Plataforma

Olhava pela janela as árvores passarem cada vez mais velozes. Já havia esquecido há quanto tempo estava naquela rota constante, ficara hipnotizado pela repetição de uma natureza linear. A mente e o corpo estavam no mesmo lugar, ali, juntos e consolados. O corpo sustentava a mente e a mente sustentava o corpo com um fio de esperança. O coração não. O coração era diferente. Não estava lá. Enquanto o trem se movia a uma velocidade gradativamente torturante, o coração ficava para trás a uma distância gradativamente lamentável.

A respiração funda, ofuscava o vidro que sustentava seu rosto. Mas não o suficiente para impedir sua visão do mundo lá fora. Que apesar de cinzento como sempre, estava diferente como nunca. Gotas começaram a bater nessa moldura da realidade. A primeira delas, para qualquer um que observasse a situação, poderia ser confundida com uma lágrima que escorria sozinha e triste. O que também não deixou de acontecer. Uma lágrima caiu. E outra. E outras.

Na plataforma que ficava óbvia e tristemente mais longe, as coisas não eram nada diferentes. Lágrimas caiam de outro rosto e confundiam-se com a chuva. Um outro coração também não ficava junto de seu corpo como deveria, buscava alcançar os vagões que sumiam dos olhos daquela mulher que agora tinha os cabelos molhados pela chuva, e não mais pelo banho de despedida. Uma mulher que sabia, mesmo que não querendo saber, que a guerra é cruel. E aquele, eu te amo, dito há instantes, poderiam não mais chegar aos mesmos ouvidos.

Quanto mais rápido o trem ia, mais rápido esse futuro soldado sentia falta daquela plataforma. Havia deixado para trás muito mais do que angústia, força e saudade. Ele, só pensava em voltar, constituir uma linda família, ter filhos e viver um dia, glórias de pai. Ela, também esperava a volta dele, mas para contar um segredo ainda confidencial: naquela plataforma, ele podia não ter percebido, mas, já havia um terceiro coração na despedida.

Microconto #27

Tinha um problema. Era tão ansioso, que não conseguiu completar seu ciclo normal de vida. Morreu antes só para saber como era.

Resultado Prêmio Central de Outdoor 2008

Há exatos 363 dias, fizeram-me a pergunta – como foi ganhar o Grande Prêmio Central de Outdoor 2007? – a primeira coisa que me veio na cabeça foi – parece contraditório, eu como aspirante a redator, dizer isso, mas, faltam-me palavras para descrever esse momento.


E agora, 363 dias depois, fizeram-me a mesma pergunta, e a única coisa que me vinha na cabeça era a resposta do ano passado, mas, para não parecer repetitivo eu disse – nossa, pensei em tantas coisas pra falar, mas justo agora eu fui esquecer de tudo!

E foi assim, que minha ansiedade teve fim. Mais do que satisfação, comecei a sentir tudo outra vez, fome, sono e até vontade de ir ao banheiro. Coisas que nos últimos dias eu não percebi que necessitava (problemas de gente ansiosa, não sei se você me entende).

A noite foi mágica. Tive a companhia de grandes amigos e pude rever pessoas muito simpáticas. Só que o melhor de tudo foi receber a notícia da vitória. Não pelo fato da premiação em si, mas por ter competido com trabalhos de auto-nível. Eram 5 finalistas muito bem representados. Eram 5 trabalhos muito bem feitos. Enfim, eram 5 peças dignas de prêmios.

Ao fim da cerimônia, alguém (não sei quem era), chegou em mim e disse – que legal, você ganhou ouro com um trabalho branco – eu concordei e ri (ainda viajando), mas o Felipe fez uma interjeição pertinente – cara? Seu trabalho não estava em branco, defende a classe, tinha um título – soou engraçado a princípio, mas depois de alguns segundos valeu a reflexão. Realmente, meu trabalho não estava em branco, pelo contrário, ele tinha muita coisa, tinha um título, uma idéia e o principal, uma crítica. Sobre o tema “Liberdade de expressão na propaganda”, eu acho que usar a própria mídia como uma não-mídia, foi uma boa sacada (arriscada, mas boa).
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Ah, e quanto ao branco, pode ser, mas os únicos que não enxergam nada, são justamente aqueles que não querem ver.

