Tudo o que você queria saber sobre Avatar, mas tinha medo de perguntar

Vou começar o post com um desabafo: eu não preciso gostar de Avatar, tá ok?

A febre do momento é falar sobre o mais recente trabalho de James Cameron, diretor de alguns filmes ruins e outros como: Piranhas II, Segredo do Abismo, True Lies e Fantasmas do Abismo.
Sim, vou ser irônico. Então, se você é mais um Titanicmaníaco é melhor parar de ler por aqui.

O longa tem um cuidado especial com a computação gráfica, isso é inegável. É diferente? Sim. É bonito esteticamente? Sim. Mas não consegui achar em meio a tudo isso a inovação.

O filme é feito em cima dos tradicionais estereótipos hollywoodianos, o que de cara já não dá pra falar que seria um filme para revolucionar o cinema. Vamos mais; corre boatos que o filme já estava em projeto a mais de 15 anos, e que Cameron esperou o momento certo do avanço tecnológico para lançar; o que Lucas também já fez. Além disso, o principal receio de Cameron era esperar demais e acabar lançando o filme um pouco fora de contexto, não acho que isso tenha acontecido, falar sobre aquecimento global e as interferências humanas no meio ambiente é um assunto novo e praticamente inexplorado.

Outro detalhe da chamada “obra inovadora” foi a incrível referência de roteiro (super original também, diga-se de passagem) e personagens, com a HQ Timespirits, da Marvel, lançada na década de 80. Sem falar das gastas referências na criação das situações, dos cenários e da robótica.
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Minha experiência com o filme foi em uma sala convencional de cinema, não passei por nenhum óculos 3D ou salas da IMAX. Um amigo me disse que foi exatamente por isso que o filme não me encantou, essas foram as palavras, “se você não viu em 3D você perdeu tudo”.

E foi daí que surgiu essa crítica, de uma pessoa que adorou o filme. Se a única coisa que um filme tem pra me passar é a experiência visual e sensorial, pra mim ele não é um filme. Ele é pura e simplesmente uma experiência visual e sensorial. Que aqui sim, Cameron cumpriu um bonito trabalho. Mas só.

Microconto #172

5 da manhã.
A plataforma cheia aguarda o transporte dos produtores de ganha pão.
O dia não importa,
são todos iguais.

Microconto #171

Com a música alta, fazia uma apresentação solo, pra uma platéia transeunte e nem percebia o mico que pagava com os fones no ouvido.

Microconto #170

Levava chocolate pra esposa todos os dias, mas sempre era assaltado no meio do caminho por seu próprio estômago.

Depois de um outro fim qualquer

Depois do fim, eu preciso de um tempo pra mim. Digerir a situação. Buscar uma embriagues literária, e no fim, descobrir que tudo que escrevi enquanto sofria sem sexo; está sem nexo, coesão, coerência, e principalmente, sem essência. Nada de essência.

Microconto #169

Ele acorda um dia e descobre que o mundo não é mais mundo.
O mundo, na verdade é modo, é jeito, é forma, é status, e, acima de tudo, mudo.

Microconto #168

Misturaram seus estilos em uma perfeita homogeneidade cultural.

Microconto #167

O zelador do parque de diversões, em meio a toda escuridão, nunca entendeu de onde vinha a alegria das famílias durante o dia.

Branco literário

Incansavelmente eu tentava resgatar algumas palavras do ainda mínimo repertório que tinha. Não era fácil. Além da saudade que a inspiração deixava, minha simples bagagem não era suficiente nem pra uma humilde viagem ao mundo da criatividade literária.

Foram letras difíceis. Muito difíceis por sinal. A cada nova palavra que esboçava se formar, um turbilhão de alegria se exauria, e óbvio, secava novamente a fonte da insistência.

Não era fácil.

Inquietação, desespero e raiva da mente, tomavam conta do meu corpo. O corpo, por sua vez, sentia a ânsia de vomitar naquele pedaço branco do editor de texto, apenas uma palavra. Uma - maldita - palavra - que - pudesse - resgatar - a - inspiração.

Mas, contra minha vontade, o relógio não parou seu ciclo, o tempo não deixou de seguir sua forma rápida e cruel de passar e o insensível pontapé inicial não saia. O branco se tornava mais branco. Eu não sabia o que cuspir na tela. Escarrar, quem sabe; até o asco poderia resolver o meu problema.

Mas não. Nem ele apareceu.

Foram no começo, saudáveis minutos, depois, estranhas horas e agora, agonizantes dias. Mas não veio. Nada. Nem mesmo uma frase, um ditado, um trocadilho ou quem sabe um trocadalho.

Seco.

Escasso.

Parco.
Poderia ser um verso. É. Isso. Um verso. Pedi à memória que resgatasse qualquer resquício romântico, perdido e largado no fundo do inconsciente. Mas o que eu não lembrava é que não amo faz tempo. Não sei mais o que é amor.

Nossa. Será que até isso secou? Já não bastava a inspiração para escrever? Por que o amor também teve que sumir?

Não, por favor, o amor não. Pedi inocentemente, deixe-me pelo menos o amor pela escrita. Com ele acho que recupero a inspiração.

Nada feito.

Cheguei ao final dessa crônica sem saber como começar. Não sei se estou em uma abstinência literária criativa ou apenas em uma rebeldia mental. Não sei mesmo. A única coisa que sei agora, é, socraticamente, que nada sei.

Tokyo! e as 3 visões da existência

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Michel Gondry, Leos Carax e Joon-ho Bong. Três gigantes nomes do cinema se encontram pra dividir a direção em Tokyo!

O filme é uma reunião de signos, estereótipos, significações, referências e críticas divididas em três partes. Cada uma comandada sob o olhar de um dos diretores.

“Os filmes”, ganham muito com as propostas de narrativas e com as personagens. Não há como destacar um dos três, todos trabalham com um olhar contemporâneo os problemas da atualidade, da tecnologia, do encasulamento social, da necessidade constante de se sentir útil e dos preconceitos, não necessariamente nessa ordem, mas todos com o olhar clássico e extravagante do cinema oriental, em alguns casos até sarcástico.

Vale conferir. Muito boa referência de cinema alternativo. Só esperava mais na questão de novidades nos enquadramentos, fotografias e cenas, tanto quanto inovaram nos roteiros. Mas o que não faz o longa dos curtas perder em momento algum.

Microconto #166

Depois de dar mais quatro tiros, o custo do assalto saiu mais caro do que o retorno.

Microconto #165

A única certeza que tinha era a de estar sempre cheio de dúvidas.

Microconto #164

Pra ele não existia esse negócio romântico de Romeu e Julieta. Deu a ela todo o veneno e foi curtir a vida de solteiro.

Homogeneamente juntos

Quero te ver, sentir e beijar.
Quero, o seu arrepio, na minha pele.
Quero você, macia, no meu corpo.
Quero sua boca, molhada, na minha.
Quero suas costas, quente, no meu peito.
O calor.
O prazer.
O carinho.
E o tesão.
Tudo misturado.