Infeliz ano novo

Quando chega o final de ano, nós sempre refletimos sobre os 365 dias que passaram, sobre o que foi feito e o que foi desfeito, o que foi conquistado e o que foi perdido, o que foi visto e o que ficou para o próximo ano.

Não vou crucificar você, caro leitor, que deixou de fazer um monte de coisas, que esqueceu diversas promessas e que principalmente, esqueceu de você mesmo. A mania medíocre de dizer que o arrependimento é fruto do feito duvidoso de uma ação, é realmente medíocre, nada mais.

Nunca se arrependa de ter ou não ter feito algo, apenas faça quando achar que é válido, não repense e não se martirize. O que vai acontecer já está programado. Não faça promessas para o ano que entra. Não faça planos ao seu coração, ao seu bolso e a sua família.

Curta, viva e foda-se. Não conte um ano como mais 365 dias, conte sim, o seu dia como mais 24 horas. Assim mesmo, um de cada vez. Faça um dia diferente do outro mesmo que todos sejam iguais, você pode. O dia é seu.

Só não entre mais um ano pensando como será o final, pensando como vai passar rápido ou pior, já se preocupando com o que você não terá feito quando ele acabar. Lembre-se, preocupe-se com os dias, um a um. Viva para que eles não caiam na rotina. É ela a malfeitora que destroe os anos velhos.

Queime depois de Ler

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Poderia falar sobre o fracasso de “Hancock”, que é a exaltação de mais uma produção americana, cheia clichês e estereótipos cinematográficos. Poderia falar do oposto em qualidade, como “O sonho de Cassandra” ou “Match Point”, ambos, trabalhos recentes do mestre Woody Allen. Poderia falar do básico, porém, bom, "Antes que o Diabo saiba que você está morto" ou escrever sobre “Cem anos de solidão” (mas vou deixar pra quando terminar o livro), só que, prefiro relatar outra coisa.

Queime depois de Ler”, o mais novo trabalho dos irmãos Coen, traz um elenco interessante, não pelos atores, mas por seus papéis. John Malkovich, mesmo com uma bela representação, não consegue abafar Brad Pitt e George Clooney. A dupla “queridinha”, apesar de não estar como protagonistas exclusivos do longa, conseguem roubar as cenas.

Pitt como Chad, um professor de academia excêntrico e agitado, mas que chama a atenção pela representação cômica que proporciona, e Clooney como Harry, um agente com mania de perseguição, ambos dão ao filme uma ótima qualidade cênica.

Sem historinhas comuns e com um roteiro engraçado, “Queime depois de Ler” vale a pena por sua desconexão de fatos. Acontecimentos e mais acontecimentos vão criando uma lógica ilógica, envolvente nos aproximadamente 90 minutos de filme. Eu sei que não é costume recomendar produções comerciais, mas é que algumas se salvam. Próxima chance aos filmes comerciais, “Rede de mentiras”, espero que não precise queimar depois de assistir.

Momento éDuka #7

Hedonista: aquele que procura o prazer individual e imediato, somente se plenifica por meio de sua extensão para o maior número possível de pessoas.

Traduzindo: Os hedonistas são seres precoces que gostam de se masturbar em público.

Microconto #35

Colecionava coisas antigas há muito tempo. Dentro do coração por exemplo, levava um amor que nunca foi correspondido.

Propaganda segmentada

Eu entendo e você? Ou, você entende e eu? Essa é uma das principais dificuldades de se criar um anúncio, um vídeo, sei lá, qualquer idéia que necessite de um repertório muito específico.

Você não atinge o público pretendido, não tem o retorno esperado dos seus investimentos e consequentemente, não tem um feedback sobre o alcance da mensagem, a não ser é claro, que a idéia seja realmente para um público específico, aí não vejo nenhum problema. Em contrapartida, existem as campanhas que já são feitas pra falar com todo mundo.

Quer um exemplo de propaganda multicultural? Pegue a maioria dos comerciais da Coca-Cola, principalmente aqueles que são gringos e passam por dublagens (meia boca muitas vezes). Devido em grande parte a um alinhamento global de marca com determinada agência ou grupo, os comerciais são produzidos para circularem o mundo e necessitam falar com todos.

Já se o público é restrito como citado acima, algumas idéias se encaixam bem, como é o caso dos vídeos abaixo. O primeiro criado pela Leo Burnett para o Jornal da Tarde, veiculado em São Paulo. O segundo criado pela Lew,Lara (antes ainda da fusão com TBWA) para a Instituição Nossa São Paulo a fim de divulgar o Dia Mundial Sem Carro. Ambos usam como referência o “Cara do Carro Amarelo”, um ícone bem conhecido da cidade de São Paulo.
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Ah, olha eu segmentando o post, se você não conhece o “Cara do Carro Amarelo”, leia
aqui um texto bem legal.

Microconto #34

“Boas coisas vêm para quem espera”. Aos 78 anos ele desligou a televisão e resmungou solitário – Comerciais mentirosos de uma figa.

Resultado Prêmio Gol - Mídia on Board

Em setembro divulguei aqui o Prêmio Mídia on Board da Gol Linhas Aéreas.

Com categorias para profissionais e estudantes, o prêmio consistia na utilização dos espaços das aeronaves como exploração de mídia.

Trago agora o resultado divulgado na semana passada. Quem levou o prêmio na categoria Jovens Talentos foi Henrique Martins, com um trabalho desenvolvido para o Limpou. Ele fez uso das janelas para passar o conceito do produto.
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Entre os profissionais, as categorias foram: Adesivos, Merchandising e Promoção. O destaque ficou com a peça desenvolvida por Manu Mazzaro, que explorou as bandejas para fomentar o turismo a Aruba.
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Manu, que é assistente de arte e parceiro aqui na Lew’Lara/TBWA, criou a peça com seu ex-dupla, Felipe Cirino. Além do ouro na categoria Adesivos, os dois levaram o Grand Prix e com ele uma viagem para Fernando de Noronha.

Para saber mais detalhes e conferir os demais ganhadores, acesse
aqui o site do prêmio.

Microconto #33

Estava cansado de promessas mentirosas nessa época. Ano novo, vida nova é a puta que pariu.

Propaganda auto-sustentável

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Está ficando cada vez mais comum nos depararmos com ações que inovam em suas formas, que inovam em seus conteúdos ou que simplesmente inovam (ainda bem). Isso não é mais nenhuma surpresa pra quem acompanha o mercado publicitário e suas tendências.

Mas para quem não acompanha, vamos deixar um pouco mais clara essa real situação, afinal, é exatamente pra isso que estamos aqui, pra falar de tudo um pouco.

Vamos a três exemplos rápidos:

Essa ação da
DOVE na Alemanha, brinca com os sentidos e com certeza afeta um ponto muito fraco no ser humano, o olfato. Instalando reprodutores em salas de cinemas as quais puderam aromatizar o ambiente com um "cheirinho bom de DOVE" durante a apresentação do comercial da marca.

Essa da
MTV, bem mais recente, feita pela LODUCCA. Foge do comum e brinca novamente com os sentidos (dessa vez o mais fraco em mim), o paladar. Um anúncio criado para promover a sustentabilidade, foi feito justamente para não ser jogado fora, e sim, para ser comido.

