Romances efêmeros

Ah, paixão efêmera, de uma infância efêmera de efêmeras também lembranças. Queria eu poder dizer dessa época como se já tivesse passado há muito tempo. Mas isso faria parecer-me calunioso, pois essa fase ainda nem bem pode ser chamada de passado, graças ao seu recente acontecimento.

Repito esses momentos aqui, pois dia desses, cruzei pelas andanças, com paixão antiga, paixão como disse, efêmera. Queria eu podê-la chamar de eternal, mas a brevidade do amor não me permitiu.

Foram pequenos instantes, mas instantes suficientes para que a memória sofresse com o desejo do regresso. Quando disse infância, quis referir-me ao mais puro e angelical momento dos amores, os amores jovens, sem pesos e cobranças. Os amores dos beijos.

Cobiçada por alguns; não por todos, já que beleza é somente um gostar subjetivo; eu era um desses alguns. Lindos olhos, era isso que me atraia. Nunca me passou pela ingênua mente que aquele desejo viraria realidade, não por falta de imaginação, claro, mais por falta de contexto.

Apesar de ser uma recordação não muito distante, faltam-me lembranças para explicar ao leitor como tudo aconteceu, sei que foi um momento de fraqueza romântica da menina, como na ocasião ainda poderia ser chamada. As palavras foram trocadas, as bocas unidas e assim, o mundo calou-se naquele instante.

Aos meus olhos, houve prestidigitação, apesar de breve, muito breve por sinal, um beijo que me fez sentir iludido, e usado para acalentar um coração. Mesmo sabendo que não era recíproco amor, beijei; fui beijado e usado, disso eu tinha certeza. Mas, reiterando, dia desses, cruzei pelas andanças, com paixão antiga.

Os olhares também se cruzaram, diferentemente das bocas que só se limitaram a um regozijo. As lembranças deixaram saudade, e, por mais que eu quisesse, sabia que, infelizmente, não voltaria a me sentir usado.

16 comentários:

Natalya Nunes disse...

Olhares que se encontram
e fazem se perder...
Lábios que se tocam
e fazem esquecer

Saudades,
lembranças,
momentos...
Verdades,
esperança
de voltar ao tempo...

Ai ai, Ti... é tão bom ser 'usado' por esses paixões, mesmo quando são efêmeras...
Nem sempre elas duram para sempre, mas a lembrança...Ah...essa é difícil de apagar.


Um beijo e bom começo de semana pra vc, seu Lindo! ♥~

Tiago Moralles disse...

Ah Naty, é tão bom quando os momentos ficam. Mesmo que momentaneamente.

Matéria Escura disse...

é foda
ah sei lá
o coração é foda
putz
já passei por algo parecido
é meu caro
esse é o preço de não sermos pedras ou algo do tipo
somos humanos
escrevi uma coisa que aborda mais ou menos isso aí:

http://codigoarisco.blogspot.com/2010/04/94_07.html


abraço.

quandoeumechamarsaudade disse...

Alguns amores são fugazes e envolventes. E logo, furtivos, vão-se e deixam as lembranças. Doces lembranças.

Adorei o texto Ti.

Beijo.

Lady disse...

Bom dia!
Ah, os momentos...
A vida é curta,mas as emoções duram uma eternidade.
Conhecemos pessoas que vem e que vão, que ficam, mas depois de algum tempo se vão.
Existem pesssoas tão especiais, que quando se vão, ficamos com uma enorme saudade.
Tenha uma semana maravilhosa.
Beijo carinhoso

Tiago Moralles disse...

Bom texto Ryan.
_

Fã e Lady, os momentos são feitos de momentos.

V i h disse...

Enquanto estamos sendo usados, pouco ligamos...
O problema vem depois...

Se o coração deixasse a boca reunir paixão e efêmera na mesma frase sem negações, seria tão mais simples...

- gabs, disse...

Quando amamos, não importa se não desperta o mesmo sentimento no outro, se o temos ao nosso lado, já basta.
Nem que seja somente naquele momento... desde que aconteça.

Tiago Moralles disse...

Gabs, tenho essa e outras dúvidas sobre o amor.

Diu Mota disse...

Entender? para quê? O sentimento já existe. Existiu. Que seja.

inté

Dani Brito disse...

Mesmo que lembranças deixem gosto de saudade, é melhor quando acaba enquanto ainda se pode lembrar com amor. Ruim é lembrar de bons momentos que tiveram finais ruins. Um instante só com a pessoa certa, provoca o que mil instantes com pessoas erradas não chegam nem perto.
Beijos

KAYAN disse...

Como é efêmera a dor eterna do amor, não é mesmo?
Por falar nisso, o que é o amor? Um eterna efemeridade?
Amor??
?

Fê Colcerniani Justo disse...

Nossa, como é "desconcertante rever um grande"...
Seu texto me fez pensar, pensar.... não em mim, mas nessa exata história... E realmente dá para entender que nem tudo que é efêmero, é efêmero dentro de nós...
Bjsss

Tiago Moralles disse...

Diu, Dani e Kayan, acho que a Fê deu uma boa complicada em nossas mentes hehe
"dá para entender que nem tudo que é efêmero, é efêmero dentro de nós"
Gostei desse raciocínio.

Felipe A. Carriço disse...

Muito bonito, meu velho.

O amor tem dessas coisas... alguns nunca vão embora... ficam por aí, pela visinhança.

Renata de Aragão Lopes disse...

"Os amores dos beijos."

Que LINDO isso!

Beijo,
doce de lira