Bollywood comendo pelas beradas

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Não ia falar por aqui nada oficialmente sobre o Oscar, porém, alguns comentários, questões e visões pessoais dos indicados daquela noite, acabaram me trazendo às letras. Poderia escrever sobre coisas como, melhor ator, que a meu ver, Sean Penn levou, graças a uma sensibilidade de interpretação maior que a de Mickey Rourke, um dos outros candidatos e favorito.

Poderia ir mais além e comentar sobre minha alegria de o Senhor Button não ter levado tantos prêmios, e, principalmente, sobre a alegria prévia de Batman não ter nem sido indicado às grandes categorias. Poderia dizer que fiquei triste de Heath Ledger não estar presente para levar sua tão merecida estatueta. Poderia falar um pouco dos estrangeiros, das animações ou fazer comentários pedantes sobre som, mixagem, edição, montagem, roteirizações e outras coisas das quais, infelizmente, não tenho conhecimento para opinar.

Por isso, ficarei somente nos indicados a melhor filme.

Descarto Benjamin Button logo de início. Um filme que caiu rapidamente nas graças da internet por seus belos efeitos especiais, porém, com fraca maquiagem (muito mais digna para Hellboy II, e só também), achei o filme carregado de releituras já usadas e muito (mas muito), comercial.

Frost/Nixon por achar que não chegou lá. Tinha uma filmagem interessante, um figurino interessante, uma fotografia interessante, uma história interessante, mas um filme desinteressante.

The Reader ainda não vi, mas infelizmente só pelas expectativas criadas não fará diferente minha opinião, mas qualquer coisa, volto e faço uma retratação. E ainda acho que Kate Winslet levou o boneco dourado mais por incapacidade das adversárias.

Vamos agora para a parte mais tensa.

Milk, muito bom filme, com ótima história, roteiro e interpretações. Ao lado de Slumdog Millionaire, considerava-os favoritos da noite (entre os cinco, não que isso dê a eles o status de melhores filmes do ano). Pesando as informações, não achei tão justo o prêmio para Slumdog. Apesar de ser um estereótipo da pobreza e como muitos puderam perceber, semelhante em alguns momentos a Cidade de Deus. O filme retrata grandes problemas da Índia, que precisaram vestir uma camuflagem comercial para atingir o mundo e alcançar o estrelato.

Apesar disso, o filme marca um ótimo ponto para a indústria indiana que vem crescendo assustadoramente. A parceria americana mostra um pouco de reconhecimento do mundo para aquele pedaço de continente. O filme não foi bem aceito no país de origem, justamente por essa camuflagem supra citada, mas, que mesmo assim, conseguiu com sua fotografia, música e a tão inusitada e criticada dança que faz parte da cultura local, agradar os olhos do mundo e dar mais um passo para quem sabe, uma futura concorrência cinematográfica de peso e quem sabe, até melhor que a norte-americana.

Microconto #57

As palavras doeram mais nela do que em mim. Falei toda a verdade. Foi fácil, afinal, eu é que fui cafajeste nos últimos 13 anos.

Microconto #56

Bundas peladas, suadas e se esfregando. Mal acabou o carnaval e ela já estava na sauna do clube matando a saudade da putaria.

Microconto #55

Poderia sentar na praça e refletir sobre a vida, mas como não sabia nadar preferiu se jogar no lago e torcer pra que ninguém o visse.

Microconto #54

O amor bateu à porta como uma ação de despejo. Relutou, mas no fim foi invadida. Ficou eternamente apaixonada pelo oficial de justiça.

Microconto #53

Horas na fila e minutos observando o que um artista levou anos para expressar, mesmo assim saiu satisfeito. Era sua primeira exposição.

Microconto #52

Ser hiperativo sempre foi uma qualidade, até o dia do derrame. Depois disso, nunca mais conseguiu se mexer.

Microconto #51

Passou a vida toda vendendo o corpo. O dos outros, não o seu. Ser cafetão sempre foi o sonho de infância.

Propaganda inspirando propaganda #7

Seguindo a linha do último post da série, as duas ideias apresentadas abaixo são de semelhança incrível.

A primeira e mais antiga, criada pela Fischer América para a Macacolândia, e a segunda criada pela agência indiana Rediffusion para a Animaster Animation School, ambas especializadas em desenhos. Coincidência demais?
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Epitáfio

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Tá, tudo bem, eu sei que vai parecer macabro, mas é só para descontrair. Você já pensou o que iria escrever em sua lápide caso você morresse hoje? Eu fiz essa pergunta porque estava pensando nisso, e ainda estou na dúvida.

Cheguei momentaneamente a conclusão que prefiro não morrer, mas caso aconteça, tinha em mente deixar alguma reflexão e achei por bem escrever algo mais ou menos assim.

"É bem melhor você poder ler essa merda de frase do que ter sido autor de uma memorável."

Caso já tenha pensado em alguma pra você, deixe nos comentários, se precisar de inspiração, dá uma olhada
aqui.

Microconto #50

Não respondia mais scraps, posts, tweets e nem mensagens off-line. Até o dia que colocaram uma foto de desaparecido no Flickr.

Microconto #49

Fulano sempre foi um cara de pouca importância para as pessoas. Com um tratamento desses, não tinha como não perceber.

Propaganda inspirando propaganda #6

E lá vem mais um capítulo da nossa série. Dessa vez, trago duas peças nacionais, com uma “inspiração” fenomenal.