Obrigado a todos pelo apoio.
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Update 02/12/08: O resultado geral já está disponível no site da Central do Outdoor.

Vingança

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O primeiro dos quatros filmes que Paulo Pons pretende produzir com baixo orçamento. A tetralogia irá trazer ainda para as telonas: "Espiral", "Os realizadores" e por último "A hora mágica". Todos com orçamentos estimados em 80 mil reais. Valor baixo para os padrões brasileiros, imagina para os padrões hollywoodianos?

A verba usada na produção dos longas, é comparada aos orçamentos utilizados para os documentários no país. Mas nem por isso tira o brilho do trabalho brasileiro. O filme estreou sexta (21/11), mas tive a oportunidade de conferir a exibição na quarta (19/11) em uma pré-estréia.

Coisas que quero ressaltar: "Vingança", apesar de ser feito com baixo orçamento não deixa de ser interessante, principalmente pela quebra de muitos clichês nacionais (fome, miséria, pobreza e periferia), queiram ou não, iniciados pelo belo movimento do cinema novo, uma “abrasileirada” dos neo-realismos da vida.

Comentado sobre clichês, como o filme foi rodado no Rio, algumas cenas que já se tornaram rotineiras nos filmes nacionais e produzidos no território carioca, estão presentes também nesse. Vai dizer que aquela tomada de trás, onde um casal de atores está sentado na areia olhando o mar, não te faz lembrar, “Cidade de Deus” ou o mais recente “Era uma vez”? Fora outras cenas na própria praia.

Os estereótipos do cinema nacional, muitas vezes não estão só em suas histórias, mas também em suas tomadas e planos (falta às vezes um pouco de ousadia).

Apesar desses pontos negativos (mas nem tanto), o filme traz uma história simples e interessante, com algumas reviravoltas que infelizmente me impediriam de fazer uma resenha mais detalhada do filme sem cometer nenhum
spoiler. Vale conferir (apesar de ter um final um pouco fraco) pela boa encenação dos atores, pelo orçamento, por ser brasileiro e para ver Bárbara Borges longe das produções globais.

Microconto #26

Após uma rápida cópula de idéias, eis que vem ao mundo um mini conto erótico. Um filho, que apesar dos pesares, nasceu bem contado.

Resultado 12º Prêmio de Propaganda O GLOBO

Em 26/08 desse ano, como é de costume, foi divulgado aqui informações sobre o concurso Jovens Criativos do Prêmio de Propaganda O GLOBO. E agora, com tudo resolvido, venho publicar o resultado.

Esse ano o GrandPrix foi para Felipe Tiago de Souza Pires com o título “Mudanças”, só lembrando que o briefing era criar anúncios para promover o Instituto Superior de Educação Pró-Saber. As peças ficaram interessantes, mas como nesse país democrático tenho o direito de opinar, e o principal quesito da avaliação de criação é a subjetividade, gostei bastante da campanha que levou ouro. Os responsáveis são Leônidas Soares Pires e Gabriely Rodrigues de Souza. Nada contra o GrandPrix, mas achei que eles conseguiram passar a mesma idéia de uma forma ainda mais sucinta.
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O GrandPrix dos profissionais ficou com a Agência3, com a peça “Tijolão” para o Rossi Residencial.
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Para conferir as demais peças e as demais categorias como Cases de Resultado ou Melhor aproveitamento do meio jornal, acesse
aqui o site do concurso.

1980

Já vi muitos roteiros virarem comerciais efetivamente e até comerciais voltarem a ser roteiros, mas um comercial virar crônica, nunca tinha visto. Daí, com essa idéia retardada na cabeça e impulsionado por um trabalho da faculdade, resolvi arriscar pra ver no que dava.

