apesar de bonito o arco-íris nada mais é que um sorriso invertido.

no metrô
a propaganda do dentista sorri pra mim.
penso
quantos sorrisos eu vi
nos últimos dias?
uma vez ouvi
que a gente mexe
mais músculos sorrindo
do que chorando.
mas já ouvi
o contrário também.
essas coisas de felicidade
vêm só pra confundir.
me pergunto quanto tempo ainda
o sorriso vai existir.
se as desgraças andam aumentando
rápido demais.
tem dias que acho mais fácil
chorar.
nada parece feio
quando tá embaçado.
ando na rua querendo encontrar
pessoas boas.
mas o que é a caridade
senão
a gente usando a felicidade do outro
pra suprir nossa felicidade?
sorrir é muito mais falso que fácil
pra mim. quando você também
descobrir
onde vão parar o sorrisos no fim?
será que há esperança na próxima esquina?
viro à direita
um lugar cheio de flores
esculturas
pinturas na parede
a atendente
séria me olha nos olhos
me taca o pedido na mesa.
em silêncio
sento.
olho pra baixo
vejo um sorriso se formar
na espuma do café.
será?
mas não é.
já voltou a ser só

café.

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