Essa no caso já não é uma inovação de conteúdo, mas sim de forma. Como disse o
Rafael Amaral, a empresa Quividi de Londres, está utilizando técnicas que podem definir quem está olhado para o anúncio (ainda em mídia externa), suas características de sexo e idade aproximada. Fazendo assim com que seja possível cada pessoa ver um tipo de anúncio específico, mais ou menos como aqui no filme Minority Report, ou como esse vídeo da Oblong onde a vida imita a arte (ou será o contrário, já me confundi a essa altura).

Enfim, tecnologia,
neuromarketing, portabilidade, interatividade, anúncios sensitivos, comestíveis, mutáveis, mutantes, uhuuu, viva essa geração!

Microconto #32

- Feliz Natal disse o diretor. Todos se abraçaram, brindaram e voltaram ao trabalho. Era um ano de crise.

Microconto #31

Queria fazer dinheiro nas desgraças alheias. “Depois da tempestade vem a bonança”, dizia a fachada da sua loja de rodos.

Resultado Promoção 1º ano do PENATES

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Essa é a capa da mais recente publicação da Edições AG, uma instituição que realiza periodicamente o Concurso Internacional Literário. Que por coincidência (coincidência nada, tudo planejado) é o prêmio que acaba de ser concedido a Iasnara Amorim, vencedora da Promoção 1º ano do PENATES (o sorteio foi realizado dia 07/12 às 02h30 e tenho minha família como álibi).

O livro “Casa lembrada, Casa perdida”, é uma seleção dos melhores Contos, Crônicas e Poesias que participaram do XXV Concurso. E é com muita satisfação que gostaria de comunicar a todos, que o livro traz
duas Crônicas minhas.

Gostaria de parabenizar a Iasnara e agradecer a participação de todos, principalmente aos que tiveram coragem de ganhar um presente suspeito. Para mais informações a respeito do livro, clique
aqui, e saibam que da próxima vez o presente pode não ser tão bom (hehe).

Microconto #30

Bateu uma, duas, três vezes, mas ninguém atendeu. O destino lhe fechou as portas e nunca mais abriu.

Microconto #29

Amor intenso. Ela gostava de apanhar e ele, de bater. Ela gostava de sangrar, mas quando viu que ela já estava morta perdeu a graça.

Microconto #28

Aninha achava que a felicidade estava nos pequenos prazeres, até ser picada por uma abelha. Levou a vida como uma mulher frígida.

Um tempo nas grandes marcas

Nada de novo logo da Pepsi, Apple maníacos, Coca-Cola viciados ou loucos “Nintendísticos”. O que quero mostrar pra vocês é uma outra marca bem menos conhecida (bem mesmo).

Estava eu navegando e buscando referências para um colega diretor de arte, quando me deparei com isso. Nada de muita frescura, nada de cores marcantes e muito menos de arabescos. Um logo simples, objetivo e muito engraçado.

Gostaria de dividir a experiência com vocês e saber o que acharam. Será que deveríamos ter mais coisas assim, ou é bizarrice demais?
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Tirando um rato da cartola

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Sou daqueles que ainda acha que as animações servem mais de referência pelo trabalho gráfico do que pelo entretenimento. Mais nada, e ponto. Tanto é que eu já havia começado este post, e ia falar sobre “O grande truque”, filme dirigido por Christopher Nolan (o mesmo da nova produção de Batman), e que coincidentemente (?) trabalha com os atores Christian Bale e Michael Caine (também do mesmo filme).

O filme é uma obra muito bem executada (se me permite o trocadilho com a mágica) do ponto de vista do espetáculo. A promessa, a virada, o truque final e todos os elementos que envolvem o momento. Uma mágica, e aqui falo como um amante da arte, mesmo sendo um péssimo executor, necessita mais do que a qualidade de quem a faz, uma mágica (ou efeito para os amantes), necessita do encanto de quem assiste, e sua vontade (inconsciente) de ser enganado.

O filme é recheado de viradas, com diálogos até que interessantes e uma fotografia muito boa, mas a melhor parte fica atrás dos palcos (ou embaixo deles, como preferir); como tudo ocorre, como a necessidade de manutenção da arte e a propagação fazem dela um mercado vingativo e mal. O filme vale pelo seu roteiro e pelo enredo, principalmente pra quem gosta da magia da mágica (repetição proposital).

Contudo, como disse no começo, essa parte estava pronta pra sair, mas fui inventar de assistir uma tal animação, recomendada. “Ratatouille”. Um desenho-filme (ou filme-desenho, sei lá), muito bem feito através da parceria Disney/Pixar. Conta a história de um rato francês (Remy), apaixonado pela culinária. Com um desenrolar bem produzido, o desenho-filme conquista pela simplicidade e pelo carinho com que os produtores levaram a trama.
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Mas pra mim, o que rouba a cena não é nenhuma das belas seqüências, nem toda a verba usada nem o mega-trabalho investido, e sim, sua mensagem principal. Anton Ego, personagem que representa um crítico famoso de restaurantes, aos meus olhos é essa mensagem. Ego, dá o toque e o charme especial que a história precisa. Em uma de suas falas deixa claro o papel do desenho, que como eu já sabia, não é entreter, mas infelizmente (ou felizmente) também não é só uma animação. Esta é apenas uma frase que compoe uma crítica final que é um show a parte:

nem todo mundo pode ser artista, mas um artista pode vir de qualquer lugar

E dessa forma diremos sempre - viva a manutenção do encanto em nossos corações, seja ela magicamente gostosa ou gostosamente mágica.

Plataforma

Olhava pela janela as árvores passarem cada vez mais velozes. Já havia esquecido há quanto tempo estava naquela rota constante, ficara hipnotizado pela repetição de uma natureza linear. A mente e o corpo estavam no mesmo lugar, ali, juntos e consolados. O corpo sustentava a mente e a mente sustentava o corpo com um fio de esperança. O coração não. O coração era diferente. Não estava lá. Enquanto o trem se movia a uma velocidade gradativamente torturante, o coração ficava para trás a uma distância gradativamente lamentável.

A respiração funda, ofuscava o vidro que sustentava seu rosto. Mas não o suficiente para impedir sua visão do mundo lá fora. Que apesar de cinzento como sempre, estava diferente como nunca. Gotas começaram a bater nessa moldura da realidade. A primeira delas, para qualquer um que observasse a situação, poderia ser confundida com uma lágrima que escorria sozinha e triste. O que também não deixou de acontecer. Uma lágrima caiu. E outra. E outras.

Na plataforma que ficava óbvia e tristemente mais longe, as coisas não eram nada diferentes. Lágrimas caiam de outro rosto e confundiam-se com a chuva. Um outro coração também não ficava junto de seu corpo como deveria, buscava alcançar os vagões que sumiam dos olhos daquela mulher que agora tinha os cabelos molhados pela chuva, e não mais pelo banho de despedida. Uma mulher que sabia, mesmo que não querendo saber, que a guerra é cruel. E aquele, eu te amo, dito há instantes, poderiam não mais chegar aos mesmos ouvidos.

Quanto mais rápido o trem ia, mais rápido esse futuro soldado sentia falta daquela plataforma. Havia deixado para trás muito mais do que angústia, força e saudade. Ele, só pensava em voltar, constituir uma linda família, ter filhos e viver um dia, glórias de pai. Ela, também esperava a volta dele, mas para contar um segredo ainda confidencial: naquela plataforma, ele podia não ter percebido, mas, já havia um terceiro coração na despedida.

Microconto #27

Tinha um problema. Era tão ansioso, que não conseguiu completar seu ciclo normal de vida. Morreu antes só para saber como era.