Segue abaixo, filme clássico da DPZ, criado para a extinta Telesp em 1980. “A morte do orelhão” retrata um momento de vandalismo vivido na época e a solução criativa para representar esse problema. Na seqüência o resultado da crônica, que buscou abordar temas relacionados fortemente com ano de exibição. O que acham da idéia? Seria um novo hobbie?

video

1980

As noites infelizmente já não eram mais as mesmas. O tropicalismo que há alguns anos agradava tanto os casais apaixonados e empolgavam noites de curtição, mal tocava nas rádios, e muito menos nos toca-fitas dos Fiat 147 e dos Fuscas que rodavam a cidade.

As noites infelizmente já não eram mais as mesmas. A ditadura se instalava no país há alguns anos. À noite nos bailes já não eram plenamente aproveitadas. Os brotos não saiam de casa. As calças boca larga permaneciam empoeiradas nos guarda-roupas e as camisas floridas já murcharam.

As noites infelizmente já não eram mais as mesmas. Os cabelões não impunham mais virilidade. Roberto, Caetano, Chico, Gil e Erasmo, disputavam lugar nas discotecas com o Rock. Bee Gees e Grease faziam a cabeça de todos, John Travolta enlouquecia as garotas com seu estilo. Mas.

As noites infelizmente já não eram mais as mesmas. Ninguém mais ia às ruas. A violência começava a tomar conta de cada estrada, de cada avenida e de cada esquina. As mortes passaram a ser cada vez mais presentes na convivência da população. Nenhum sábado gerava mais embalos.

As noites infelizmente já não eram mais as mesmas. Assassinatos, assaltos e vandalismos, tudo muito freqüente. Nas madrugadas não se via mais ninguém nas ruas, eram frias, insólitas e castigadas. Nada mais resistia a agressão de grupos desprovidos de qualquer qualidade intelectual.

As noites infelizmente já não eram mais as mesmas. Nem os postes, pontos de ônibus e caixas de correios escapavam da destruição eminente. Nem os pobres orelhões. Ah orelhões, nem vocês escaparam das agressões, nem vocês escaparam de um triste fim.

As noites infelizmente já não eram mais as mesmas. Morriam orelhões.

Microconto #25

O conto era tão pequeno, tão franzino e tão desajeitado, que morreu antes mesmo de existir.

Microconto #24

Arrumar um novo namorado foi a primeira coisa que passou na sua cabeça. Impossível que depois de 18 tentativas não conseguiria alguém.

Finalistas Central de Outdoor 2008

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Não é de costume aqui no Blog ser feita a divulgação prévia dos finalistas ou shortlist dos concursos; prefiro fazer só o comunicado do resultado final, mas nesse caso tenho que abrir uma exceção.

É com muita felicidade (muita mesmo) que gostaria de comunicar aos amigos(as) que freqüentam esse espaço, que pelo 2º ano consecutivo, consegui me classificar para os finalistas do concurso Central de Outdoor na categoria Estudantil. No ano passado recebi, gratificado, a notícia que
fui campeão nacional dessa mesma categoria.

Para chegar aos finalistas, os representantes de cada estado competiram entre si, saindo somente um vencedor. Numa segunda etapa, foram selecionados apenas 5 trabalhos dos 27 campeões estaduais para a grande final (diferente do ano passado que foram 4). Desses 5, eu estou no meio e só 3 serão premiados com 1º, 2º e 3º lugar nacional, numa cerimônia a ser realizada dia 25/11 aqui em São Paulo (tensão).

Só que para chegar até aqui, muito esforço foi feito. A qualidade dos trabalhos inscritos é alta. Digo isso por um amigo blogueiro que também foi campeão do seu estado. Kenzo Kimura do
Rafiado, estava competindo com o trabalho campeão estadual no Ceará, muito bom também. Infelizmente não deu no Central (não sei o porquê), só que no BanBanBan estamos torcendo cara.

Para conferir a lista completa dos finalistas em todas as categorias, clique
aqui.

Promoção mês de aniversário - 1º Ano

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Promoção encerrada.

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Depois de 31 milhões e 536 mil segundos, mais de 200 mil caracteres, mais de 10 mil visitas e mais de 500 manifestações de curiosos (favoráveis ou não, o que é bem legal), o PENATES chega ao seu primeiro aniversário.

