Microconto #488

Fugiu pra longe.
Lá onde mora a saudade.

Microconto #487

O vento noturno assobiava a canção do medo do lado de fora da janela.

Microconto #486

Sob a chuva, indo embora no banco de trás, a única coisa que vi, foi um adeus achando ser temporário.

Microconto #485

Levava na barriga, uma xícara de café, duas bolachas água e sal e um punhado de esperança.

Microconto #484

A faca desce,
o aço entra,
a carne sangra
e o prazer mal passado agrada todo mundo no churrasco em família.

Microconto #483

Abro os olhos de manhã e percebo que ela também tá acordada.
A luz do sol passa arisca pela cortina.
Viro pro lado e vejo a orelha dela perdida em meio ao cabelo bagunçado.
Falo te amo, baixinho, ao pé d’ouvido.
Ela ri com desdém.
Droga, penso; parece que o nosso amor acaba de se perder no meio de uma piada.

Receita nossa

Uma xícara de café, uma colher de açúcar e uma pitada de amor.
Uma colher de amor, uma pitada de café e uma xícara de açúcar.
Uma pitada de açúcar, uma xícara de amor e uma colher de café.
Eu tento, mudo, misturo e invento. Mas a saudade que escorre do bule sempre vai ter gosto de você.

Microconto #482

Aqui da varanda vejo meus filhos brincando no quintal. O cachorro corre atrás da Helen e do Mateus.
Lá dentro, na cozinha, minha mulher prepara o almoço. O cheiro do prato predileto vem me provocar.
Queria poder brincar.
Queria poder ajudar.
Queria poder me mexer.
São tantos quereres depois do acidente.