Microconto #359
Foi naquele diário perdido, que me achei perdidamente em palavras achadas de paixões perdidas.
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Microcontos
Microconto #358
Os pés,
a beira da plataforma vazia,
esperavam o trem.
A estação era a certa,
o horário era o certo,
mas o coração a enganara de novo.
a beira da plataforma vazia,
esperavam o trem.
A estação era a certa,
o horário era o certo,
mas o coração a enganara de novo.
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Microcontos
Microconto #357
A rotina se afastava da infância com o mesmo arrependimento que se aproximava da velhice.
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Microcontos
Microconto #356
Junto lembranças, pedaços de saudade e momentos mofados.
E assim, em livre associação, acabo me prendendo mais em ti.
E assim, em livre associação, acabo me prendendo mais em ti.
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Microcontos
Das duas uma
Ontem foi meu aniversário.
Só que eu não costumo comemorar. Os motivos são dois. E nem um deles é por causa daquela frescura de ficar mais velho. Até gosto, pra falar a verdade. Esse negócio de ficar protelando a vida não é comigo. Acho que a gente veio no mundo pra cumprir uma missão. Mas assim mesmo, uma só. Nada de ficar resolvendo um monte de coisa, realizando um monte de sonhos e blá blá blá.
Tenho pra mim que a gente vem pra cá com uma programação feita. Num determinado momento da vida vamos realizar aquilo que já estava no script do destino e pronto. Podemos ir.
Meu tio, por exemplo, era um cara chato pra cacete. Típico ranzinza. Passou a vida inteira brigando com todo mundo. No dia da sua morte, na cama, mal, quase sem ar, a única coisa que ele conseguiu fazer, foi pedir desculpa a quem estava presente. Acho que essa era a missão dele, reconhecer que veio aqui pra ser um cara chato.
Meu vizinho, por um outro exemplo, morreu num acidente de carro. Um Palio, quatro pessoas, três voltas no ar e só ele foi embora. Por sinal, o único que tava com cinto. 25 segundos antes, o Pedro, que tava dirigindo, colocou um CD e disse pro Rafa, meu vizinho, cara, tu vai ouvir uma banda que nunca ouviu na vida. Acho que essa era a missão do Rafa.
Parece piada né? Mas não é não. É isso que eu penso. Só não tenho culpa se as missões é que são estranhas. Isso aí eu não parei pra analisar ainda.
Mas então, ontem foi meu aniversário.
Acordei bem. Cocei o saco por cima da cueca. Olhei no espelho do banheiro, lavei mal a cara e desci. Na geladeira tinha um bilhete da Ana:
A coisa mais importante na história mesquinha da humanidade é que não pararam de fazer arte antes de você nascer.
Que esse dia tenha sido marcante na sua vida como sua vida é marcante nos meus dias.
Parabéns Dani.
Gosto muito da Ana. A gente conseguiu bastante coisa antes de morar junto. O carro, apesar de amassado, foi eu que trouxe pra cá. A TV, que só pega nos canais da novela, por coincidência, foi ela que trouxe. O Fred não, ninguém trouxe, apareceu na rua sozinho. A Ana comprou coleira, ração e disse que ele ficava só até aprender se virar sozinho. Já até esqueci quando foi isso.
Engraçado, lembrei de tudo isso muito rápido. As coisas vieram na minha cabeça com uma pitada estranha de saudade. Até agora ainda tô surpreso com o bilhete da Ana. Quatro anos de namoro e ela nunca escreveu alguma coisa pra mim. E óbvio que eu também nunca li nada dela. Quando vi a mensagem, meus olhos molharam. Por um momento preferi não tentar adivinhar de qual de nós dois seria a missão.
Só que eu não costumo comemorar. Os motivos são dois. E nem um deles é por causa daquela frescura de ficar mais velho. Até gosto, pra falar a verdade. Esse negócio de ficar protelando a vida não é comigo. Acho que a gente veio no mundo pra cumprir uma missão. Mas assim mesmo, uma só. Nada de ficar resolvendo um monte de coisa, realizando um monte de sonhos e blá blá blá.
Tenho pra mim que a gente vem pra cá com uma programação feita. Num determinado momento da vida vamos realizar aquilo que já estava no script do destino e pronto. Podemos ir.
Meu tio, por exemplo, era um cara chato pra cacete. Típico ranzinza. Passou a vida inteira brigando com todo mundo. No dia da sua morte, na cama, mal, quase sem ar, a única coisa que ele conseguiu fazer, foi pedir desculpa a quem estava presente. Acho que essa era a missão dele, reconhecer que veio aqui pra ser um cara chato.
Meu vizinho, por um outro exemplo, morreu num acidente de carro. Um Palio, quatro pessoas, três voltas no ar e só ele foi embora. Por sinal, o único que tava com cinto. 25 segundos antes, o Pedro, que tava dirigindo, colocou um CD e disse pro Rafa, meu vizinho, cara, tu vai ouvir uma banda que nunca ouviu na vida. Acho que essa era a missão do Rafa.
Parece piada né? Mas não é não. É isso que eu penso. Só não tenho culpa se as missões é que são estranhas. Isso aí eu não parei pra analisar ainda.
Mas então, ontem foi meu aniversário.
Acordei bem. Cocei o saco por cima da cueca. Olhei no espelho do banheiro, lavei mal a cara e desci. Na geladeira tinha um bilhete da Ana:
A coisa mais importante na história mesquinha da humanidade é que não pararam de fazer arte antes de você nascer.
