Infeliz ano novo

Quando chega o final de ano, nós sempre refletimos sobre os 365 dias que passaram, sobre o que foi feito e o que foi desfeito, o que foi conquistado e o que foi perdido, o que foi visto e o que ficou para o próximo ano.

Não vou crucificar você, caro leitor, que deixou de fazer um monte de coisas, que esqueceu diversas promessas e que principalmente, esqueceu de você mesmo. A mania medíocre de dizer que o arrependimento é fruto do feito duvidoso de uma ação, é realmente medíocre, nada mais.

Nunca se arrependa de ter ou não ter feito algo, apenas faça quando achar que é válido, não repense e não se martirize. O que vai acontecer já está programado. Não faça promessas para o ano que entra. Não faça planos ao seu coração, ao seu bolso e a sua família.

Curta, viva e foda-se. Não conte um ano como mais 365 dias, conte sim, o seu dia como mais 24 horas. Assim mesmo, um de cada vez. Faça um dia diferente do outro mesmo que todos sejam iguais, você pode. O dia é seu.

Só não entre mais um ano pensando como será o final, pensando como vai passar rápido ou pior, já se preocupando com o que você não terá feito quando ele acabar. Lembre-se, preocupe-se com os dias, um a um. Viva para que eles não caiam na rotina. É ela a malfeitora que destroe os anos velhos.

Queime depois de Ler

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Poderia falar sobre o fracasso de “Hancock”, que é a exaltação de mais uma produção americana, cheia clichês e estereótipos cinematográficos. Poderia falar do oposto em qualidade, como “O sonho de Cassandra” ou “Match Point”, ambos, trabalhos recentes do mestre Woody Allen. Poderia falar do básico, porém, bom, "Antes que o Diabo saiba que você está morto" ou escrever sobre “Cem anos de solidão” (mas vou deixar pra quando terminar o livro), só que, prefiro relatar outra coisa.

Queime depois de Ler”, o mais novo trabalho dos irmãos Coen, traz um elenco interessante, não pelos atores, mas por seus papéis. John Malkovich, mesmo com uma bela representação, não consegue abafar Brad Pitt e George Clooney. A dupla “queridinha”, apesar de não estar como protagonistas exclusivos do longa, conseguem roubar as cenas.

Pitt como Chad, um professor de academia excêntrico e agitado, mas que chama a atenção pela representação cômica que proporciona, e Clooney como Harry, um agente com mania de perseguição, ambos dão ao filme uma ótima qualidade cênica.

Sem historinhas comuns e com um roteiro engraçado, “Queime depois de Ler” vale a pena por sua desconexão de fatos. Acontecimentos e mais acontecimentos vão criando uma lógica ilógica, envolvente nos aproximadamente 90 minutos de filme. Eu sei que não é costume recomendar produções comerciais, mas é que algumas se salvam. Próxima chance aos filmes comerciais, “Rede de mentiras”, espero que não precise queimar depois de assistir.

Momento éDuka #7

Hedonista: aquele que procura o prazer individual e imediato, somente se plenifica por meio de sua extensão para o maior número possível de pessoas.

Traduzindo: Os hedonistas são seres precoces que gostam de se masturbar em público.

Microconto #35

Colecionava coisas antigas há muito tempo. Dentro do coração por exemplo, levava um amor que nunca foi correspondido.

Propaganda segmentada

Eu entendo e você? Ou, você entende e eu? Essa é uma das principais dificuldades de se criar um anúncio, um vídeo, sei lá, qualquer idéia que necessite de um repertório muito específico.

Você não atinge o público pretendido, não tem o retorno esperado dos seus investimentos e consequentemente, não tem um feedback sobre o alcance da mensagem, a não ser é claro, que a idéia seja realmente para um público específico, aí não vejo nenhum problema. Em contrapartida, existem as campanhas que já são feitas pra falar com todo mundo.

Quer um exemplo de propaganda multicultural? Pegue a maioria dos comerciais da Coca-Cola, principalmente aqueles que são gringos e passam por dublagens (meia boca muitas vezes). Devido em grande parte a um alinhamento global de marca com determinada agência ou grupo, os comerciais são produzidos para circularem o mundo e necessitam falar com todos.