Resultado Prêmio Central de Outdoor 2008

Há exatos 363 dias, fizeram-me a pergunta – como foi ganhar o Grande Prêmio Central de Outdoor 2007? – a primeira coisa que me veio na cabeça foi – parece contraditório, eu como aspirante a redator, dizer isso, mas, faltam-me palavras para descrever esse momento.


E agora, 363 dias depois, fizeram-me a mesma pergunta, e a única coisa que me vinha na cabeça era a resposta do ano passado, mas, para não parecer repetitivo eu disse – nossa, pensei em tantas coisas pra falar, mas justo agora eu fui esquecer de tudo!

E foi assim, que minha ansiedade teve fim. Mais do que satisfação, comecei a sentir tudo outra vez, fome, sono e até vontade de ir ao banheiro. Coisas que nos últimos dias eu não percebi que necessitava (problemas de gente ansiosa, não sei se você me entende).

A noite foi mágica. Tive a companhia de grandes amigos e pude rever pessoas muito simpáticas. Só que o melhor de tudo foi receber a notícia da vitória. Não pelo fato da premiação em si, mas por ter competido com trabalhos de auto-nível. Eram 5 finalistas muito bem representados. Eram 5 trabalhos muito bem feitos. Enfim, eram 5 peças dignas de prêmios.

Ao fim da cerimônia, alguém (não sei quem era), chegou em mim e disse – que legal, você ganhou ouro com um trabalho branco – eu concordei e ri (ainda viajando), mas o Felipe fez uma interjeição pertinente – cara? Seu trabalho não estava em branco, defende a classe, tinha um título – soou engraçado a princípio, mas depois de alguns segundos valeu a reflexão. Realmente, meu trabalho não estava em branco, pelo contrário, ele tinha muita coisa, tinha um título, uma idéia e o principal, uma crítica. Sobre o tema “Liberdade de expressão na propaganda”, eu acho que usar a própria mídia como uma não-mídia, foi uma boa sacada (arriscada, mas boa).
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Ah, e quanto ao branco, pode ser, mas os únicos que não enxergam nada, são justamente aqueles que não querem ver.

Obrigado a todos pelo apoio.
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Update 02/12/08: O resultado geral já está disponível no site da Central do Outdoor.

Vingança

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O primeiro dos quatros filmes que Paulo Pons pretende produzir com baixo orçamento. A tetralogia irá trazer ainda para as telonas: "Espiral", "Os realizadores" e por último "A hora mágica". Todos com orçamentos estimados em 80 mil reais. Valor baixo para os padrões brasileiros, imagina para os padrões hollywoodianos?

A verba usada na produção dos longas, é comparada aos orçamentos utilizados para os documentários no país. Mas nem por isso tira o brilho do trabalho brasileiro. O filme estreou sexta (21/11), mas tive a oportunidade de conferir a exibição na quarta (19/11) em uma pré-estréia.

Coisas que quero ressaltar: "Vingança", apesar de ser feito com baixo orçamento não deixa de ser interessante, principalmente pela quebra de muitos clichês nacionais (fome, miséria, pobreza e periferia), queiram ou não, iniciados pelo belo movimento do cinema novo, uma “abrasileirada” dos neo-realismos da vida.

Comentado sobre clichês, como o filme foi rodado no Rio, algumas cenas que já se tornaram rotineiras nos filmes nacionais e produzidos no território carioca, estão presentes também nesse. Vai dizer que aquela tomada de trás, onde um casal de atores está sentado na areia olhando o mar, não te faz lembrar, “Cidade de Deus” ou o mais recente “Era uma vez”? Fora outras cenas na própria praia.

Os estereótipos do cinema nacional, muitas vezes não estão só em suas histórias, mas também em suas tomadas e planos (falta às vezes um pouco de ousadia).

Apesar desses pontos negativos (mas nem tanto), o filme traz uma história simples e interessante, com algumas reviravoltas que infelizmente me impediriam de fazer uma resenha mais detalhada do filme sem cometer nenhum
spoiler. Vale conferir (apesar de ter um final um pouco fraco) pela boa encenação dos atores, pelo orçamento, por ser brasileiro e para ver Bárbara Borges longe das produções globais.

Microconto #26

Após uma rápida cópula de idéias, eis que vem ao mundo um mini conto erótico. Um filho, que apesar dos pesares, nasceu bem contado.

Resultado 12º Prêmio de Propaganda O GLOBO

Em 26/08 desse ano, como é de costume, foi divulgado aqui informações sobre o concurso Jovens Criativos do Prêmio de Propaganda O GLOBO. E agora, com tudo resolvido, venho publicar o resultado.

Esse ano o GrandPrix foi para Felipe Tiago de Souza Pires com o título “Mudanças”, só lembrando que o briefing era criar anúncios para promover o Instituto Superior de Educação Pró-Saber. As peças ficaram interessantes, mas como nesse país democrático tenho o direito de opinar, e o principal quesito da avaliação de criação é a subjetividade, gostei bastante da campanha que levou ouro. Os responsáveis são Leônidas Soares Pires e Gabriely Rodrigues de Souza. Nada contra o GrandPrix, mas achei que eles conseguiram passar a mesma idéia de uma forma ainda mais sucinta.
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O GrandPrix dos profissionais ficou com a Agência3, com a peça “Tijolão” para o Rossi Residencial.
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Para conferir as demais peças e as demais categorias como Cases de Resultado ou Melhor aproveitamento do meio jornal, acesse
aqui o site do concurso.

1980

Já vi muitos roteiros virarem comerciais efetivamente e até comerciais voltarem a ser roteiros, mas um comercial virar crônica, nunca tinha visto. Daí, com essa idéia retardada na cabeça e impulsionado por um trabalho da faculdade, resolvi arriscar pra ver no que dava.

Segue abaixo, filme clássico da DPZ, criado para a extinta Telesp em 1980. “A morte do orelhão” retrata um momento de vandalismo vivido na época e a solução criativa para representar esse problema. Na seqüência o resultado da crônica, que buscou abordar temas relacionados fortemente com ano de exibição. O que acham da idéia? Seria um novo hobbie?

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1980

As noites infelizmente já não eram mais as mesmas. O tropicalismo que há alguns anos agradava tanto os casais apaixonados e empolgavam noites de curtição, mal tocava nas rádios, e muito menos nos toca-fitas dos Fiat 147 e dos Fuscas que rodavam a cidade.

As noites infelizmente já não eram mais as mesmas. A ditadura se instalava no país há alguns anos. À noite nos bailes já não eram plenamente aproveitadas. Os brotos não saiam de casa. As calças boca larga permaneciam empoeiradas nos guarda-roupas e as camisas floridas já murcharam.

As noites infelizmente já não eram mais as mesmas. Os cabelões não impunham mais virilidade. Roberto, Caetano, Chico, Gil e Erasmo, disputavam lugar nas discotecas com o Rock. Bee Gees e Grease faziam a cabeça de todos, John Travolta enlouquecia as garotas com seu estilo. Mas.

As noites infelizmente já não eram mais as mesmas. Ninguém mais ia às ruas. A violência começava a tomar conta de cada estrada, de cada avenida e de cada esquina. As mortes passaram a ser cada vez mais presentes na convivência da população. Nenhum sábado gerava mais embalos.

