Ponto de vista americano, só se for

Vamos falar mal mais um pouquinho do cinema “hollywoodiano”. Em ano de eleição norte americana, os filhos do Tio Sam, são capazes de tudo. Com o apoio em baixa da população ao governo, as produções cinematográficas são facilmente abordadas pelos jogos de interesses. Digo isso pelo recente lançamento em DVD (ainda bem que eu não assisti aquilo no cinema) do filme “Ponto de Vista” (Vantage Point, título original). A produção, apesar de tentar criar uma atmosfera agradável e de retenção, não passa de mais um filme de marketing político, fazendo-me lembrar muito do estilo de propaganda nazista (eu sei, apelei um pouco, mas só um pouco também).
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A trama gira ao redor (literalmente) do assassinato do presidente (?) Ashton, interpretado por William Hurt, que ocorre em um encontro de autoridades na Espanha. A cena é presenciada por uma multidão, entre repórteres, civis e a própria equipe de segurança presidencial. A mesma cena é vista, revista, “rerrevista” e assim vai, passando pelo ponto de vista (entendeu? Ponto de Vista), de todas as peças chave do longa, que vão desde a visão do turista estadunidense Howard, interpretado Forest Whitaker, que não passa de uma representação da figura do cidadão utópico americano (hipoteticamente cheio de determinação, interesse, curiosidade, coragem e heroísmo), até a do próprio “presidente dos sonhos” (um homem empenhado, preocupado com a população e pasmem, com os aliados).

Como me referi antes, apesar de tentar criar uma atmosfera agradável na tentativa de reter a atenção do público, diretor e produtor não foram felizes na execução do trabalho. Apresenta sim algumas cenas possíveis de acontecimento, mas em sua maioria pecam na montagem e nas, um tanto quanto cansativas retomadas da cena (o que poderia ser um pouco melhor aproveitado). Agora, para não dizerem que critico hollywood de uma forma incabível, vou dar um exemplo de uma boa produção, não muito distante da realidade que essa foi rodada.
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Leões e Cordeiros”, 2007, dirigido, produzido e atuado por Robert Redford, é o primeiro filme rodado pela United Artists no comando de Tom Cruise. Diferentemente de algumas tradicionalíssimas peças do cinema americano, o filme, apesar de alguns diálogos fracos (neste momento, saudades de Wood Allen), traz um olhar mais questionável sobre a real situação política, sobre assuntos como a manipulação da mídia por parte do governo para promoção da guerra, e da própria guerra. O filme é bom, não necessariamente um exemplo de boa filmagem, mas comparado ao anteriormente citado, pelo menos esse apresenta menos e melhores pontos de vistas.

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