Já se o público é restrito como citado acima, algumas idéias se encaixam bem, como é o caso dos vídeos abaixo. O primeiro criado pela Leo Burnett para o Jornal da Tarde, veiculado em São Paulo. O segundo criado pela Lew,Lara (antes ainda da fusão com TBWA) para a Instituição Nossa São Paulo a fim de divulgar o Dia Mundial Sem Carro. Ambos usam como referência o “Cara do Carro Amarelo”, um ícone bem conhecido da cidade de São Paulo.
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Ah, olha eu segmentando o post, se você não conhece o “Cara do Carro Amarelo”, leia
aqui um texto bem legal.

Microconto #34

“Boas coisas vêm para quem espera”. Aos 78 anos ele desligou a televisão e resmungou solitário – Comerciais mentirosos de uma figa.

Resultado Prêmio Gol - Mídia on Board

Em setembro divulguei aqui o Prêmio Mídia on Board da Gol Linhas Aéreas.

Com categorias para profissionais e estudantes, o prêmio consistia na utilização dos espaços das aeronaves como exploração de mídia.

Trago agora o resultado divulgado na semana passada. Quem levou o prêmio na categoria Jovens Talentos foi Henrique Martins, com um trabalho desenvolvido para o Limpou. Ele fez uso das janelas para passar o conceito do produto.
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Entre os profissionais, as categorias foram: Adesivos, Merchandising e Promoção. O destaque ficou com a peça desenvolvida por Manu Mazzaro, que explorou as bandejas para fomentar o turismo a Aruba.
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Manu, que é assistente de arte e parceiro aqui na Lew’Lara/TBWA, criou a peça com seu ex-dupla, Felipe Cirino. Além do ouro na categoria Adesivos, os dois levaram o Grand Prix e com ele uma viagem para Fernando de Noronha.

Para saber mais detalhes e conferir os demais ganhadores, acesse
aqui o site do prêmio.

Microconto #33

Estava cansado de promessas mentirosas nessa época. Ano novo, vida nova é a puta que pariu.

Propaganda auto-sustentável

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Está ficando cada vez mais comum nos depararmos com ações que inovam em suas formas, que inovam em seus conteúdos ou que simplesmente inovam (ainda bem). Isso não é mais nenhuma surpresa pra quem acompanha o mercado publicitário e suas tendências.

Mas para quem não acompanha, vamos deixar um pouco mais clara essa real situação, afinal, é exatamente pra isso que estamos aqui, pra falar de tudo um pouco.

Vamos a três exemplos rápidos:

Essa ação da
DOVE na Alemanha, brinca com os sentidos e com certeza afeta um ponto muito fraco no ser humano, o olfato. Instalando reprodutores em salas de cinemas as quais puderam aromatizar o ambiente com um "cheirinho bom de DOVE" durante a apresentação do comercial da marca.

Essa da
MTV, bem mais recente, feita pela LODUCCA. Foge do comum e brinca novamente com os sentidos (dessa vez o mais fraco em mim), o paladar. Um anúncio criado para promover a sustentabilidade, foi feito justamente para não ser jogado fora, e sim, para ser comido.

Essa no caso já não é uma inovação de conteúdo, mas sim de forma. Como disse o
Rafael Amaral, a empresa Quividi de Londres, está utilizando técnicas que podem definir quem está olhado para o anúncio (ainda em mídia externa), suas características de sexo e idade aproximada. Fazendo assim com que seja possível cada pessoa ver um tipo de anúncio específico, mais ou menos como aqui no filme Minority Report, ou como esse vídeo da Oblong onde a vida imita a arte (ou será o contrário, já me confundi a essa altura).

Enfim, tecnologia,
neuromarketing, portabilidade, interatividade, anúncios sensitivos, comestíveis, mutáveis, mutantes, uhuuu, viva essa geração!

Microconto #32

- Feliz Natal disse o diretor. Todos se abraçaram, brindaram e voltaram ao trabalho. Era um ano de crise.

Microconto #31

Queria fazer dinheiro nas desgraças alheias. “Depois da tempestade vem a bonança”, dizia a fachada da sua loja de rodos.

Resultado Promoção 1º ano do PENATES

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Essa é a capa da mais recente publicação da Edições AG, uma instituição que realiza periodicamente o Concurso Internacional Literário. Que por coincidência (coincidência nada, tudo planejado) é o prêmio que acaba de ser concedido a Iasnara Amorim, vencedora da Promoção 1º ano do PENATES (o sorteio foi realizado dia 07/12 às 02h30 e tenho minha família como álibi).

