Mazelas sociais televisionadas

Ainda vivemos intensamente problemas sociais ridículos que são facilmente ofuscados pela mídia. Enquanto por um lado, manifestantes de boa paz e idealistas, promovem o bem estar social, pregam e rogam a igualdade nos direitos e clamam um grito de basta(!) na desigualdade, por outro, temos a mídia e alguns grupos sociais, nebliando e mascarando tais problemas.

Tudo muito bem arquitetado e muito bem planejado, tanto que, por muitas vezes, essas situações passam despercebidas aos nossos olhos; passam despercebidas não, passam camufladas pelas belas carinhas e pelas belas historinhas que nos contam através daquela caixa elétrica, que pré-define o que iremos comprar, consumir ou simplesmente descartar, popularmente apelidada de Televisor.

O trabalho infantil é crime por lei. No Brasil, a Constituição Federal de 1988, admite o trabalho, no geral, a partir dos 16 anos, com exceção, aos 14 anos na condição de menor aprendiz. A Convenção nº 138 da Organização Internacional do Trabalho, de 1973, fixa como idade mínima para o trabalho em geral, 15 anos, salvo o caso de países considerados pobres, onde a idade é reduzida para 14. A Convenção admite ainda a faixa de 13 a 15 anos para o trabalho considerado leve.
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Agora voltando às telas, vem a seguinte pergunta, esse “rostinho” nas manhãs de sábado que “diverte” na maioria das vezes o público infantil, o que é? Uma “criança” de 6 anos sendo “explorada” para o bem comum? Por que essa menina pode “trabalhar” como apresentadora e uma outra criança não pode trabalhar como vendedor? O que diferencia isso, o salário? Ou a ingenuidade dos telespectadores que acham natural os belos rostinhos impostos pela cultura de massa?

Não, não pára por aí os problemas sociais tratados contemporaneamente de forma natural. Desde 13 de maio de 1888, a forma escravista do trabalho negro, deixou de existir no Brasil, pelo menos legalmente. Desculpem-me caso algo passe despercebido, mas, nas últimas novelas produzidas, principalmente pela rede Globo de Televisão, quantos atores representantes de empregadas(os) domésticas(os) possuíam uma cor de pele fora dos padrões escravistas?

Não quero classificar isso como trabalho escravo, de forma alguma. O que quero é simplesmente comparar esse, o trabalho infantil e outras mazelas sociais que são apresentadas à nós, telespectadores da vida real, de forma clandestina, escondida, encoberta, oculta e disfarçada, nos fazendo assim, conviver com esses problemas como se fossem as coisas mais naturais do mundo.

Vamos acordar, levantar e debater questões pertinentes, deixemos de ser apenas teleouvintes, essa não é a hora de mudar de canal, essa é a hora sim, de desligar de vez o televisor da vida já quase real.

2 comentários:

Felipe A. Carriço disse...

Puxa vida... parece algo que eu escreveria no meu blog! HEHE

Vc tem razão Tiago. A desigualdade no Brasil é cômica, para não dizer trágica!

Tiago disse...

Obrigado pela identificação.
O nosso problema muitas vezes é mascarar os problemas.