Quase primavera

Setembro.

Um longo inverno branco como algodão, castiga o sul do país de uma forma nunca vista antes.

Seu Beto, com quase três quartos de século nas costas, é o único humano morador de uma casa bem afastada da civilização.

Como que por castigo a seus pobres ossos, o frio não permanece do lado de fora da casa como deveria, e dolorosamente pode ser ouvido maltratando as janelas de madeira apodrecida.

Dentro da casa, uma lareira, com fogo ainda intenso, tenta em vão, aquecer seu Beto e o ambiente, que sofrem com o infeliz desejo climático da natureza.

Um ninho de pássaros no telhado, abriga uma pequena família que ainda não desistiu de completar o ciclo de vida natural e trava uma luta contra o tempo, na busca de resistir até o próximo raiar do sol. O que a essa altura da noite, não parece estar tão próximo e certo.

Não só os pobres pássaros, mas alguns animais ainda podem ser ouvidos fora da cabana,
mas isso,
só por enquanto.

Na cozinha, um bule corajoso, vence o desgraçado frio, e como vitória, ganha o direito de aquecer um pouco de água. Água essa, que o morador colocou na esperança de beber um pouco de chá muito em breve. A bebida está longe de ficar pronta, não pela falta de mantimentos que a memória fez seu Beto esquecer, mas, porque o frio reduz muito seus movimentos.

Mesmo com toda a humilde proteção de sua cabana, o corpo do morador esfria cada vez mais. Uma corrente de ar gélido ultrapassa as portas que rangem suavemente.

As horas passam, o vento continua soprando e já não se ouve mais nenhum animal fora da casa; enquanto isso, dentro dela, o máximo esforço que seu Beto consegue fazer, é virar as poucas páginas de um livro próximo do final. Usa isso como distração para ignorar os calafrios que movimentam seu corpo esporadicamente.

Um momento incerto da noite, não se sabe à hora, pois até o relógio poupa suas forças; o vento cessa, a neve não cai, as portas não rangem, as janelas não batem, a água do bule já evaporara, a lareira já apagara, e um simples fio de luz do sol, faz com que o único som que possa ser ouvido, seja a felicidade de uma família de pássaros que aguardou intermináveis dias para enfim, poder saborear a época das flores.

Sorte deles, pois naquela casa de campo, foram os únicos moradores que puderam acordar para ver a primavera.

20 comentários:

Luana disse...

Estava fuçando em uns blogs por aí e achei o seu! Gostei muito daqui! Vou seguir! :)

Passa lá pra conhecer o meu, depois!

Beijos

Diu Mota disse...

É vida. É crônica.

feliz dias
inté

Tiago Moralles disse...

Brigado pela visita Luana, sinta-se em casa.
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Microbeijos Diu.

Gabi Takan disse...

Adorei a crônica Ti!! Momento de reflexão após a leitura!! rs
beijos

Felipe Carriço disse...

Ainda tem a gravacão? Publica aí!

Tiago Moralles disse...

Bom te ver Gabi.
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Lineu, tenho que procurar.

Laura K. disse...

As relações, a vida e as estações. Tudo tem seu fim. É inevitável.

MariaIvone disse...

Passei para desejar um Feliz Natal


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Beijos
MariaIvone

Pedro disse...

Fica só a certeza de que, em algum lugar, a vida bate... até parar.


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Bom te ler também com mais palavras. ;-)

Camila Fontenele disse...

E nos grandes contos tu consegues surpreender, a vida chama pra viver - e ela também te chama pra parar, é como um código que só nós sabemos.

Um beijo ;*

Tiago Moralles disse...

Laura, Ivone, Pedro e Camila, obrigado pelas vistas e pelas palavras.
Boas festas pra gente.

Carol. disse...

Nossa..que lindo.
Fez até bem.

Feliz Natal.
Deus abençoe você e sua família.

Ju Fuzetto disse...

É quase setembro, as rosas começam a reinar. Plantei um pé de vento no peito, quando a noite sopra o vento sai....

Um beijo Tiii...

Por que você faz poema? disse...

Adeus, ano novo!

Vivian disse...

...Tiago meu menino lindo,

"O laço que une a sua
família verdadeira não
é de sangue, mas de
respeito e alegria
pela vida um do outro.

Raramente os membros de
uma família se criam
sob o mesmo teto."

Richard Bach [Ilusões]


...eu penso que na blogosfera
também é assim, um lugar onde
fazemos tantos amigos/irmãos,
atraídos pelas afinidades de
alma.

e é em nome destas afinidades
que eu estou aqui desejando à
você que sempre esteve comigo,
um felicíssimo 2011, ano em que
se Deus quiser, também estaremos
juntos nos caminhos do amor!

bjbj

Tiago Moralles disse...

Carol, Ju e Herculano, feliz ano novo.
_

Vi, obrigado pelas palavras.

Daiana Costa disse...

E algumas pessoas 'morrem' assim, com o fim de uma estação, ou no fim de um mês, ou no fim de um dia... Ou permanecem morrendo aos poucos, até que o fim o desintegre por inteiro.

Ótimo texto.

Tiago Moralles disse...

A vida é assim Dai, aos poucos.

Thiara Pagani disse...

Bom, poder acordar pra ver a primavera.
Florescer.

Lucre $$$ com seu Blog! disse...

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OBRIGADO!
Marcos Roberto