As noites infelizmente já não eram mais as mesmas. Assassinatos, assaltos e vandalismos, tudo muito freqüente. Nas madrugadas não se via mais ninguém nas ruas, eram frias, insólitas e castigadas. Nada mais resistia a agressão de grupos desprovidos de qualquer qualidade intelectual.

As noites infelizmente já não eram mais as mesmas. Nem os postes, pontos de ônibus e caixas de correios escapavam da destruição eminente. Nem os pobres orelhões. Ah orelhões, nem vocês escaparam das agressões, nem vocês escaparam de um triste fim.

As noites infelizmente já não eram mais as mesmas. Morriam orelhões.

Microconto #25

O conto era tão pequeno, tão franzino e tão desajeitado, que morreu antes mesmo de existir.

Microconto #24

Arrumar um novo namorado foi a primeira coisa que passou na sua cabeça. Impossível que depois de 18 tentativas não conseguiria alguém.

Finalistas Central de Outdoor 2008

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Não é de costume aqui no Blog ser feita a divulgação prévia dos finalistas ou shortlist dos concursos; prefiro fazer só o comunicado do resultado final, mas nesse caso tenho que abrir uma exceção.

É com muita felicidade (muita mesmo) que gostaria de comunicar aos amigos(as) que freqüentam esse espaço, que pelo 2º ano consecutivo, consegui me classificar para os finalistas do concurso Central de Outdoor na categoria Estudantil. No ano passado recebi, gratificado, a notícia que
fui campeão nacional dessa mesma categoria.

Para chegar aos finalistas, os representantes de cada estado competiram entre si, saindo somente um vencedor. Numa segunda etapa, foram selecionados apenas 5 trabalhos dos 27 campeões estaduais para a grande final (diferente do ano passado que foram 4). Desses 5, eu estou no meio e só 3 serão premiados com 1º, 2º e 3º lugar nacional, numa cerimônia a ser realizada dia 25/11 aqui em São Paulo (tensão).

Só que para chegar até aqui, muito esforço foi feito. A qualidade dos trabalhos inscritos é alta. Digo isso por um amigo blogueiro que também foi campeão do seu estado. Kenzo Kimura do
Rafiado, estava competindo com o trabalho campeão estadual no Ceará, muito bom também. Infelizmente não deu no Central (não sei o porquê), só que no BanBanBan estamos torcendo cara.

Para conferir a lista completa dos finalistas em todas as categorias, clique
aqui.

Promoção mês de aniversário - 1º Ano

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Promoção encerrada.

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Depois de 31 milhões e 536 mil segundos, mais de 200 mil caracteres, mais de 10 mil visitas e mais de 500 manifestações de curiosos (favoráveis ou não, o que é bem legal), o PENATES chega ao seu primeiro aniversário.

No mês de novembro do ano passado (pra ser mais exato, dia 16), eu, com essa infinita idiotice, pensei em criar um blog para escrever o que me desse na telha. Foi o começo de um vício. Depois disso não parei mais, toda semana tem que cair coisas novas, um texto qualquer, críticas, crônicas, referências, indicações, reflexões, baboseiras e o que mais vier pela frente.

Gostaria muito de agradecer a todos que de uma forma ou de outra, visitaram este blog, deixaram comentários, incentivaram-me e assim, contribuíram para que eu me fodesse mais. Sim, porque se tem gente que vem aqui eu tenho que atualizar certo?

Mas, tudo bem, conheci muitas pessoas através desse canal (o blog tá?). Muitas delas inclusive, ainda não tive o privilégio de conhecer pessoalmente.

Deixe-me parar de enrolar e falar logo. No mês de aniversário do PENATES, não sou eu que vou ganhar presente, são os loucos que ousarem participar desta brincadeira.

Como participar

As regras são simples, basta deixar um comentário com o seu Nome seguido do seu E-mail (para identificação e contato) e escrever (obrigatoriamente) sobre o que você mais gostou e o que você menos gostou desde que conheceu essa merda de blog (vale tudo).

Período

Esta promoção terá validade até 6 de dezembro (isso mesmo, 20 dias. É muito tempo mas é porque eu ainda não decidi o que dar de prêmio. Ah, aceito sugestões). Todos os comentários que aparecerem “neste” post (veja bem, NESTE post) com as regras de participação corretas, serão inclusos no sorteio.

Prêmio

A graça da brincadeira está exatamente aí. Você não sabe o que vai ganhar (não é ótimo, além de participar, você ainda vai ficar curioso).

Sorteio

Para o sorteio será usada uma tecnologia avança, a mesma utilizada em países de primeiro mundo, como os Estados Unidos, por exemplo. Vou anotar todos os comentários em papéis e fazer igual o sorteio da casa própria do BAÚ. Entrarei em contato com o ganhador, negociarei datas e prazos, e fico encarregado de mandar o prêmio por SEDEX (não estou ganhando pelo merchan).

Agora que você já sabe da promoção e é acima de tudo um pouco retardado, pode deixar seu comentário aí e boa sorte (ou azar né, vai saber).

Favela, uma falta de modernidade política?

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Clique na imagem para ampliar (vale a pena)
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Não é, e não pode ser encarado como um problema da modernidade. As favelas tiveram suas aparições a partir da chegada imperial ao Brasil. Onde moradores, forçosamente, tiverem que ceder suas residências a toda comissão Portuguesa que aqui desembarcava. Sendo assim, obrigados a construírem suas novas casas no alto dos morros, dando origem ao termo que é utilizado até hoje para nomear os moradores de onde tudo isso deu início, Carioca, de origem Tupí kari'oka, significa casa de branco.

Agora, mais um problema é encontrado. Pejorativamente, o termo favela é apontado pela sociedade como local de aglomeração de criminosos, negros e pessoas desprovidas de condições financeiras favoráveis. A verdade é uma só, o local é uma concentração da parte desabastada da população, que se encontra nessa situação por causa do governo que não favorece a inclusão social e por causa dos próprios pares que não lutam por um reconhecimento, e sim muitas vezes, fecham-se em seus recintos esperando a solidariedade dos próximos, que devido à ignorância, tarda a chegar.

Por isso, quando nos pegarmos julgando ou fazendo um pré-conceito, não das pessoas que moram nas favelas, mas do termo propriamente dito, devemos lembrar de muitos exemplos que podem ser retirados de lá. Devemos lembrar que não só o governo com sua má administração, mas também nós, cidadãos, temos uma grande parcela de culpa na falta de aprovação dessa gente. Devemos trabalhar em prol da igualdade e da homogeneização das culturas, costumes, credos e raças, deixando de lado a descriminação e passando a ser mais conscientes na cobrança de melhores políticas e na construção de uma melhor sociedade. Para quem sabe, o significado da expressão que deu origem a tudo isso, nunca mais tenha sua cor trocada injustamente.
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Dica de documentário: Favela Rising e Santa Marta: Duas semanas no morro.

Microconto #23

Quando o pai abandonou a família sua função era ser o homem da casa. Atraso do pai, ele já tinha escolhido sua orientação sexual.

Resultado do FUC e do Caracol de Prata

Demorou mais saiu. Ainda tem o resultado de um concurso pendente para ser divulgado, o Central de Outdoor 2008, que creio deva sair até o final desse mês. Mas enquanto isso, o FUC, divulgado aqui e o Caracol de Prata aqui, disponibilizaram essa semana os seus ganhadores.

