Tinha tudo pra ser mais do mesmo

Não quis tirar este texto pra falar exclusivamente de um filme, mas sim de uma característica interessante e comum em dois dos quais assisti essa semana. Tratando em ordem de produção, um deles foi O Bebê de Rosemary.

Considerado um grande clássico do cinema-terror, foi dirigido pelo mestre Roman Polanski (em minha opinião, mestre, muito mais pelos trabalhos feitos de 80 pra trás, com exceção para O Pianista). Tem Mia Farrow (a queridinha de Wood Allen) como protagonista em uma ótima interpretação. Conta também com Maurice Evans (de pouca expressão), Ralph Bellamy (idem), John Cassavetes (que também já trabalhou como diretor), Sidney Blackmer e Ruth Gordon premiada com Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante na ocasião.
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O outro filme foi Primer. Pra falar desse, basicamente pode-se citar um nome, Shane Carruth. Produzido de forma independente, Primer foi a porta de entrada de Carruth como diretor, ator, roteirista, produtor, editor, compositor e diretor de fotografia. É um filme de ficção científica (pasmem), feito com míseros 7 mil dólares. Porém, o baixo orçamento não foi suficiente para desmerecer o trabalho. A história em si trata sobre um experimento que acaba proporcionando aos protagonistas, Aaron e Abe, viajar no tempo.
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Não vou perder tempo com sinopses e resenhas, sendo que é possível achar isso em qualquer outro site/blog mais especializado. O que queria discutir é sobre a capacidade de tratar um tema, sem tratar desse tema.

Tá, explico.

O Bebê de Rosemary é um filme de terror, mas um terror psicológico, talvez um ou outro frame possa fugir disso, mas não é aquele tipo de filme que monstros, sangue, olhos, ossos e gritos escorrem e ecoam por toda a sala. Muito pelo contrário, Polanski consegue colocar o horror dentro da nossa imaginação, da mesma forma que brinca com a cabeça de Rosemary, colocando-nos como cúmplices de uma loucura, ou participantes de uma seita, o que varia de acordo com o ponto de vista.

Primer por sua vez, é um filme de ficção científica que não conta com nenhum efeito especial. Denso, inteligente e instigante, pode ser chamado também de nerd. O roteiro é complexo, mas bem amarrado. O filme não tem apenas uma trama, várias pontas podem ser ligadas durante o pouco tempo de projeção. E aqui vai um conselho, caso vá assistir, reserve pelo menos o dobro do tempo, dificilmente consiga perceber todos os detalhes em uma única exibição.

Apesar de Primer ser um trabalho de baixíssimo investimento, é um grande exemplo da possibilidade de contar uma história envolvente, valendo-se apenas do contexto. Óbvio que se os direitos fossem comprados pelo cinema comercial hollywoodiano, assim como há especulações de um remake de O Bebê de Rosemary, as obras estariam repletas de efeitos especiais, entrariam pro hall da fama Spielberguiano, completariam a avalanche anual de mais dos mesmos, e aí sim, com certeza, eu não perderia tempo falando disso aqui.

6 comentários:

Gordinha disse...

Huum! Boa! Acho que vou fazer minha mãe me dar dinheiro para alugar os dois hoje! Já que eu não tenho dinheiro para ir ao noitão ...

Bjs!
=D

Tiago F. Moralles disse...

Uma boa pedida. Só não sei se você vai achar Primer na locadora.

Marina disse...

Fiquei com vontade de alugar Primer, aí você vem e diz que não tem na locadora? Bah.

Valeu pelas dicas, vou ver onde encontro.

Tiago F. Moralles disse...

Desculpa Mari.

Vai a dica pra quem não conseguir alugar:

Vídeo, sem legenda (dá pra fazer download também): http://video.google.com/videoplay?docid=3909854615539675694

Aqui a legenda pra quem baixar: http://www.opensubtitles.org/pt/search/imdbid-390384/sublanguageid-pob

Rai.~ disse...

O Bebê de Rosemary atormentou minha infância. Assim como A Mão Que Balança o Berço.

E a cena da menina envelhecendo dentro do quadro em A Convenção das Bruxas.

Tiago F. Moralles disse...

Convenção das Bruxas?
O clássico do cinema em casa.