Microconto #19

Quando viu o carro em seu retrovisor, fechou-o com toda a vontade. Era o fim da corrida, pena que não era um autódromo.

Microconto #18

Tinha nariz grande, uma verruga horrível e a voz tenebrosa. Estaria pronta pro Halloween caso já não tivesse nascido assim mesma.

Microconto #17

1943. 2ª Guerra. Ele chora por saudades da família, mas não por muito tempo, em breve a família também chorará por saudades dele.

Microconto #16

Sempre foi mais otimista que realista. Ficar famoso, escrever um livro e ganhar um Oscar. Claro, depois que curar o câncer no cérebro.

Microconto #15

O problema de tudo foi a mãe ter morrido. Era a única pessoa que lhe dava carinho, comida e proteção. Agora como ela ia nascer?

Momento éDuka #6


COMPROVADO: CULINÁRIA JAPONESA MATA!

Mata, mas não coze, não frita e nem assa.
Come cru mesmo, é tradição cultural.

Microconto #14

Calros smerpe se ahcou mituo nroaml, qeuira ser dfienerte em agluma cisoa. Cmoeoçu plea pórpira hsitióra.

Nike e Racionais, no limite do capitalismo

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Com letras sempre tão críticas, cheias de reflexões e anseios de uma sociedade mais desfavorecida, que ao mesmo tempo não deixam de refletir uma realidade pouco presente na vida de tantos que lêem isto aqui, neste momento, os Racionais MC’s, grupo de rap muito conhecido pela qualidade de suas melodias (precisava explicar?), estarão sucumbindo ao capitalismo?

Esses dias a Folha de São Paulo noticiou que o grupo vai estrelar uma campanha para a toda poderosa Nike. A ação trará como tema central o futebol de rua.

Nada de comprovado, mas algumas coisas parecem se encaixar. Em janeiro havia lido essa
reportagem, sobre o documentário “Freestyle: UM ESTILO DE VIDA”. O cineasta paulista, Pedro, tem influência na cultura de periferia e consequentemente um link com os Racionais. O documentário foi produzido em parceria com a Nike Spotswear, o que já mostra um interesse da marca em atingir um público muitas vezes esquecido no momento da compra. O que faltava, era só uma forma de chegar direto ao ponto.

Ainda no aguardo de mais informações e ansioso para ver o que vem por aí. Só que ao mesmo tempo preocupado, afinal, “meus heróis, morreram de overdose”, aqui no caso, uma overdose financeira, mas overdose.

Não, não e não


Carlinhos era do contra, dizia “não” pra tudo, não fazia nada do que era pedido, não fazia nada em casa nem na rua, na escola também não era diferente nem lição fazia, era um festival de “nãos”. Só que ao mesmo tempo, não demorou muito para as pessoas descobrirem que aquilo tinha uma solução, Psicologia Reversa, era isso, tudo o que precisavam fazer era na verdade, não fazer o que queriam fazer. Então com Carlinhos passou a ser assim.

Foi fácil para os que já o conhecia, o problema só era para os novos contatos ou para as pessoas que cruzava pela vida. - Moço! O próximo é o senhor. - dizia uma cidadã na fila do banco. Quem disse que Carlinhos se moveu, todos passavam na sua frente e ele com muita firmeza nem se mexia, isso até o banco fechar. Voltou para casa sem pagar as contas, mas muito orgulhoso de não ter sido mandado por ninguém.

Cresceu, perdeu alguns empregos, algumas oportunidades, muito dinheiro e o pior, muitas mulheres. Carlinhos agora homem formado, passou a ser Carlos, mas não abandonou a casa dos pais, tirando a necessidade de sobrevivência porque daquele jeito não conseguia nada, não saia de lá porque era muito amado, pelo menos essa era a desculpa que tranqüilizava sua consciência.

Um dia como sempre fazia, acompanhava sua mãe até o mercado, voltando pra casa e a pedido dela – “não” era para trazer as compras -, claro, para despertar efeito contrário. Quando perceberam, já haviam sido abordados por um assaltante que gritava - Passa a bolsa moleque! Passa logo vai! - coitado, mesmo aterrorizado com a situação, mal sabia o assaltante que Carlos jamais o faria, ele a puxou mais pra junto de si e não parou de caminhar, obrigando o assaltante a continuar gritando - Fica parado e me dá logo essa bolsa! - pronto, agora foi a gota d’água, Carlos começou a correr desesperadamente até ser parado por três tiros secos de um assaltante que logo desapareceu.

