Microconto #534

A chuva leva as roupas, os móveis e o carro.
Lava de lama, o quarto, o quintal e a rua.
Resta apenas dúvida, tristeza e mais chuva.

Microconto #533

Abraçada ao filho, chorou até não ter mais lágrimas.
Os olhos secaram depois de um tempo, assim como o remorso do assassinato.

Microconto #532

Tragando problemas,
o homem com perfume de nicotina,
acabou com o cigarro.
E vice versa.

Microconto #531

Afrodite ficou conhecida como “Deusa do Amor”.
Dava na rua tudo o que eles não tinham em casa.

Microconto #530

Perdeu as lembranças da infância dentro da velha caixa de brinquedos.

Microconto #529

Em visita a Casa Mal Assombrada, mais turistas entravam do que saíam.

Microconto #528

Subia e descia o morro fazendo a alegria da molecada.
Em cima distribuía doce,
embaixo ganhava bala.

Microconto #527

Cruzei com ela na frente de um boteco, ali na Floriano Peixoto.
Nunca tinha me apaixonado antes.
O engraçado foi que o perfume dela se perdeu em meio ao cheiro do óleo de coxinha.
Até hoje choro toda vez que entro num bar.

Microconto #526

No canteiro central, uma senhora de aproximadamente 70 anos, segura com cuidado seu Yorkshire e espera, pacientemente, já que a velocidade dos carros ainda é baixa demais.