No mês de novembro do ano passado (pra ser mais exato, dia 16), eu, com essa infinita idiotice, pensei em criar um blog para escrever o que me desse na telha. Foi o começo de um vício. Depois disso não parei mais, toda semana tem que cair coisas novas, um texto qualquer, críticas, crônicas, referências, indicações, reflexões, baboseiras e o que mais vier pela frente.

Gostaria muito de agradecer a todos que de uma forma ou de outra, visitaram este blog, deixaram comentários, incentivaram-me e assim, contribuíram para que eu me fodesse mais. Sim, porque se tem gente que vem aqui eu tenho que atualizar certo?

Mas, tudo bem, conheci muitas pessoas através desse canal (o blog tá?). Muitas delas inclusive, ainda não tive o privilégio de conhecer pessoalmente.

Deixe-me parar de enrolar e falar logo. No mês de aniversário do PENATES, não sou eu que vou ganhar presente, são os loucos que ousarem participar desta brincadeira.

Como participar

As regras são simples, basta deixar um comentário com o seu Nome seguido do seu E-mail (para identificação e contato) e escrever (obrigatoriamente) sobre o que você mais gostou e o que você menos gostou desde que conheceu essa merda de blog (vale tudo).

Período

Esta promoção terá validade até 6 de dezembro (isso mesmo, 20 dias. É muito tempo mas é porque eu ainda não decidi o que dar de prêmio. Ah, aceito sugestões). Todos os comentários que aparecerem “neste” post (veja bem, NESTE post) com as regras de participação corretas, serão inclusos no sorteio.

Prêmio

A graça da brincadeira está exatamente aí. Você não sabe o que vai ganhar (não é ótimo, além de participar, você ainda vai ficar curioso).

Sorteio

Para o sorteio será usada uma tecnologia avança, a mesma utilizada em países de primeiro mundo, como os Estados Unidos, por exemplo. Vou anotar todos os comentários em papéis e fazer igual o sorteio da casa própria do BAÚ. Entrarei em contato com o ganhador, negociarei datas e prazos, e fico encarregado de mandar o prêmio por SEDEX (não estou ganhando pelo merchan).

Agora que você já sabe da promoção e é acima de tudo um pouco retardado, pode deixar seu comentário aí e boa sorte (ou azar né, vai saber).

Favela, uma falta de modernidade política?

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Clique na imagem para ampliar (vale a pena)
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Não é, e não pode ser encarado como um problema da modernidade. As favelas tiveram suas aparições a partir da chegada imperial ao Brasil. Onde moradores, forçosamente, tiverem que ceder suas residências a toda comissão Portuguesa que aqui desembarcava. Sendo assim, obrigados a construírem suas novas casas no alto dos morros, dando origem ao termo que é utilizado até hoje para nomear os moradores de onde tudo isso deu início, Carioca, de origem Tupí kari'oka, significa casa de branco.

Agora, mais um problema é encontrado. Pejorativamente, o termo favela é apontado pela sociedade como local de aglomeração de criminosos, negros e pessoas desprovidas de condições financeiras favoráveis. A verdade é uma só, o local é uma concentração da parte desabastada da população, que se encontra nessa situação por causa do governo que não favorece a inclusão social e por causa dos próprios pares que não lutam por um reconhecimento, e sim muitas vezes, fecham-se em seus recintos esperando a solidariedade dos próximos, que devido à ignorância, tarda a chegar.

Por isso, quando nos pegarmos julgando ou fazendo um pré-conceito, não das pessoas que moram nas favelas, mas do termo propriamente dito, devemos lembrar de muitos exemplos que podem ser retirados de lá. Devemos lembrar que não só o governo com sua má administração, mas também nós, cidadãos, temos uma grande parcela de culpa na falta de aprovação dessa gente. Devemos trabalhar em prol da igualdade e da homogeneização das culturas, costumes, credos e raças, deixando de lado a descriminação e passando a ser mais conscientes na cobrança de melhores políticas e na construção de uma melhor sociedade. Para quem sabe, o significado da expressão que deu origem a tudo isso, nunca mais tenha sua cor trocada injustamente.
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Dica de documentário: Favela Rising e Santa Marta: Duas semanas no morro.