Pouco tempo passou até a chegada dos curiosos, e Dona Carmen, mãe de Carlos, jogada no chão ao lado do corpo do filho que respirava com muita dificuldade. Ela chorava e pedia a todos ali de plantão, que chamassem socorro, pois seu filho estava mal. Num dado momento, Carlos começou a soltar uns ruídos estranhos que se confundiam entre a dificuldade de respirar e os gemidos de dor, Dona Carmen não se agüentou, começou suas orações e em prantos disse ao seu amado filho - Carlos, pelo amor de Deus, não morre. - mal lembrava Dona Carmen que logicamente, essas seriam as últimas palavras que ele ouviria.

Microconto #13


Quando disse para a família que iria ser prostituta, foi um choque. A mãe nunca imaginou que teria uma concorrente a altura.

Versão brasileira Herbert Richers


Sabe aquelas coisas que você ouve quando é criança que mesmo depois de adulto não sai mais da sua cabeça? Essa é uma delas. Estava vasculhando alguns anúncios e me deparei com este, que mesmo sendo recente foi responsável por recordações muito antigas. A produção é da Publicis Brasil e foi Shortlist em Cannes esse ano.
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Microconto #12


Era uma vez duas crianças, uma era bonita, asseada, educada, inteligente e pobre; a outra só era rica. A rica viveu feliz para sempre.

Microconto #11

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Sonho: ser jogador profissional. Partidas invictas: 103. Gols marcados: 348. Horas de treino diário: 6. Versão do Winning Eleven: 10.

As intermitências da morte - José Saramago

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Garanto que tinha milhares de letras a serem derramadas após essa leitura, tinha algumas ressalvas a serem feitas e algumas dúvidas que ficaram quanto ao emprego de gênero e pessoa utilizados por esse monstro da literatura mundial. Mas, não consegui falar nada quando terminei.

Fascinante como qualquer outra obra desse escritor, “As intermitências da morte” é mais um romance que também pode ser encarado em forma de crítica (como sempre) a sociedade e aos problemas gerados por uma cadeia de acontecimentos.

Saramago e suas “cartas cor de violeta”, ícone que identifica a morte no romance, fez-me lembrar de Stephen King em seu livro “Insônia”, onde Ralph Roberts, um velho recém enviuvado, passa a ver um fio de “luz” que sai da cabeça dos moradores da região, o fio indica a vida, que ao ser cortado leva seus donos para um mundo melhor (?).

O engraçado é como a morte é tratada por esses dois escritores, que de semelhante só têm a enorme quantidade de palavras que são soltas em suas obras.

Voltando novamente à leitura, a qual deu origem esse post, “As intermitências” é composta por uma história simples, um romance envolvente e agradável sem deixar de lado o humor de Saramago. Praticamente um livro escrito para explicar uma única frase, “No dia seguinte ninguém morreu.”

Microconto #10

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Estava cansada de altos e baixos, queria parar com essa instabilidade. Tomou uma decisão, demitiu-se do emprego de ascensorista.

Propaganda inspirando propaganda #4

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Mais um post da série. Esse na verdade era para ser uma inspiração tripla, três peças com o mesmo ideal de concepção. A primeira delas é um anúncio criado pela agência Jung von Matt da Alemanha para a Mercedes, esse saiu até na Archive, o conceito visual consiste em fotografias tiradas de baixo, focalizando os espaços que há entre os prédios e formando letras com esses respectivos espaços.
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O segundo foi criado pela agência Philipp und Keuntje de Hamburg também na Alemanha, esse para a Playboy, saiu no Ads of the World e segue o mesmo conceito visual.
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Mas quando disse três, eu tenho certeza de já ter visto algo semelhante, e se não estiver enganado, para uma outra marca de carro. Caso alguém conheça, pode falar aí nos comentários, será muito bem vindo. Até o próximo capítulo da série.

Microconto #9

Carla nunca se contentou com pouco, sempre foi faminta e compulsiva; uma insaciável. O médico só tinha uma certeza: - Era lombriga.

Resultado do Concurso 140 Letras

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Conforme comentado aqui sobre o concurso de microcontos que estava rolando no Twitter, esse post vem para divulgar o resultado.

