Cena do Crime - Capítulo 5/5

Três dias depois foi o enterro do militar morto no confronto.
E, enquanto o caixão descia, mais um grito de justiça não foi ouvido.

Cena do Crime - Capítulo 4/5

O carro do IML não deixava o lugar. Pedras voaram, pneus queimaram e o confronto foi inevitável.
Apenas um policial morreu.

Cena do Crime - Capítulo 3/5

- Justiça! Gritou uma das mulheres que deu início ao coro da multidão.
Sob ordens, os subordinados retiraram o corpo do trabalhador.

Cena do Crime - Capítulo 2/5

Do lado de fora um investigador apenas anotava e fotografava, ao som dos flashs e do vento balançando a faixa listrada de proteção.

Cena do Crime - Capítulo 1/5

Vermelho, azul, vermelho, azul.
A cor ambiente alternou comandada pela luz da viatura.

Microconto #285

Os moradores de rua,
brincavam de escolher cardápio,
em frente a um outdoor do McDonalds.

Microconto #284

Hoje, depois de todo esse tempo sem você, olhei pra cama e te imaginei de costas, dormindo, nua sob o lençol a me provocar fetiches.

Microconto #283

O relógio porra! Bateu no vidro a arma.
Não tirou. O filho que deu.
Olhou o farol.
Vermelho, mas dava.
Não deu.

Para Elisa

E nossos encontros passaram a ser fictícios.

Não no começo. No começo, na verdade, nós nem nos encontrávamos. Trocávamos mensagens que eram exercícios sintéticos e mal intencionados. Remetiam na cabeça dela, mesmo sendo comprometida, a algo romântico; mas na minha cabeça, a libertinagem dava gás aos pensamentos.

Eram mensagens curtas, longas e às vezes desconexas. Eu alimentando um desejo inviável e ela alimentando uma paixão imatura. Eu querendo algo profundo e ela buscando superficialidade. Eu torcendo por um sim e ela contente com qualquer talvez.

A comunicação foi aumentando assim como minha admiração. Passava horas pra redigir uma linha que expressasse tudo o que eu sentia. Às vezes dias pra escrever uma mensagem que deveria dizer muito mais do que minha capacidade intelectual permitia.

Aos poucos nossas palavras começaram a parecer mais íntimas. Nossos destinos tendiam a se cruzar em breve. E eu não estava errado. Foi o que aconteceu em pouco tempo. Não sei com quem começou e nem como, mas as rotinas sincronizaram, e dia e a hora foram marcados.

Lá estava. Eu, claro. Ela deveria chegar em breve. Deveria, pelo menos era esse o combinado. Atraso considerado, afinal, era o primeiro encontro, ela tinha o direito, isso não seria nenhum problema pra mim. Resisti paciente.

Ela não foi.

Fisicamente. Mas estava lá no meu coração. Cheguei a fantasiar o momento do encontro, o momento em que meus olhos veriam aqueles lábios dizendo “oi” com toda a delicadeza que a fantasia me permitia imaginar. Mas ela não foi.

Nem por isso deixei de pensar na sua presença. Nem por isso deixei de imaginar seu corpo, seu sorriso e seus olhos. Ela também não mais escreveu.

Nem por isso deixei de escrever. Nem por isso deixei de imaginar as respostas, as gírias, os jeitos e as manias. Ela nunca mais apareceu.

Nem por isso deixei de acreditar num novo encontro. Nem por isso deixei de marcar novos encontros. Continuei a aparecer, todos os dias, nas mesmas horas e sempre a via chegar. Ela nunca soube, mas foi assim que nossos encontros passaram a ser fictícios.

Microconto #282

O mundo balançava,
toda vez que o autista se irritava.

Microconto #281

As esperanças ganharam coragem na camuflagem noturna.
E assim, de hoje em diante, todos os travesseiros passaram a derramar sonhos.

Microconto #280

A noite, no convento, o quarto do pecado era o único lugar onde ninguém dormia.

Microconto #279

Olhando pela janela do futuro não conseguia ver do outro lado.
Tudo culpa da condensação de um presente sórdido e frio.

Microconto #278

“Fui comprar cigarros. Papai te ama.”

Ela chora enquanto lê,
e uma lágrima molha o papel,
hoje, amarelado.

Microconto #277

O homem ímpar teve apenas uma mulher, um filho, um emprego legal e um carro da moda, porque não passou da primeira safena.

Microconto #276

No ponto de ônibus,
enquanto os casacos indicavam a temperatura,
a saia chamava atenção.
O emprego era mais importante que o frio.

E o segundo turno, promete?

Numa coisa a gente vai concordar, nem todo mundo faz a escolha certa. Na sua opinião, devemos fazer mudanças ousadas ou como diz os mais conservadores, em time que está ganhando não se mexe?

Fato é, que muitos não merecem ocupar a posição que ocupam, e digo mais, muitos não têm amadurecimento pra tanto, e é incrível como tem gente que ainda acredita no contrário.

Indo mais fundo, a questão financeira é outro ponto que me incomoda. É absurda a quantidade de dinheiro que essas pessoas levam sem merecer, e pior, nosso retorno e satisfação nunca são correspondidos.

Mas quer saber o que é pior ainda? As pessoas que preferem não se envolver por achar que a situação no país não vai mudar e assim, ficam em cima do muro, na maioria das vezes desconversando sobre o assunto.

Quer um exemplo? Lê o texto de novo e imagina que eu tô reclamando do segundo turno do campeonato brasileiro de futebol. É a mesma coisa.

Este post expressa superficialmente a visão do autor sobre política.
E sobre futebol também.

Microconto #275

As pessoas foram perdendo as sombras, uma a uma, até a escuridão total.