O carona

É noite.
A cada 200 metros um ponto fraco de luz pública ilumina a estrada. Estou andando já faz uns 40 minutos.
Minha sombra surge no asfalto embaixo dos pés e estica violentamente pra frente até se deformar. Mais um carro passou por mim.
Não sei se peço carona. Da última vez as coisas quase não terminaram bem.
Era um Ford branco. Uma picape velha. Acharam no desvio do quilômetro 107 duas semanas depois.
O motorista era grande e demorou pra acreditar quando viu a faca.
Minha sombra agora estica devagar. Um caminhão para. Aceito a carona. Sento no banco do passageiro e conto as mentiras de sempre.
Mal sabia eu que as intenções do outro lado do banco, dessa vez, eram as mesmas que as minhas.

2 comentários:

Mariane Braga disse...

Olá, estive conhecendo o seu blog e aproveito para deixar o meu também: http://blogcognicao.blogspot.com

Abraços!

Marcelo R. Rezende disse...

Roteiro de filme de suspense dos anos 80 *-*