Quantas vezes você já disse que ficar longe de uma mulher fez você ficar mais perto dela?

Apesar da minha mãe ser uma pessoa mais calada, a gente tinha uma boa relação quando eu era pequeno. Por ser assim, quieta, era como se ela conversasse pra dentro, remoendo sozinha, as histórias difíceis que passou na infância. Talvez, essa tenha sido uma de nossas barreiras de comunicação na época. Uma barreira que resistiu a tudo. Menos a distância.

O dia que saí de casa pra morar sozinho foi como se eu tivesse nascido de novo. E, ser filho duas vezes me fez amar dobrado essa mulher. Foi incrível.

Eu sei que ter uma vida difícil não é exclusividade da minha mãe. Todas as mães têm uma vida difícil. Parece que alguém fica testando elas o tempo todo pra saber se elas vão tá prontas pra cuidar da gente um dia. E, por mais tarde que você chegue em casa, por mais doente que você fique, por mais sujeira que você faça, por mais problemas que você tenha, ela vai ser mãe.

Hoje, morando fora de casa, percebo quanto tempo a gente perdeu deixando de fazer um monte de coisas. Quantos colos, quantas conversas e quantos cafunés a mais não podiam tá nessa conta. Ter por perto quem a gente ama, faz a gente diluir o carinho e os abraços na rotina. A facilidade e o acesso são péssimos amigos da importância. Hoje, quando volto pra fazer visita é como se eu tivesse pagando um pouco dessa dívida. E, toda vez que eu vou embora, é um novo parto. Como é bom nascer de novo de você.

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