O Homem ao Lado incomoda os vizinhos.

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O cinema argentino, assim como boa parte do que está sendo produzido pela América Latina nos últimos anos, vem numa ascensão agradável. O Segredo de seus Olhos foi um pedaço desse iceberg que o mundo conseguiu ver ultimamente. Não diferente seria com O Banheiro do Papa em parceria franco-uruguaia, A Teta Assustada, um filme peruano ou mesmo o também argentino XXY de 2007, todos com menos visibilidade, mas de igual qualidade.

Um dos mais recentes trabalhos dos hermanos, já premiados em alguns festivais, é O Homem ao Lado. O filme conta a história de Leonardo, sistemático, pseudo-intelectual, renomado designer/decorador e fracassado como ser humano, que mora em La Plata, com mulher e filha, na única residência que o arquiteto/urbanista francês, Le Corbusier, construiu na América Latina. Até que Víctor, o mais novo vizinho, resolve tirar a paz da família, ao fazer uma janela de frente pra casa de Leonardo. De longe ainda consegui ver uma sutil referência trazida de A Mulher do Lado, de Truffaut.

Bem, o filme é isso. Conflitos internos, conivência e metáforas. E só isso. E aqui está toda a capacidade e sensibilidade em contar histórias. Fotografia, direção, tomadas, recursos de enquadramento que mostram o protagonista sempre se escondendo da vida, o humor feito no silêncio, o drama, a interpretação, a acidez, o sarcasmo, enfim. O Homem ao Lado não é o melhor trabalho de todos os tempos, mas é a prova de que cada vez mais, o cinema argentino se aproxima do europeu, e com certeza incomoda também o vizinhos americanos.

2 comentários:

meunonsense disse...

Quando eu assisti esse filme, fiquei ns 3 dias pensando nele. Fora tudo isso que você comentou (e que eu concordo), a cena final é a peça chave! Não sei se viajei demais, mas tirei diversas conclusões sobre este filme.
Viva o cinema argentino!

Tiago Moralles disse...

Bom o final né?
Tão bom quanto a cena inicial.