Não existe razão pra você ler esta história

Dona Eduarda viveu uma vida inteira de enganações. É duro falar assim, logo no começo da história, eu sei, mas, é a pura verdade. Se você espera um romance, não perca seu tempo.

Dona Eduarda conheceu o marido ainda na adolescência, quando ele tinha apenas dezesseis. A vida era só uma esperança de coisas boas. Com projetos, filhos gêmeos e algumas viagens.

Não foi.

Dona Eduarda nunca saiu de Brasília. Nunca visitou amigos. Nunca cursou medicina. Nunca aprendeu outro idioma. Dona Eduarda nunca viveu um amor de verdade.

É difícil contar uma história de desamor. A história de um casal que morou a vida toda num castelo desencantado. Se você já tentou, sabe do que estou falando. Ninguém quer saber sobre isso. Não dá audiência. As pessoas não recomendam. Não vira novela. Os estúdios mudam o nome dos filmes tristes pra enganar o público. Dona Eduarda nunca vai ser famosa.

Eu não gosto de enganações. Por isso já te avisei no começo. Essa história não acaba bem. Não espere mais do que arrependimentos daqui. Dona Eduarda nunca ganhou flores; só favores. Nunca ganhou chocolate, atenção ou presentes. Dona Eduarda não tem nada pra ter saudade.

E mesmo assim, Dona Eduarda não se entregou.

Dona Eduarda foi melhor do que pediram. Foi mais carinhosa do que esperavam. Foi mais amante do que pensavam. Foi mais mulher do que mereciam. A esperança de Dona Eduarda jamais caiu, diminuiu ou morreu. A esperança jamais foi alimentada, mas nem por isso deixou de existir.

O marido de Dona Eduarda, que o nome não interessa falar, porque afinal, essa história não é sobre um casal. É sobre uma mulher traída e desiludida. Dona Eduarda foi esposa, mas o marido não foi marido.

A história sem eventos de Dona Eduarda acaba aqui, nos dias atuais, onde ela continua leal. Até o presente momento, Dona Eduarda olha pra trás e ainda sonha que sua vida daria uma linda canção.

Mas ninguém quer cantar.

2 comentários:

Vanessa Yamane disse...

Gostei demais desse.

Tiago Moralles disse...

Ahhhh que legal. É triste. Mas gosto também ;)