Microconto #503

Produzir literatura e depois reproduzir.
Foi assim, com uma ambiguidade inocente no texto,
que a gente acabou indo além das palavras.

Microconto #502

Ilusoriamente acompanhado,
consigo ouvir um monólogo de dupla personalidade,
apaixonado,
platônicamente,
por mim mesmo.

Microconto #501

Bateu na mesa o copo, com uma dose de consolo e duas pedras de gelo.
O bar vazio replicou o eco do descaso alheio.

Microconto #500

Abraçados na sala,
sentiram músicas,
cantaram sonhos,
uniram mentes e
passaram o resto da noite confundindo sentidos.

Microconto #499

Deixou a barba crescer,
colocou 2 quilos de pólvora embaixo do casaco
e saiu por aí a subtrair futuros.

Microconto #498

A banda passa.
Na janela Maria sorri.
Não é sempre que um som diferente do choro dos filhos abafa o ronco da fome.

Microconto #497

As árvores choram folhas enquanto o céu não desmolha.
Com sede depois da estação do Sol,
resta só a caatinga e uma família.

Microconto #496

Num impulso literário, o microcontista desatou a escrever, e, passando da primeira linha, achou mesmo que não fosse mais parar.

Microconto #495

Aumentou a música favorita, abaixou pra tirar o sapato e antes de voltar a atenção pra estrada, conseguiu ouvir o refrão pela última vez.