Microconto #23

Quando o pai abandonou a família sua função era ser o homem da casa. Atraso do pai, ele já tinha escolhido sua orientação sexual.

Resultado do FUC e do Caracol de Prata

Demorou mais saiu. Ainda tem o resultado de um concurso pendente para ser divulgado, o Central de Outdoor 2008, que creio deva sair até o final desse mês. Mas enquanto isso, o FUC, divulgado aqui e o Caracol de Prata aqui, disponibilizaram essa semana os seus ganhadores.

O FUC ainda só tem os nomes em suas respectivas categorias, vamos aguardar para ver quando saem as peças (se é que vão). Já o Caracol de Prata como todo ano, divulgou seu shortlist com os nomes e agora traz ao público os trabalhos vencedores. Detalhe todo especial para o Brasil que conseguiu esse ano ocupar a 3ª posição, tanto na categoria cartaz como no vídeo. Parabéns aos brasileiros Patricia Zanon Nunes de Melo e Diogo Maluf de Souza Vaz de Faria respectivamente.

Para conferir os resultados clique aqui para o FUC ou aqui para o Caracol.
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Update 16/11: O FUC disponibilizou as peças vencedoras. Confiram.

Preconceito ou não?

Eu não sei se eu gosto disso ou se eu me revolto.

Estava com um post prontinho pra sair e aparecem essas coisas que precisam ser comentadas. Mas tudo bem, amanhã sai o outro (eu acho).

Não vou ficar falando de propaganda por muito tempo. A grande maioria que passa por aqui já sabe o que é o submundo da publicidade, e quem não conhece é melhor não ficar sabendo, continue aí, achando que é tudo mil maravilhas.

Vira e mexa a propaganda é alvo de discussões e consequentemente penalizada por discriminações. Sejam elas raciais, religiosas ou sexuais. Mas nem sempre é só isso. Muitas vezes também, ela é acusada de incitar a violência e quando não, indicar produtos que não são considerados adequados a uma boa alimentação, principalmente quando o assunto é criança.

Mas voltando ao tema das discriminações. Hoje, nós nos encontramos em uma sociedade tão moderna, atual e ao mesmo tempo liberal, que muitas coisas podem ser vistas a bons olhos. Mas, em compensação, outras podem ser consideradas como ofensas sutis.

Não que eu ache preconceito. Só que essas peças desenvolvidas recentemente pela MatosGrey para a revista VIP, ao exaltar o conceito da mídia, acho que se exaltaram também um pouco nas palavras. Não quero iniciar aqui uma polêmica, porém, penso que esses termos poderiam ser evitados. Os anúncios são bons, mas que gera um pouco de discussão gera. E você, o que acha?
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Palavras

Palavras podem ser escritas, faladas e ouvidas, mas de nada servem se não bem interpretadas.

Nada romântico

O romantismo é uma máscara que está presente no coração dos que não amam e na mente dos que sentem falta de carícias. Quem ama, ama. Ponto.

Microconto #22

Sentia-se só. Procurou ajuda em igrejas e terreiros. Não resolveu o problema, mas sozinho não estava mais, arrumara muitos encostos.

Horóscopo

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Desculpem-me os astrônomos, astrólogos, astrofísicos, astrológicos, astrogeológicos, astrofóbicos, astroarqueólogos, astrogildos, astroman, astroboy, astro (cachorro dos Jetsons), ou seja lá qual for a entidade responsável pelo horóscopo. Mas, a verdade seja dita, não importa o dia, o local ou qual signo seja lido, todos se encaixam pra você, é uma verdade(?) genérica. É como se naquele mundo não existisse a mentira. Um lugar mágico (se realmente existisse).

Veja um exemplo que li outro dia (não importa saber quando nem qual signo era, e que uma coisa fique bem clara, só li por curiosidade):

Um dia calmo, nada vai te tirar do sério a não ser que você queira. Grandes possibilidades de sorte na sua relação a dois. Invista.