O livro “Casa lembrada, Casa perdida”, é uma seleção dos melhores Contos, Crônicas e Poesias que participaram do XXV Concurso. E é com muita satisfação que gostaria de comunicar a todos, que o livro traz
duas Crônicas minhas.

Gostaria de parabenizar a Iasnara e agradecer a participação de todos, principalmente aos que tiveram coragem de ganhar um presente suspeito. Para mais informações a respeito do livro, clique
aqui, e saibam que da próxima vez o presente pode não ser tão bom (hehe).

Microconto #30

Bateu uma, duas, três vezes, mas ninguém atendeu. O destino lhe fechou as portas e nunca mais abriu.

Microconto #29

Amor intenso. Ela gostava de apanhar e ele, de bater. Ela gostava de sangrar, mas quando viu que ela já estava morta perdeu a graça.

Microconto #28

Aninha achava que a felicidade estava nos pequenos prazeres, até ser picada por uma abelha. Levou a vida como uma mulher frígida.

Um tempo nas grandes marcas

Nada de novo logo da Pepsi, Apple maníacos, Coca-Cola viciados ou loucos “Nintendísticos”. O que quero mostrar pra vocês é uma outra marca bem menos conhecida (bem mesmo).

Estava eu navegando e buscando referências para um colega diretor de arte, quando me deparei com isso. Nada de muita frescura, nada de cores marcantes e muito menos de arabescos. Um logo simples, objetivo e muito engraçado.

Gostaria de dividir a experiência com vocês e saber o que acharam. Será que deveríamos ter mais coisas assim, ou é bizarrice demais?
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Tirando um rato da cartola

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Sou daqueles que ainda acha que as animações servem mais de referência pelo trabalho gráfico do que pelo entretenimento. Mais nada, e ponto. Tanto é que eu já havia começado este post, e ia falar sobre “O grande truque”, filme dirigido por Christopher Nolan (o mesmo da nova produção de Batman), e que coincidentemente (?) trabalha com os atores Christian Bale e Michael Caine (também do mesmo filme).

O filme é uma obra muito bem executada (se me permite o trocadilho com a mágica) do ponto de vista do espetáculo. A promessa, a virada, o truque final e todos os elementos que envolvem o momento. Uma mágica, e aqui falo como um amante da arte, mesmo sendo um péssimo executor, necessita mais do que a qualidade de quem a faz, uma mágica (ou efeito para os amantes), necessita do encanto de quem assiste, e sua vontade (inconsciente) de ser enganado.

O filme é recheado de viradas, com diálogos até que interessantes e uma fotografia muito boa, mas a melhor parte fica atrás dos palcos (ou embaixo deles, como preferir); como tudo ocorre, como a necessidade de manutenção da arte e a propagação fazem dela um mercado vingativo e mal. O filme vale pelo seu roteiro e pelo enredo, principalmente pra quem gosta da magia da mágica (repetição proposital).

Contudo, como disse no começo, essa parte estava pronta pra sair, mas fui inventar de assistir uma tal animação, recomendada. “Ratatouille”. Um desenho-filme (ou filme-desenho, sei lá), muito bem feito através da parceria Disney/Pixar. Conta a história de um rato francês (Remy), apaixonado pela culinária. Com um desenrolar bem produzido, o desenho-filme conquista pela simplicidade e pelo carinho com que os produtores levaram a trama.
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Mas pra mim, o que rouba a cena não é nenhuma das belas seqüências, nem toda a verba usada nem o mega-trabalho investido, e sim, sua mensagem principal. Anton Ego, personagem que representa um crítico famoso de restaurantes, aos meus olhos é essa mensagem. Ego, dá o toque e o charme especial que a história precisa. Em uma de suas falas deixa claro o papel do desenho, que como eu já sabia, não é entreter, mas infelizmente (ou felizmente) também não é só uma animação. Esta é apenas uma frase que compoe uma crítica final que é um show a parte:

nem todo mundo pode ser artista, mas um artista pode vir de qualquer lugar

E dessa forma diremos sempre - viva a manutenção do encanto em nossos corações, seja ela magicamente gostosa ou gostosamente mágica.