O FUC ainda só tem os nomes em suas respectivas categorias, vamos aguardar para ver quando saem as peças (se é que vão). Já o Caracol de Prata como todo ano, divulgou seu shortlist com os nomes e agora traz ao público os trabalhos vencedores. Detalhe todo especial para o Brasil que conseguiu esse ano ocupar a 3ª posição, tanto na categoria cartaz como no vídeo. Parabéns aos brasileiros Patricia Zanon Nunes de Melo e Diogo Maluf de Souza Vaz de Faria respectivamente.

Para conferir os resultados clique aqui para o FUC ou aqui para o Caracol.
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Update 16/11: O FUC disponibilizou as peças vencedoras. Confiram.

Preconceito ou não?

Eu não sei se eu gosto disso ou se eu me revolto.

Estava com um post prontinho pra sair e aparecem essas coisas que precisam ser comentadas. Mas tudo bem, amanhã sai o outro (eu acho).

Não vou ficar falando de propaganda por muito tempo. A grande maioria que passa por aqui já sabe o que é o submundo da publicidade, e quem não conhece é melhor não ficar sabendo, continue aí, achando que é tudo mil maravilhas.

Vira e mexa a propaganda é alvo de discussões e consequentemente penalizada por discriminações. Sejam elas raciais, religiosas ou sexuais. Mas nem sempre é só isso. Muitas vezes também, ela é acusada de incitar a violência e quando não, indicar produtos que não são considerados adequados a uma boa alimentação, principalmente quando o assunto é criança.

Mas voltando ao tema das discriminações. Hoje, nós nos encontramos em uma sociedade tão moderna, atual e ao mesmo tempo liberal, que muitas coisas podem ser vistas a bons olhos. Mas, em compensação, outras podem ser consideradas como ofensas sutis.

Não que eu ache preconceito. Só que essas peças desenvolvidas recentemente pela MatosGrey para a revista VIP, ao exaltar o conceito da mídia, acho que se exaltaram também um pouco nas palavras. Não quero iniciar aqui uma polêmica, porém, penso que esses termos poderiam ser evitados. Os anúncios são bons, mas que gera um pouco de discussão gera. E você, o que acha?
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Palavras

Palavras podem ser escritas, faladas e ouvidas, mas de nada servem se não bem interpretadas.

Nada romântico

O romantismo é uma máscara que está presente no coração dos que não amam e na mente dos que sentem falta de carícias. Quem ama, ama. Ponto.

Microconto #22

Sentia-se só. Procurou ajuda em igrejas e terreiros. Não resolveu o problema, mas sozinho não estava mais, arrumara muitos encostos.

Horóscopo

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Desculpem-me os astrônomos, astrólogos, astrofísicos, astrológicos, astrogeológicos, astrofóbicos, astroarqueólogos, astrogildos, astroman, astroboy, astro (cachorro dos Jetsons), ou seja lá qual for a entidade responsável pelo horóscopo. Mas, a verdade seja dita, não importa o dia, o local ou qual signo seja lido, todos se encaixam pra você, é uma verdade(?) genérica. É como se naquele mundo não existisse a mentira. Um lugar mágico (se realmente existisse).

Veja um exemplo que li outro dia (não importa saber quando nem qual signo era, e que uma coisa fique bem clara, só li por curiosidade):

Um dia calmo, nada vai te tirar do sério a não ser que você queira. Grandes possibilidades de sorte na sua relação a dois. Invista.

Maravilha, até me senti melhor, fala a verdade, você não?

Update: 08h55min

Já que é pra avacalhar vamos avacalhar. Deixe aí nos comentários seu NOME / SIGNO / OBJETO QUE MAIS GOSTA (pode ser fálico ou não) que o PAI TIAGO vai fazer a leitura do seu dia.

Microconto #21

- Acéfalo. Esse foi o diagnóstico do médico. Pra mãe, o filho ia nascer de qualquer jeito, no mínimo, ele poderia virar político.

Microconto #20

Seu coração se fazia em pedaços a cada novo amor. Passaram canalhas e imbecís. Quando o amado chegou, infelizmente não havia mais cacos.

Eu vejo o futuro repetir o passado

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A história dos Estados Unidos não é feita de bons exemplos para a humanidade. Porém, tendências e grandes manifestações já fizeram de lá, algumas vezes, um lugar interessante para morar (só algumas vezes). O retrospecto político também não serve de inspiração em especial para nenhum país. Grandes crises seguidas de grandes guerras e grandes guerras mesmo sem nenhuma crise.

O “boom” mundial do momento são as eleições presidenciais. Não quero falar sobre o presente assunto, prefiro fazer uma reflexão a respeito do passado, e gostaria de convidá-lo a isso. Se tiver interesse, o próximo parágrafo dará início ao assunto, caso contrário, temos ótimas ofertas em nossa seção “Estou cagando e andando para esse assunto”, que fica logo ali em qualquer outro post.

Em 1861, Abraham Lincoln é eleito ao comando dos Estados Unidos, como o primeiro presidente republicano da história. Com sua posse, o Sul e o Norte resolvem disputar interesses e é dado início a chamada “Guerra da Secessão”, que perdurou por quase todo o seu mandato. Lincoln, apesar de ser um membro do partido republicano, teve discursos considerados marcos da democracia. Com uma visão ambiciosa, mas ao mesmo tempo renovadora (soa familiar?), publicou em 1862 a proclamação para a liberdade dos escravos nos estados confederados.

Em 1865, logo após a Guerra da Secessão ter chegado ao fim, um simpatizante do conflito dispara um tiro na cabeça de Lincoln, e assim, resolve um conflito pessoal.

Algumas décadas depois do incidente, chega ao comando dos Estados Unidos um novo presidente, dessa vez democrata de ofício. John Fitzgerald Kennedy. Considerado por muitos, um dos maiores líderes mundiais do século 20. Ainda novo no comando, é responsável por colocar em ordem um país que vive uma crise econômica (soa familiar de novo?), causada pela invasão de Cuba. Também revolucionário, cria a “Aliança para o Progresso”, com o objetivo de ajudar os países sul-americanos.

Em 1963, preparando-se para a reeleição que aconteceria no ano seguinte, Kennedy é atingido, coincidentemente, na cabeça, por um outro louco, que antes de ser preso também é assassinado (queima de arquivo?). Dessa forma a América perde quase um pai. (Aqui cabe uma dica de documentário, “Primárias” que conta a história das eleições de Kennedy, assim como “Entre atos” fez com Lula).

Agora, mais uma vez, décadas depois, um outro nome surge. Um democrata com uma proposta nova para a época, mas antiga para a história. Barack Hussein Obama, Jr. O primeiro candidato negro da história dos Estados Unidos, propõe mudanças e transformações, pretende resolver o problema da crise e da guerra de uma forma renovadora. Mudança, esse é o norte de sua campanha, disputada contra John McCain. Obama faz uma candidatura impecável, com mídias e estratégias dignas do século XXI, conquista a todos, dentro e fora de seu país.

Meu objetivo não era fazer apologias aos Estados Unidos (aqui sim eu estou cagando e andando), não era fazer referências às campanhas milionárias, não era mostrar ações impressionantes, não era fazer menção ao dia das eleições e nem muito menos ao seu resultado, mas, caso Obama venha a ser eleito pelo povo estadunidense (e pelo mundo), ficarei torcendo para que a bandeira americana não precise ser hasteada a meio mastro novamente.

Microconto #19

Quando viu o carro em seu retrovisor, fechou-o com toda a vontade. Era o fim da corrida, pena que não era um autódromo.