Maravilha, até me senti melhor, fala a verdade, você não?

Update: 08h55min

Já que é pra avacalhar vamos avacalhar. Deixe aí nos comentários seu NOME / SIGNO / OBJETO QUE MAIS GOSTA (pode ser fálico ou não) que o PAI TIAGO vai fazer a leitura do seu dia.

Microconto #21

- Acéfalo. Esse foi o diagnóstico do médico. Pra mãe, o filho ia nascer de qualquer jeito, no mínimo, ele poderia virar político.

Microconto #20

Seu coração se fazia em pedaços a cada novo amor. Passaram canalhas e imbecís. Quando o amado chegou, infelizmente não havia mais cacos.

Eu vejo o futuro repetir o passado

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A história dos Estados Unidos não é feita de bons exemplos para a humanidade. Porém, tendências e grandes manifestações já fizeram de lá, algumas vezes, um lugar interessante para morar (só algumas vezes). O retrospecto político também não serve de inspiração em especial para nenhum país. Grandes crises seguidas de grandes guerras e grandes guerras mesmo sem nenhuma crise.

O “boom” mundial do momento são as eleições presidenciais. Não quero falar sobre o presente assunto, prefiro fazer uma reflexão a respeito do passado, e gostaria de convidá-lo a isso. Se tiver interesse, o próximo parágrafo dará início ao assunto, caso contrário, temos ótimas ofertas em nossa seção “Estou cagando e andando para esse assunto”, que fica logo ali em qualquer outro post.

Em 1861, Abraham Lincoln é eleito ao comando dos Estados Unidos, como o primeiro presidente republicano da história. Com sua posse, o Sul e o Norte resolvem disputar interesses e é dado início a chamada “Guerra da Secessão”, que perdurou por quase todo o seu mandato. Lincoln, apesar de ser um membro do partido republicano, teve discursos considerados marcos da democracia. Com uma visão ambiciosa, mas ao mesmo tempo renovadora (soa familiar?), publicou em 1862 a proclamação para a liberdade dos escravos nos estados confederados.

Em 1865, logo após a Guerra da Secessão ter chegado ao fim, um simpatizante do conflito dispara um tiro na cabeça de Lincoln, e assim, resolve um conflito pessoal.

Algumas décadas depois do incidente, chega ao comando dos Estados Unidos um novo presidente, dessa vez democrata de ofício. John Fitzgerald Kennedy. Considerado por muitos, um dos maiores líderes mundiais do século 20. Ainda novo no comando, é responsável por colocar em ordem um país que vive uma crise econômica (soa familiar de novo?), causada pela invasão de Cuba. Também revolucionário, cria a “Aliança para o Progresso”, com o objetivo de ajudar os países sul-americanos.

Em 1963, preparando-se para a reeleição que aconteceria no ano seguinte, Kennedy é atingido, coincidentemente, na cabeça, por um outro louco, que antes de ser preso também é assassinado (queima de arquivo?). Dessa forma a América perde quase um pai. (Aqui cabe uma dica de documentário, “Primárias” que conta a história das eleições de Kennedy, assim como “Entre atos” fez com Lula).

Agora, mais uma vez, décadas depois, um outro nome surge. Um democrata com uma proposta nova para a época, mas antiga para a história. Barack Hussein Obama, Jr. O primeiro candidato negro da história dos Estados Unidos, propõe mudanças e transformações, pretende resolver o problema da crise e da guerra de uma forma renovadora. Mudança, esse é o norte de sua campanha, disputada contra John McCain. Obama faz uma candidatura impecável, com mídias e estratégias dignas do século XXI, conquista a todos, dentro e fora de seu país.

Meu objetivo não era fazer apologias aos Estados Unidos (aqui sim eu estou cagando e andando), não era fazer referências às campanhas milionárias, não era mostrar ações impressionantes, não era fazer menção ao dia das eleições e nem muito menos ao seu resultado, mas, caso Obama venha a ser eleito pelo povo estadunidense (e pelo mundo), ficarei torcendo para que a bandeira americana não precise ser hasteada a meio mastro novamente.