Organizado pelo jornalista Roberto Moreno e pelo livreiro Anselmo "Bactéria" dos Santos, os ganhadores tiveram a apresentação de seus nomes e os respectivos contos nessa última sexta (10/10) no espaço Parlapatões, em São Paulo. Veja
aqui fotos do evento.
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Segue agora os vencedores:

Danilo Prates
"Chega. vou me embora. pra casa, pra nasa, pra onde a lava derreta a certeza que o nada persiste e a vida insiste em reter a minha sorte."

Carlos Margarido
"Eu sou o medo de escuro que existe no coração de cada criancinha."

Denis Pacheco
"Trocaram olhares no metrô. Telefones na escada rolante. Carícias no cinema. Beijos no motel. Ofensas no carro. Despedidas na esquina."

Parabéns a todos pela qualidade.

Microconto #8

Na cama sempre foram dois loucos apaixonados, eternos amantes. Até o marido dela descobrir.

Noitão HSBC Belas Artes

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Já estava para escrever sobre isso há um bom tempo. Gostaria de discutir com quem já freqüenta e indicar para quem ainda não conhece.

Esse programa cultural alternativo é realizado toda 2ª sexta-feira de cada mês. São vendidos ingressos por R$ 18,00 (R$ 9,00 para estudantes) que dão direito a exibição de 3 filmes durante a noite. Dentro do mesmo valor ainda está incluso o sorteio de brindes que ocorrem nos intervalos de cada sessão, que são aproximadamente de 20 a 30 min. Ao final da noite (ou início do dia) é distribuído um café da manhã (também incluso no ingresso). Os filmes começam a ser projetados às 0h e seu término varia de acordo com o período total de duração.

Toda sexta-feira de exibição é escolhido um tema no qual gira o assunto tratado nos 3 filmes. Dois deles são de conhecimento geral e o terceiro é denominado filme “surpresa”, o qual só é revelado na hora da projeção.

O HSBC Belas Artes fica localizado na Rua da Consolação, 2.423 (esquina com a Av. Paulista). Pertence atualmente a distribuidora Pandora Filmes e a produtora O2 Filmes, com patrocínio através de Naming Rights do HSBC (dã), que financiou a última grande reforma em 2004. O cinema conta com 6 salas e cada uma leva o nome de uma personalidade brasileira: Villa-Lobos, Candido Portinari, Oscar Niemeyer, Aleijadinho, Mario de Andrade e Carmen Miranda.

Fica aqui uma ótima dica de programação. Quem quiser saber mais é só acessar o site ou até mesmo a comunidade no orkut, local que inclusive dá pra saber um pouco sobre as opiniões de quem freqüenta e um pouco também sobre os filmes de cada noite. Mas quem já é “Noitero”, pode deixar um comentário aí, quem sabe a gente não se vê por lá.

Microconto #7

Vi que estava perdido quando achei a chave, que tinha perdido no casaco, que tinha perdido no carro, que tinha perdido onde me perdi.

Informação

Repito mais uma vez.

Bons textos, não necessariamente precisam estar escritos. Não necessariamente precisam estar impressos em papéis que o tempo fará questão de destruir.

Podem sim, estar gravados em nossas mentes, presos em nossas línguas, ou simplesmente, ditados em um bom comercial. Aqui vai mais um exemplo de redação falada.

Segue uma criação da F/Nazca para o jornal O Globo. Que além de boa narrativa, traz um reflexo do atual momento que a informação passa. Mudanças interativas.
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Microconto #6

Fazia planos de escrever o menor conto erótico do mundo. Foi fácil, falou sobre uma mulher virgem em um cara precoce.

Microconto #5

Escreveu uma Música, gravou um CD, Clip, fez Show, Turnê no exterior e nas primeiras férias curtindo o sucesso, morreu de overdose.

Começando a odiar PC

Mexi a minha vida (quase) inteira em PC e de uns tempos pra cá venho me aventurando em MAC, mas se tem uma coisa que até hoje eu não entendi nos softwares do tio Bill é aquela bendita mensagem de "Relatório de Erro". Pra que serve essa merda? Que deu erro eu sei, por que não aparece um "Relatório de Soluções", pelo amor de Deus.

Microconto #4

Menina prendada, educada, crescida, namorada, casada, traída, mal amada, largada, deprimida, e de tanto dá, acabou esquecida.