dizer um sim.

Aí embaixo você confere o belo trabalho executado.
Valeu Carol, e espero que gostem como eu gostei.
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Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Microconto #107

Não tinha mais como esconder a bruxaria, depois de queimada 7 vezes na inquisição.

Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

Jornal da Tarde

Saiu nessa Quarta-feira (24/06), uma reportagem no Jornal da Tarde sobre Microcontos e suas adaptações às novas tecnologias.

Fui entrevistado ao lado de
Samir Mesquita (@samirmesquita) e Marcelino Freite (@MarcelinoFreire). Falamos um pouco dos trabalhos, das referências, das mutações literárias e das divulgações (leia jabá).

Para saber mais clica na imagem aí.
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Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

Microconto #106

Todos os dias em frente ao banco ele esperava pela sorte em forma de doação.

Terça-feira, 23 de Junho de 2009

Apenas o fim

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Existem dois tipos de mulheres no mundo, as que acham o Johnny Deep bonito e as que acham o Chico bonito”.

Construído com diálogos atuais, simpáticos e nerds (tão nerds que seria um daqueles filmes que facilmente meus pais descartariam para o final de semana), Apenas o fim, primeiro longa metragem do jovem cineasta Matheus Souza, retrata um fragmento da vida de Adriana (Érika Mader) e Antônio (Gregório Duviver), destaque para a boa interpretação de Gregório. O casal vive instantes de discussões em torno do fim do relacionamento. Recordações sobre bons momentos intercalam com as cenas externas, montando a história vivida por eles.

Falar sobre o baixo orçamento (R$ 8 mil) e outra questões como: locações, figurinos, empréstimos e elenco, chega a ser um demérito perto da qualidade dos diálogos. O trabalho agrada pela fluidez e pelo revigoramento da qualidade de produção nacional. Particularmente, eu excluiria a cena das filmagens, uma em que aparece o Marcelo Adnet, e a cena depois dos créditos, acho que o filme é muito mais que isso. #excesso.

Outro ponto interessante (e prematuro) que gostaria de comentar: será que depois de reformulações como o Cinema Novo e o Cinema da Retomada, essa poderia ser uma deixa pro Cinema da Geração Y?

Não sei ao certo, mas fiquei satisfeito com o resultado da projeção. Valeram as gargalhadas, o roteiro e as interpretações, e espero veementemente, que isso seja para o novo cinema brasileiro, apenas o começo.

Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

Microconto #105

A arma mais forte para sobreviver na guerra eram as cartas da mulher, marcadas de lágrimas.

Quinta-feira, 18 de Junho de 2009

Microconto #104

Depois de 35 anos na detenção ele voltou pra rua do mesmo jeito que entrou: inocente.

Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

Microconto #103

O taxista, o carro e a viagem eram os de sempre.
Mas, agora, com o novo cliente, a vida tem que ser outra.

Terça-feira, 16 de Junho de 2009

Microconto #102

Viraram namorados virtuais, os corpos e as mentes se entenderam a distância, mas tudo graças ao darwinismo digital da sociedade.

Segunda-feira, 15 de Junho de 2009

Microconto #101

Denunciou gritos no Ap. 712.
Porta arrombada.
Marido e mulher pegos em flagrante.
Crime mesmo seria ele não fazer as vontades dela.

Quarta-feira, 10 de Junho de 2009

Marola

Conta-se aqui, que coisa de muitos anos atrás, viveu em beira mar, moça com beleza a causar gigantesca inveja, caso existissem moradores suficientes na região litorânea.

Apesar de sua rotina simples e apesar ainda mais do minúsculo vilarejo, nunca chegou próximo do mar. Uns achavam ser superstição familiar, outros, os mais interessados na beleza, achavam ser ciúmes hereditário. E mesmo com todo o cuidado que rodeava essa fina linha carnal da perfeição, alguns ainda conseguiam flertar a menina pura.

Com olhar simplório, delicados gestos e sem intenção, ela fascinava quem a olhasse, mas não correspondia a troca de olhares e muito menos dava isso a entender, apenas vivia, e nada mais era necessário.

Enlouquecendo todos os moradores, aos poucos foi crescendo e dobrando beleza. Se é que era possível aumentar. Inveja, desejo e cobiça, proporcionalmente também aumentavam.

Como a vida não é aliada de nada, morreram anos depois, os pais da moça, que viu-se sozinha em seu pequeno mundo. A necessidade de buscar vida fora dele e a curiosidade para descobrir o além das terras de família, fez com que cruzasse os limites terrenos.

E esse foi o dia da redenção.

Todos, sem exceção, pararam para observar beleza que se materializava em mulher.

O primeiro sonho: conhecer aquilo que os pais chamaram toda vida de mar.

A passos lentos e hipnóticos, seguiu em direção ao fim da areia. Os pés tocaram a imensidão de água em um momento único, sublime e romântico, tanto pra ela como para a borda do oceano, que, até aquele dia, estática, desconhecia o significado de movimento e marola.

Até hoje, acredita-se que o mar vem a praia milhares de vezes durante o dia, em formato de ondas, na busca cegante e apaixonada de rever a moça, que naquela mesma noite, foi morta pelos moradores, consequência da inveja de beleza alheia.

Terça-feira, 9 de Junho de 2009

Microconto #100

Nunca dava tempo de assustar ninguém com os microcontos de terror.

Segunda-feira, 8 de Junho de 2009

Microconto #99

No asilo, usavam o termo “anos de experiência”. Ninguém falava a idade, até porque, problemas de memória eram bem comuns.

Sexta-feira, 5 de Junho de 2009

Microconto #98

Condicionado a pequenos raciocínios literários, não fazia mais do que isto.

Quinta-feira, 4 de Junho de 2009

Microconto #97

Pedro e Tina se uniram no casamento, mas até hoje, compõem uma soma da qual os resultados não batem.

Quarta-feira, 3 de Junho de 2009

Microconto #96

Passou a vida inteira esfregando o chão. Decidiu mudar, pediu as contas, arrumaria outro emprego. Não suportava mais a cara da patroa.

Terça-feira, 2 de Junho de 2009

Microconto #95

Ficou lá todos os 150 segundos. Era sua primeira vez. Frustraria o sonho da culinária se queimasse as pipocas de micro-ondas.