Microconto #18

Tinha nariz grande, uma verruga horrível e a voz tenebrosa. Estaria pronta pro Halloween caso já não tivesse nascido assim mesma.

Microconto #17

1943. 2ª Guerra. Ele chora por saudades da família, mas não por muito tempo, em breve a família também chorará por saudades dele.

Microconto #16

Sempre foi mais otimista que realista. Ficar famoso, escrever um livro e ganhar um Oscar. Claro, depois que curar o câncer no cérebro.

Microconto #15

O problema de tudo foi a mãe ter morrido. Era a única pessoa que lhe dava carinho, comida e proteção. Agora como ela ia nascer?

Momento éDuka #6


COMPROVADO: CULINÁRIA JAPONESA MATA!

Mata, mas não coze, não frita e nem assa.
Come cru mesmo, é tradição cultural.

Microconto #14

Calros smerpe se ahcou mituo nroaml, qeuira ser dfienerte em agluma cisoa. Cmoeoçu plea pórpira hsitióra.

Nike e Racionais, no limite do capitalismo

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Com letras sempre tão críticas, cheias de reflexões e anseios de uma sociedade mais desfavorecida, que ao mesmo tempo não deixam de refletir uma realidade pouco presente na vida de tantos que lêem isto aqui, neste momento, os Racionais MC’s, grupo de rap muito conhecido pela qualidade de suas melodias (precisava explicar?), estarão sucumbindo ao capitalismo?

Esses dias a Folha de São Paulo noticiou que o grupo vai estrelar uma campanha para a toda poderosa Nike. A ação trará como tema central o futebol de rua.

Nada de comprovado, mas algumas coisas parecem se encaixar. Em janeiro havia lido essa
reportagem, sobre o documentário “Freestyle: UM ESTILO DE VIDA”. O cineasta paulista, Pedro, tem influência na cultura de periferia e consequentemente um link com os Racionais. O documentário foi produzido em parceria com a Nike Spotswear, o que já mostra um interesse da marca em atingir um público muitas vezes esquecido no momento da compra. O que faltava, era só uma forma de chegar direto ao ponto.

Ainda no aguardo de mais informações e ansioso para ver o que vem por aí. Só que ao mesmo tempo preocupado, afinal, “meus heróis, morreram de overdose”, aqui no caso, uma overdose financeira, mas overdose.

Não, não e não


Carlinhos era do contra, dizia “não” pra tudo, não fazia nada do que era pedido, não fazia nada em casa nem na rua, na escola também não era diferente nem lição fazia, era um festival de “nãos”. Só que ao mesmo tempo, não demorou muito para as pessoas descobrirem que aquilo tinha uma solução, Psicologia Reversa, era isso, tudo o que precisavam fazer era na verdade, não fazer o que queriam fazer. Então com Carlinhos passou a ser assim.

Foi fácil para os que já o conhecia, o problema só era para os novos contatos ou para as pessoas que cruzava pela vida. - Moço! O próximo é o senhor. - dizia uma cidadã na fila do banco. Quem disse que Carlinhos se moveu, todos passavam na sua frente e ele com muita firmeza nem se mexia, isso até o banco fechar. Voltou para casa sem pagar as contas, mas muito orgulhoso de não ter sido mandado por ninguém.

Cresceu, perdeu alguns empregos, algumas oportunidades, muito dinheiro e o pior, muitas mulheres. Carlinhos agora homem formado, passou a ser Carlos, mas não abandonou a casa dos pais, tirando a necessidade de sobrevivência porque daquele jeito não conseguia nada, não saia de lá porque era muito amado, pelo menos essa era a desculpa que tranqüilizava sua consciência.

Um dia como sempre fazia, acompanhava sua mãe até o mercado, voltando pra casa e a pedido dela – “não” era para trazer as compras -, claro, para despertar efeito contrário. Quando perceberam, já haviam sido abordados por um assaltante que gritava - Passa a bolsa moleque! Passa logo vai! - coitado, mesmo aterrorizado com a situação, mal sabia o assaltante que Carlos jamais o faria, ele a puxou mais pra junto de si e não parou de caminhar, obrigando o assaltante a continuar gritando - Fica parado e me dá logo essa bolsa! - pronto, agora foi a gota d’água, Carlos começou a correr desesperadamente até ser parado por três tiros secos de um assaltante que logo desapareceu.

Pouco tempo passou até a chegada dos curiosos, e Dona Carmen, mãe de Carlos, jogada no chão ao lado do corpo do filho que respirava com muita dificuldade. Ela chorava e pedia a todos ali de plantão, que chamassem socorro, pois seu filho estava mal. Num dado momento, Carlos começou a soltar uns ruídos estranhos que se confundiam entre a dificuldade de respirar e os gemidos de dor, Dona Carmen não se agüentou, começou suas orações e em prantos disse ao seu amado filho - Carlos, pelo amor de Deus, não morre. - mal lembrava Dona Carmen que logicamente, essas seriam as últimas palavras que ele ouviria.

Microconto #13


Quando disse para a família que iria ser prostituta, foi um choque. A mãe nunca imaginou que teria uma concorrente a altura.

Versão brasileira Herbert Richers


Sabe aquelas coisas que você ouve quando é criança que mesmo depois de adulto não sai mais da sua cabeça? Essa é uma delas. Estava vasculhando alguns anúncios e me deparei com este, que mesmo sendo recente foi responsável por recordações muito antigas. A produção é da Publicis Brasil e foi Shortlist em Cannes esse ano.
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Microconto #12


Era uma vez duas crianças, uma era bonita, asseada, educada, inteligente e pobre; a outra só era rica. A rica viveu feliz para sempre.

Microconto #11

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Sonho: ser jogador profissional. Partidas invictas: 103. Gols marcados: 348. Horas de treino diário: 6. Versão do Winning Eleven: 10.

As intermitências da morte - José Saramago

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Garanto que tinha milhares de letras a serem derramadas após essa leitura, tinha algumas ressalvas a serem feitas e algumas dúvidas que ficaram quanto ao emprego de gênero e pessoa utilizados por esse monstro da literatura mundial. Mas, não consegui falar nada quando terminei.

Fascinante como qualquer outra obra desse escritor, “As intermitências da morte” é mais um romance que também pode ser encarado em forma de crítica (como sempre) a sociedade e aos problemas gerados por uma cadeia de acontecimentos.

Saramago e suas “cartas cor de violeta”, ícone que identifica a morte no romance, fez-me lembrar de Stephen King em seu livro “Insônia”, onde Ralph Roberts, um velho recém enviuvado, passa a ver um fio de “luz” que sai da cabeça dos moradores da região, o fio indica a vida, que ao ser cortado leva seus donos para um mundo melhor (?).

O engraçado é como a morte é tratada por esses dois escritores, que de semelhante só têm a enorme quantidade de palavras que são soltas em suas obras.

Voltando novamente à leitura, a qual deu origem esse post, “As intermitências” é composta por uma história simples, um romance envolvente e agradável sem deixar de lado o humor de Saramago. Praticamente um livro escrito para explicar uma única frase, “No dia seguinte ninguém morreu.”

Microconto #10

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Estava cansada de altos e baixos, queria parar com essa instabilidade. Tomou uma decisão, demitiu-se do emprego de ascensorista.