A primeira criada pela MatosGrey para Sprinter da Mercedes é um pouco mais antiga, e a segunda, criada pela agência Goiana, Jordão Publicidade para a Govesa, na divulgação do Spacefox. Muita referênca pra pouca história fala aí?
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Feio que dói

Não é que ele nasceu feio assim, até que era bonitinho quando pequeno. Pelo menos era isso que a mãe dizia a todos que perguntavam sobre a qualidade místico-facial do filho. Filho de pai e mãe conhecidos na cidade, logo pegou fama. O nome, por exemplo, nem compensa dizer, honra o dono da cabeça aos pés.

Só pra você ter uma noção do que eu estou falando e não duvidar de tamanha feiúra, o menino; bem; pelo menos parecia menino; já que além da cara não ajudar muito, o corpo com seu balanço desregulado, também não permitia a identificação. Mas voltando, pra você não duvidar de tamanha feiúra, o caboclo começou a andar com 3 meses de idade e aos 4 já corria pela casa toda. Não, ele não era bem dotado, é que de tão feio teve que se virar sozinho, ninguém queria segurá-lo no colo.

Depois de aprender a andar, correr, falar, comer, contar, ler e escrever, aos 5 anos, ele finalmente descobriu o que era ser um adulto. Sim, virou um ser humano precoce. Ninguém queria chegar perto dele, as pessoas normais preferiam não se misturar com aquela pobre criatura, óbvio que ele teria que aprender tudo sozinho.

Além de precoce, virou autodidata. Ganhou diploma de solitário. Formado em feiúra e pós-graduado em ausência de beleza. Não era adepto de espelhos, lógico, nem ele mesmo suportava sua própria imagem. Gostava de cegos, como se a gente não soubesse o porquê, e era amante incondicional de Macabéia. Queria ter sido escrito como ela foi, preferia nunca ter nascido fora de uma literatura.

Aos 10 anos, já havia feito de tudo na vida, já era um homem formado, não precisava dar satisfação pra ninguém, nem mesmo para aqueles que ainda ousavam em chegar perto dele. Vivia em uma casa isolada da população com uma placa na entrada do portão, “Aqui vive alguém esquecido pela beleza divina”. Apesar de não acreditar em deus, achava que alguém, em algum momento de sua concepção, havia esquecido de lhe explicar o que era belo.

Os anos passaram, como em qualquer clichê literário, e o caboclo, agora com 44 anos, era um ser muito sábio. Milhares e milhares de livros já haviam passado em suas mãos, milhares de teorias já haviam sido inventadas e milhares de problemas resolvidos. Tudo bem que de nada adiantou, como ninguém tinha coragem de olhar sua face(?), os anos todos de investimento intelectual, não valeram nada nada. Você tem noção do que é isso caro leitor?

A solidão, o isolamento e o arrependimento de ter nascido desse jeito (nascido não, de ter sido expulso do ventre, porque aquilo era o cúmulo da incapacidade estética) fez com que começasse a escrever sua própria história. Um livro pobre, chucro e triste. Um livro sobre sua vida. Sobre seus problemas, suas angústias e sua impossibilidade social. Ele conseguiu terminar, mas não diferente de todas as outras pessoas, eu também não li. Se ficou ou não ficou bom, acho que ninguém vai ter coragem de pedir pra ver.

Microconto #48

Nunca deu lugar aos idosos no ônibus, nem quando ficou velho. Foi uma forma que achou para enganar sua própria idade.

Microconto #47

Viu toda cena passar em câmera lenta. Um olhar, um sorriso e um bom dia. Era o início de um grande amor.

Mais discussões

No começo do ano fiz um texto intitulado “Discussões”, o post trazia assuntos polêmicos na propaganda. Estavam entre os temas, peças sobre problemas socias, ambientais e saúde, sem contar um vídeo da Nike que trazia uma situação grotesca (quando digo grotesca, não entenda como se eu não gostasse).

Alguns meses passaram e outros anúncios foram rolando. Tivemos uns bem polêmicos, como foi o caso do vídeo da Diesel para divulgação da festa de aniversário, o que rendeu posts em diversos blogs pelo mundo. Para aumentar a polêmica, o vídeo em questão foi acusado de plágio, pois levava uma estética idêntica a umas peças desenvolvidas tempos antes para informar sobre um serviço de bloqueio a sites pornográficos (saiba mais aqui).

O que me fez resgatar esse assunto-naftalina, foi este post um pouco recente do Marcelo Pollara para o Falando Nisso. O texto “re.despertou” minha atenção para continuar discutindo as bizarrices. Por coincidência, o post dele também tratava da Diesel (só que de outra campanha).

Para colocar mais lenha da fornalha das argumentações, posto agora, outros anúncios que trazem situações estranhas, grotescas e bizarras, e quero saber a opinião de vocês.

Até que ponto isso é bem vindo? Ou vocês concordam comigo, liberdade total para as ideias desde que não infrinjam problemas éticos locais?

Para começar bem, segue este vídeo da Scruffs Hardware, uma empresa (acho que Holandesa) do ramo da construção civil. Parece?
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Blowtex – Preservativos
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Dr. Barata – Impressão na caixa de pizza
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Keimling – Restaurante vegetariano
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Neonode – Celulares
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Olivé – Super cola
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Prêmio Paladar – Dedo
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Worksafe – Acidentes no trabalho
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