Microconto #418

Nunca entendi muito de flores e rosas, sei que o cheiro é encantador.
Aliás, essa é a única boa recordação do enterro de mamãe.

Microconto #417

Numa lanchonete, na zona sul do Rio, a geral espera os pê-emes, numa emboscada de homicídio com ketchup.

Microconto #416

Na livraria,
entre as frestas da estante,
achei um romance de olhos azuis.

Microconto #415

De degrau em degrau,
mal sabia dona Firmina,
que ficava mais perto da igreja
e mais longe da melhoria.

Microconto #414

Num momento incerto
em um certo parque,
entre o grande Ipê
e a pequena moita,
um feixe de luz abriu uma passagem pro futuro.
Ninguém viu.

Microconto #413

Na floricultura era sempre uma briga.
As flores disputavam dia a dia.
Umas iam com quem chorava,
e poucas iam com quem sorria.

Microconto #412

Depois que você foi embora, sobrei reduzido a esperanças, tomando comprimidos de esquecimento e chorando remorsos.

Microconto #411

Férias na casa de mamãe.
Saudade dessa goiabada.
Cá estou na rede, a balançar lembranças,
melando os dedos de infância.