Propaganda inspirando propaganda #4

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Mais um post da série. Esse na verdade era para ser uma inspiração tripla, três peças com o mesmo ideal de concepção. A primeira delas é um anúncio criado pela agência Jung von Matt da Alemanha para a Mercedes, esse saiu até na Archive, o conceito visual consiste em fotografias tiradas de baixo, focalizando os espaços que há entre os prédios e formando letras com esses respectivos espaços.
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O segundo foi criado pela agência Philipp und Keuntje de Hamburg também na Alemanha, esse para a Playboy, saiu no Ads of the World e segue o mesmo conceito visual.
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Mas quando disse três, eu tenho certeza de já ter visto algo semelhante, e se não estiver enganado, para uma outra marca de carro. Caso alguém conheça, pode falar aí nos comentários, será muito bem vindo. Até o próximo capítulo da série.

Microconto #9

Carla nunca se contentou com pouco, sempre foi faminta e compulsiva; uma insaciável. O médico só tinha uma certeza: - Era lombriga.

Resultado do Concurso 140 Letras

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Conforme comentado aqui sobre o concurso de microcontos que estava rolando no Twitter, esse post vem para divulgar o resultado.

Organizado pelo jornalista Roberto Moreno e pelo livreiro Anselmo "Bactéria" dos Santos, os ganhadores tiveram a apresentação de seus nomes e os respectivos contos nessa última sexta (10/10) no espaço Parlapatões, em São Paulo. Veja
aqui fotos do evento.
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Segue agora os vencedores:

Danilo Prates
"Chega. vou me embora. pra casa, pra nasa, pra onde a lava derreta a certeza que o nada persiste e a vida insiste em reter a minha sorte."

Carlos Margarido
"Eu sou o medo de escuro que existe no coração de cada criancinha."

Denis Pacheco
"Trocaram olhares no metrô. Telefones na escada rolante. Carícias no cinema. Beijos no motel. Ofensas no carro. Despedidas na esquina."

Parabéns a todos pela qualidade.

Microconto #8

Na cama sempre foram dois loucos apaixonados, eternos amantes. Até o marido dela descobrir.

Noitão HSBC Belas Artes

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Já estava para escrever sobre isso há um bom tempo. Gostaria de discutir com quem já freqüenta e indicar para quem ainda não conhece.

Esse programa cultural alternativo é realizado toda 2ª sexta-feira de cada mês. São vendidos ingressos por R$ 18,00 (R$ 9,00 para estudantes) que dão direito a exibição de 3 filmes durante a noite. Dentro do mesmo valor ainda está incluso o sorteio de brindes que ocorrem nos intervalos de cada sessão, que são aproximadamente de 20 a 30 min. Ao final da noite (ou início do dia) é distribuído um café da manhã (também incluso no ingresso). Os filmes começam a ser projetados às 0h e seu término varia de acordo com o período total de duração.

Toda sexta-feira de exibição é escolhido um tema no qual gira o assunto tratado nos 3 filmes. Dois deles são de conhecimento geral e o terceiro é denominado filme “surpresa”, o qual só é revelado na hora da projeção.

O HSBC Belas Artes fica localizado na Rua da Consolação, 2.423 (esquina com a Av. Paulista). Pertence atualmente a distribuidora Pandora Filmes e a produtora O2 Filmes, com patrocínio através de Naming Rights do HSBC (dã), que financiou a última grande reforma em 2004. O cinema conta com 6 salas e cada uma leva o nome de uma personalidade brasileira: Villa-Lobos, Candido Portinari, Oscar Niemeyer, Aleijadinho, Mario de Andrade e Carmen Miranda.

Fica aqui uma ótima dica de programação. Quem quiser saber mais é só acessar o site ou até mesmo a comunidade no orkut, local que inclusive dá pra saber um pouco sobre as opiniões de quem freqüenta e um pouco também sobre os filmes de cada noite. Mas quem já é “Noitero”, pode deixar um comentário aí, quem sabe a gente não se vê por lá.

Microconto #7

Vi que estava perdido quando achei a chave, que tinha perdido no casaco, que tinha perdido no carro, que tinha perdido onde me perdi.

Informação

Repito mais uma vez.

Bons textos, não necessariamente precisam estar escritos. Não necessariamente precisam estar impressos em papéis que o tempo fará questão de destruir.

Podem sim, estar gravados em nossas mentes, presos em nossas línguas, ou simplesmente, ditados em um bom comercial. Aqui vai mais um exemplo de redação falada.

Segue uma criação da F/Nazca para o jornal O Globo. Que além de boa narrativa, traz um reflexo do atual momento que a informação passa. Mudanças interativas.
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Microconto #6

Fazia planos de escrever o menor conto erótico do mundo. Foi fácil, falou sobre uma mulher virgem em um cara precoce.

Microconto #5

Escreveu uma Música, gravou um CD, Clip, fez Show, Turnê no exterior e nas primeiras férias curtindo o sucesso, morreu de overdose.

Começando a odiar PC

Mexi a minha vida (quase) inteira em PC e de uns tempos pra cá venho me aventurando em MAC, mas se tem uma coisa que até hoje eu não entendi nos softwares do tio Bill é aquela bendita mensagem de "Relatório de Erro". Pra que serve essa merda? Que deu erro eu sei, por que não aparece um "Relatório de Soluções", pelo amor de Deus.

Microconto #4

Menina prendada, educada, crescida, namorada, casada, traída, mal amada, largada, deprimida, e de tanto dá, acabou esquecida.

Cheiro é igual a piada do gosto, cada um tem o seu

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Cada pessoa gosta de um perfume diferente, justamente por que cada um gosta de suas particularidades. Uns preferem algo mais amadeirado enquanto outros preferem algo mais cítrico, tem até gente que gosta de perfume doce (sinceramente eu nunca ouvi dizer que o cheiro tem gosto, mas tudo bem).

Todos falam em O Boticário, Avon, Natura e outras, mas até agora aqui no Brasil, a única empresa que se especializou nesse serviço e atende os clientes com seus gostos variados, é a Essenza Reale
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A Essenza comercializa perfumes normalmente, mas em uma área Sob Medida
permite aos clientes criarem um aroma exclusivo, através de um questionário que abrange temas como, suas características, tipo de pele, cabelo, memórias olfativas e seu jeito de ser.

O perfumista cria a fragrância através da mistura de famílias olfativas, e o mais legal, é que depois disso o perfume é registrado na ANVISA com o seu nome e só você poderá ter acesso à combinação. Genial. Será que sai caro para eu comprar o meu próprio cheiro?

Microconto #3

Acreditava em bicho papão, loira do banheiro, velho do saco, lobisomem, saci, duende e ET. Mas, promessa eleitoral, aí já era demais.

Considerações sobre algumas fotos

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Ormond Gigli – Freiras
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São Paulo, um dia de setembro de 2008, um horário da tarde que eu não vou lembrar qual era; havia esquecido o relógio.

Local, MAC
(Museu de Arte Contemporânea). 3º andar do prédio da Bienal. Zona Sul de São Paulo.

Após uma sucessão de rampas paralelamente opostas, foi possível chegar ao destino previamente planejado.

Exposição, Fotógrafos da Vida Moderna. Uma sala ampla, com iluminação um tanto quanto baixa, paredes escuras e fileiras intermináveis com mais de 150 fotografias, sequencialmente penduradas em molduras protegidas por placas de vidro.