Que esse dia tenha sido marcante na sua vida como sua vida é marcante nos meus dias.
Parabéns Dani.
Gosto muito da Ana. A gente conseguiu bastante coisa antes de morar junto. O carro, apesar de amassado, foi eu que trouxe pra cá. A TV, que só pega nos canais da novela, por coincidência, foi ela que trouxe. O Fred não, ninguém trouxe, apareceu na rua sozinho. A Ana comprou coleira, ração e disse que ele ficava só até aprender se virar sozinho. Já até esqueci quando foi isso.
Engraçado, lembrei de tudo isso muito rápido. As coisas vieram na minha cabeça com uma pitada estranha de saudade. Até agora ainda tô surpreso com o bilhete da Ana. Quatro anos de namoro e ela nunca escreveu alguma coisa pra mim. E óbvio que eu também nunca li nada dela. Quando vi a mensagem, meus olhos molharam. Por um momento preferi não tentar adivinhar de qual de nós dois seria a missão.
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Crônicas e Contos
Microconto #355
Em frente uma vitrine das Casas Bahia, Lucival observava parado, numa TV LG de 50 polegadas, seu sonho passar calado.
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Microcontos
Microconto #354
Vi você de costas, boina e casaco, esperando um sonho.
Beijei sem ver o rosto e mesmo assim tinha certeza que a felicidade era a sua.
Beijei sem ver o rosto e mesmo assim tinha certeza que a felicidade era a sua.
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Microcontos
Microconto #353
E um dia nasceu a mais bela das belas que até Narciso virou o pescoço para acompanhar seus passos.
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Microcontos
Microconto #352
Das coisas que tenho saudade da infância, meninices, pequenices e idiotices não chegam nem perto das tetas da prima Neusa.
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Microcontos
Microconto #351
O jardim não é o mesmo de quando cheguei.
Você não é a mesma.
Eu não sou o mesmo.
O mundo não,
esse ainda tá cheio de más igualdades.
Você não é a mesma.
Eu não sou o mesmo.
O mundo não,
esse ainda tá cheio de más igualdades.
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Microcontos
Microconto #350
Caio no jardim.
Adormeço, sonho flores e não vejo a esperança ir embora com a abdução do orvalho.
Adormeço, sonho flores e não vejo a esperança ir embora com a abdução do orvalho.
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Microcontos
Algumas coisas que penso quando você reclama da unha
Eu sei que minha atenção monossilábica não resolve seu problema.
Sei que minha falta de correspondência nos olhares também não resolve.
Que fazer de conta que tô ouvindo e entendendo tudo, não cola mais.
Sei ainda, que aquele tapinha frio e seco na sua perna não serve mais de consolo.
Que falar bem da comida requentada, não resolve o fato der ter esquecido de elogiar ontem.
Que parabéns no dia seguinte ao aniversário de namoro, casamento, primeiro beijo, primeira transa, primeiro filme ou qualquer outro primeiro que você adora comemorar, não vai consertar a situação.
Dizer que gosto do seu pai não ajuda você esquecer que odeio sua mãe.
Que dizer não quero um filho agora, não é a mesma coisa que recusar um sorvete.
Que mesmo quando não quero parar na frente da loja de sapatos é melhor não dizer.
Que mesmo quando você exagera na roupa, seja pra menos ou pra mais, também é melhor não dizer.
Que nossa noção de horário é inversamente proporcional.
Que nosso sentido de amor é ironicamente hormonal.
Que nossa transa não é nada mais que carnal.
Que como seus beijos eu já tive igual.
Que nosso caso não tá mais normal.
Que seu ciúmes me faz mal.
Mal mesmo, muito mal.
E, se ainda assim, não deu pra perceber, desculpa, mas, essa atenção é tudo que eu tenho pra dar enquanto você me irrita por causa dessa porra de unha quebrada.
Sei que minha falta de correspondência nos olhares também não resolve.
Que fazer de conta que tô ouvindo e entendendo tudo, não cola mais.
Sei ainda, que aquele tapinha frio e seco na sua perna não serve mais de consolo.
Que falar bem da comida requentada, não resolve o fato der ter esquecido de elogiar ontem.
Que parabéns no dia seguinte ao aniversário de namoro, casamento, primeiro beijo, primeira transa, primeiro filme ou qualquer outro primeiro que você adora comemorar, não vai consertar a situação.
Dizer que gosto do seu pai não ajuda você esquecer que odeio sua mãe.
Que dizer não quero um filho agora, não é a mesma coisa que recusar um sorvete.
Que mesmo quando não quero parar na frente da loja de sapatos é melhor não dizer.
Que mesmo quando você exagera na roupa, seja pra menos ou pra mais, também é melhor não dizer.
Que nossa noção de horário é inversamente proporcional.
Que nosso sentido de amor é ironicamente hormonal.
Que nossa transa não é nada mais que carnal.
Que como seus beijos eu já tive igual.
Que nosso caso não tá mais normal.
Que seu ciúmes me faz mal.
Mal mesmo, muito mal.
E, se ainda assim, não deu pra perceber, desculpa, mas, essa atenção é tudo que eu tenho pra dar enquanto você me irrita por causa dessa porra de unha quebrada.
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Crônicas e Contos
Microconto #349
Escreveu torto por linhas certas.
Aos 82 anos, nem deus dava mais jeito na analfabeta.
Aos 82 anos, nem deus dava mais jeito na analfabeta.
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Microcontos
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