Budapeste e sua metalinguagem

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Metalinguagem.
Sim, essa é uma palavra que pode definir, e muito, a obra literária de Chico Buarque, Budapeste. Assim como o livro, o filme, mesmo com suas falhas execucionais (o que qualquer adaptação está sujeita), também carrega essa linguagem. Que, diga-se de passagem, muito bem detalhada por Walter Carvalho. Além da boa interpretação de quase todo elenco, o filme traz cenas agradáveis e bem construídas.
O cinema com toda sua desrealização da realidade, apresenta sempre uma forma de inovar na captação do ilusório, e em Budapeste não é diferente, o fim da projeção retoma todo um olhar do Cinema Verdade, iniciado na década de 60, e característico pelas desconstruções e pelo modo participativo. Paralelo a um documentário, o longa de Walter faz uso claro do narrador em primeira pessoa, retirado do livro, que faz aparições em voz over.
Essa montagem deixa ainda mais clara a dúvida na mente do espectador, de onde necessariamente começa a ficção, ou onde necessariamente acaba a realidade. José Costa, ghost writer, protagonista das obras, leva sua vida no anonimato, e, confunde a cada linha e a cada entrelinha, se na verdade a história é contada ao mesmo tempo em que é escrita, se é escrita ao mesmo tempo em que vivida, ou se é apenas uma dupla personalidade literária na cabeça do escritor, como fuga da vida em um mundo de sombras.
Ainda assim, fico com o livro, pelo simples fato da fluidez. O que não torna o filme de todo ruim, tirando o egocentrismo de Chico ao aparecer em cena, a interpretação de Giovanna Antonelli, fraca por sinal, e alguns detalhes inclusos para agregar valor a narrativa, Budapeste é bem fiel ao livro, com direito a gostosa confusão que é capaz de causar em nossas mentes.
Comentários
Vamos lá: pra falar a verdade ficou faltando muitas coisas do livro... a história era mais linear e mais tragável, também! Acho que faltou um pouquinho mais de direção... E realmente, vc foi bonzinho ao falar da Giovana Antonelli, ela estava horrível!
Me decepcionou um pouco, já que como você se lembra (http://gordinhah.blogspot.com/2009/03/deus-lhe-pague.html), eu estava aguardando com muita ansiedade esse filme ...
E ah! As capas de todos os livros serem iguais as de Budapeste foi beeem forçado! hahahahah!
Bjs!
=D
Quanto a direção, eu acho que foi compensada com algumas boas sacadas.
E por fim, confesso, com a Giovanna eu realmente fui bonzinho hehe.
Microbeijo.
Por falar em metalinguagem, sexta tentei ver o Budapeste, mas aqui na Província de São Pedro já saiu de cartaz. Então optei por Sinédoque, Nova York. É o primeiro filme que o roteirista Charlie Kaufman (Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças) dirige. Muito bom. Escreverei sobre no blog.
Abraço,
Perto do livro, o filme não me agradou...
O diretor não abriu um leque de opções como Chico fez no livro. Ele foi muito imparcial na opinião sobre o verdadeiro escritor de "Budapeste". Algumas incoerências também me fizeram assistir o filme, a partir de certo ponto, com um pouco de preconceito.
Não concordo com o você diz do diretor. Ele trabalhou muito sem sal nem açúcar. Não manteve o estilo do livro.
A única artista que realmente se destacou foi Kriska, e acredito que podemos esperar alguma premiação como coadjuvante.
Metalinguístico ao extremo, inclusive com a aparição cômica do Chico Buarque no próprio filme. Eca.
Se fosse continuar falando o que achei demandaria muito tempo, e contaria a história pra quem ainda quer assistir.
O filme ainda não vi, mas deste fds não passa.
abraço Tiagão
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Lineu, dentro das limitações nacionais, de investimento e adaptacionais, acredito que o filme não foi de todo ruim, sei que teve pontos fracos, mas acredito que seja uma boa luz para o cinema nacional fora das comédias globais.
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Fernandão, assiste e depois comenta então. Vou esperar.
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Microabraços.
Bjo e boa semana.
Quero saber sua opinião quando assitir então.
Microbeijo.