O espaço não era dedicado exclusivamente a um único fotógrafo, uma reunião de trabalhos e autores das mais variadas localidades, preenchia os espaços disponíveis nas paredes do salão. Os trabalhos variavam também em suas épocas, iam desde a década de 20 até a de 50.

Percorrendo o salão, era impossível não reparar em alguns balcões centrais que traziam, não só mais fotografias, como livros, documentos e revistas da época. Revistas que por vezes até faziam parte de alguns dos trabalhos em exposição. Como era o caso da foto de Getúlio Vargas com o crucifixo em “mãos”. Fora os stands centrais, uma TV instalada no local transmitia imagens relacionadas.

Deixando de lado o insuportável som que pessoas mal informadas produziam com conversas bilaterais, nada mais podia ser ouvido na exposição, que com simples imagens conseguia transmitir histórias e essências.

Desculpem-me os artistas, mas meu pouco conhecimento fotográfico não me permitia saber que gelatina e prata era uma técnica fotográfica, mas era isso mesmo que registravam os painéis.

As fotografias apresentadas nessa exposição, mais do que contar registros de uma época, mostram uma renovação da arte, da cultura e da imaginação, que a cada tempo se faz presente entre nós com suas técnicas, criando e recriando símbolos.

Saí de lá quase do mesmo jeito que entrei, tinha sim um novo olhar sobre o mundo, as coisas, as pessoas e as formas, mas, continuava não sabendo que horas eram.

Microconto #2

Aprendeu várias coisas na vida. Que quando casar não sara; rato não come só queijo; coelho não bota ovo e de cego o amor não tem nada.

Blogar é difícil?

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Se você acha que sim é porque ainda não conhece esse Blog.

Em uma iniciativa um tanto quanto ousado e inovadora, as Casas André Luiz colocaram no ar o blog Nossos Poetas, dedicado a contar histórias e biografias daqueles que sofrem de algum tipo de deficiência.

Se fosse só isso, já seria novidade, mas não é. O blog, mais do que criar uma ponte com o mundo, serve para divulgar os textos e poesias escritos pelos pacientes. Isso mesmo, eles ESCREVEM seus próprios textos. E os que são privados de algum tipo de locomoção, fazem-nos por meio de um sistema conhecido como Bliss de Comunicação Alternativa
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Uma lição de vida, uma injeção de ânimo e um tapa na preguiça fala a verdade.

E você? Ainda acha difícil Blogar?

Microconto #1

Nasceu, alimentou-se, cresceu, reproduziu-se e morreu. Tudo isso em apenas 2 dias. Poucos sabem, mas vida de mosca é curta assim mesmo.

Twitter, pra quê?

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Era essa minha mente quando fiquei sabendo sobre o Twitter, mais uma ferramenta de rede social conhecida como microblogging. No começo eu não mexia (tá, tudo bem, confesso, não sabia o que era), mas que depois por curiosidade passei a fuçar.

Gosto de escrever, mas muitas vezes não só por falta de tempo, acho que a objetividade é importantíssima. Pra quem não conhece, lá, o usuário se comunica escrevendo um texto dentro de um espaço amostral de 140 caracteres. Incluir links, falar sobre o dia, o tempo, a internet, a vida, o mundo, a blogosfera, as tendências, qualquer coisa que caiba nesse espaço, é como parafrasear Voltaire, filósofo francês, "Escrever é a arte de cortar palavras." (genial como exercício para quem busca ser sucinto).

Recentemente tomei conhecimento pelo próprio Twitter, sobre um concurso de micro contos. Escrever algo interessante, engraçado, sem ou com sentido, sei lá, qualquer coisa, mas que caiba em 140 caracteres. Bem, na verdade não são exatamente 140, pois no Twitter existem as tags de busca, e para participar do concurso era necessária a inclusão da tag #140, o que já diminuía seu espaço para 136 caracteres, e se você for metódico como eu, vai dar um espaço depois da tag e vão te restar assim, somente 135.

A graça toda foi começar a escrever e descobrir que viraria um hobby. Gostei da idéia, e seguindo o momento, como o concurso já acabou, será criada a partir de agora uma nova categoria aqui no PENATES, "Microcontos". Continuarei utilizando a temática de 135 (140) caracteres. Vou republicar os que já foram feitos para o concurso e assim que os inéditos chegarem, publicarei-os simultaneamente no Twitter
também, identificados pela tag #mc.

Então é isso, espero que gostem e “sigam-me os bons”.

AHHHHHHH

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Salvador Dalí
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Desculpem mas precisava gritar. Esse é mais um corriqueiro momento vivido após acompanhar mais uma das obras do “Dalí” do cinema. Conhecido por uma minoria, acompanhado por poucos e entendido por quase ninguém, esse é
David Lynch. Tive a coragem novamente de encarar mais um de seus devaneios cinematográficos. Sei que vou parecer um masoquista mental, mas gosto dele.

Império dos Sonhos” seu último trabalho, rodado em 2006 (demorei para ver pois preciso de tempo e calma para assistir aos seus filmes), com 3 horas quase exatas de duração, o filme é uma teia de verdades, ilusões, sonhos, lembranças, loucuras e dúvidas que é montada e desmontada na nossa frente. Nikki Grace, a protagonista da obra surreal, vive (ou sonha, como queiram) uma atriz apaixonada, que ganha o papel para estrelar um remake. O problema é que o filme original nunca foi concluído devido à morte dos atores. A partir de então, Nikki passa a revezar entre sua vida real e Susan Blue, o papel que conquistou.

A trama, como já é comum de Lynch, vai abrindo leques e leques de rumos e idéias desconexas, que vezes por outra acabam interligando-se por pequenos detalhes que aparecem em cena. Entre passeios da vida real para o filme e do filme para a vida real, o diretor me faz lembrar (só lembrar) “A Rosa Púrpura do Cairo” de Allen. Já entre as confusões de personalidade de Nikki e Sue me faz lembrar (só lembrar também) o ótimo trabalho de Eduardo Coutinho, “
Jogo de Cena”. Quem diz que tudo na vida tem explicação, é porque ainda não assistiu a um dos clássicos de Lynch, onde na maioria das vezes a arte imita a vida, os sonhos, os pesadelos, as loucuras, enfim, imita tudo.

Nesse trabalho, David é responsável pela direção, roteiro, fotografia, montagem e produção, óbvio, quem mais poderia entender suas belas e artísticas loucuras. O filme não tinha um roteiro pré-formulado, foi sendo escrito e filmado ao mesmo tempo, tanto que nas primeiras cenas, Lynch nem tinha a intenção de rodar um longa. Pronto, falei, não venho recomendar para ninguém, o que precisava mesmo era desabafar. Ufa.

Gravação do Vitrine - TV Cultura

Segunda passada (15/09), participamos eu, Liliane Ferrari, Tiago Doria e Roberto Moreno, da gravação de uma reportagem especial sobre o concurso de Microcontos do Twitter, promovido pelo 140 Letras. Dois participantes, jurado e idealizador respectivamente.

A reportagem foi feita para o programa Vitrine da TV Cultura, que conta com exibição nacional. É transmitido todo sábado às 19h30 com reprise na madrugada de terça pra quarta à 01h. As fotos são créditos do Doria e do Moreno.
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A gravação foi feita no apartamento do Moreno e contou com ótimas broas e muito suco. Tive também o prazer de conhecer pessoalmente essa galera que é gente finíssima. Não sei se a reportagem vai pro ar já nesse sábado, mas aguardaremos notícias. Só espero que não fique só com 140 segundos.