O que me deixou mais satisfeito foi sua solicitação para ilustrar um dos meus microcontos, onde o mínimo que eu poderia fazer, era dizer um sim.
Aí embaixo você confere o belo trabalho executado.
A arma mais forte para sobreviver na guerra eram as cartas da mulher, marcadas de lágrimas.
Depois de 35 anos na detenção ele voltou pra rua do mesmo jeito que entrou: inocente.
O taxista, o carro e a viagem eram os de sempre.
Mas, agora, com o novo cliente, a vida tem que ser outra.
Viraram namorados virtuais, os corpos e as mentes se entenderam a distância, mas tudo graças ao darwinismo digital da sociedade.
Denunciou gritos no Ap. 712.
Porta arrombada.
Marido e mulher pegos em flagrante.
Crime mesmo seria ele não fazer as vontades dela.
Condicionado a pequenos raciocínios literários, não fazia mais do que isto.
Pedro e Tina se uniram no casamento, mas até hoje, compõem uma soma da qual os resultados não batem.
Passou a vida inteira esfregando o chão. Decidiu mudar, pediu as contas, arrumaria outro emprego. Não suportava mais a cara da patroa.

Metalinguagem.
Sim, essa é uma palavra que pode definir, e muito, a obra literária de Chico Buarque, Budapeste. Assim como o livro, o filme, mesmo com suas falhas execucionais (o que qualquer adaptação está sujeita), também carrega essa linguagem. Que, diga-se de passagem, muito bem detalhada por Walter Carvalho. Além da boa interpretação de quase todo elenco, o filme traz cenas agradáveis e bem construídas.
O cinema com toda sua desrealização da realidade, apresenta sempre uma forma de inovar na captação do ilusório, e em Budapeste não é diferente, o fim da projeção retoma todo um olhar do Cinema Verdade, iniciado na década de 60, e característico pelas desconstruções e pelo modo participativo. Paralelo a um documentário, o longa de Walter faz uso claro do narrador em primeira pessoa, retirado do livro, que faz aparições em voz over.
Essa montagem deixa ainda mais clara a dúvida na mente do espectador, de onde necessariamente começa a ficção, ou onde necessariamente acaba a realidade. José Costa, ghost writer, protagonista das obras, leva sua vida no anonimato, e, confunde a cada linha e a cada entrelinha, se na verdade a história é contada ao mesmo tempo em que é escrita, se é escrita ao mesmo tempo em que vivida, ou se é apenas uma dupla personalidade literária na cabeça do escritor, como fuga da vida em um mundo de sombras.
Ainda assim, fico com o livro, pelo simples fato da fluidez. O que não torna o filme de todo ruim, tirando o egocentrismo de Chico ao aparecer em cena, a interpretação de Giovanna Antonelli, fraca por sinal, e alguns detalhes inclusos para agregar valor a narrativa, Budapeste é bem fiel ao livro, com direito a gostosa confusão que é capaz de causar em nossas mentes.