Anticristo

.
.
As pessoas assistem aos filmes pelas mais variadas finalidades. Confesso que quando fui ver Anticristo, tinha muito mais em mente a atuação de Charlotte Gainsbourg do que referências de Lars von Trier como diretor. Mas, preciso assumir o desapontamento.

O filme não era o que eu espera, a direção não era o que eu imaginava e muito menos as atuações passaram perto. Tudo que vi de projeção durante 100 minutos foi,
pura arte.

Uma superação. Um olhar. Um cuidado. Um detalhe.

A começar pelo prólogo. Magistralmente conduzido, o início do filme mescla cenas em preto e branco, ao som de uma ária de Handel rodado em alta captação, fazendo um mágico abuso na câmera lenta. E se não for um grande exagero da minha parte, um dos melhores inícios do cinema nos últimos tempos.

Como já decidi há alguns textos, não perder mais tempo em contar a história do filme, quero só falar sobre minha experiência com o trabalho de Lars. Fora prólogo e epílogo, o longa é dividido em outras três partes e conta uma história que você acha em qualquer resenha do filme por aí.

Além do abuso inicial da câmera lenta e outras aparições durante o filme, o diretor usa recursos maravilhosamente incômodos. Assim como as fortes cenas de violência e as grotescas cenas de sexo, capazes de provocar contorções em diversas pessoas na sala, O filme atinge seu ápice como produção, sensação, direção e principalmente interpretação, rendendo a Charlotte o prêmio de Melhor Atriz no último festival de Cannes.

Se o objetivo era ser incômodo, parabéns a Lars, saí da sala muito mais consciente de ter visto arte camuflada de filme do que um filme maquiado de provocações como o já falecido Brüno.

6 comentários:

Felipe A. Carriço disse...

Não sou um devorador de filmes como você, mas fiquei com vontade de assistir esse.

Ps. Sua foto do perfil tá engraçada! HEHE

Tiago F. Moralles disse...

Vale conferir sim.

Kenzo Kimura disse...

O novo site tá me dando tanto trabalho que fazia tempo que não pisava aqui.

Nova foto no perfil, fontes maiores e algo que continua o mesmo: bons textos.

Faço das palavras do Felipe as minhas. Verei esse filme o quanto antes.

Abraço.

Tiago F. Moralles disse...

Está tomando seu tempo porque está ficando bom.
Vale ver mesmo. Quero saber o que achou depois.
Abraço.

Sakana-san disse...

Desculpe-me, faz pouco tempo que me indicaram seu blog, então, uma curiosidade: vc assistiu ao filme Brüno? O que achou? ^__-

Luciano Bitencourt disse...

Tiago, um filme realmente frustrante em se tratando da expectativa que o diretor gera. Quanto à temática, eu prefiro o nacional "Um copo de cólera", trata do mesmo assunto e é muito mais pé no chão. Inclusive, na produção de filme autoral e sem sentido, nós tupiniquins somos campeões.