Encaixaram-se as mãos, os braços e o resto do corpo,
as bocas também teriam o mesmo fim,
não fosse o tamanho das barbas.
Microconto #227
Na banheira com gelo ela pensa,
o rim é o de menos,
pior mesmo foi perder aquele gato.
o rim é o de menos,
pior mesmo foi perder aquele gato.
Categoria:
Microcontos
Microconto #226
Estava tão envolvida que não sabia mais quem era marido e quem era amante.
Categoria:
Microcontos
Trabalho decente
Niht Club,
sinalizava a fachada.
Assim mesmo,
com o g apagado.
Ali embaixo,
ganhava a vida,
uma prostituta semi analfabeta,
que nunca deu falta disso.
Por sinal, sabia de poucas coisas,
uma delas era que nem todos tinham como pagar o prazer de neon,
e assim sobravam clientes.
Sabia também que os que trocavam sempre de carro,
eram casados,
que os que passavam de vidro aberto, braço pra fora e na maioria das vezes com som alto,
só queriam aparecer, já que não tinham como pagar.
Conhecimentos empíricos e involuntários.
O destino foi justo com ela apesar da injustiça que fazia com o corpo.
Anônima nos prazeres,
Carla era conhecida como microempresária pelos vizinhos da vila onde morava.
Tinha dinheiro,
era comunicativa,
independente
e trabalhava no centro comercial,
na área nobre,
frequentada só por gente boa de grana.
Perto de um tal “Clube Nit”, como ela dizia.
sinalizava a fachada.
Assim mesmo,
com o g apagado.
Ali embaixo,
ganhava a vida,
uma prostituta semi analfabeta,
que nunca deu falta disso.
Por sinal, sabia de poucas coisas,
uma delas era que nem todos tinham como pagar o prazer de neon,
e assim sobravam clientes.
Sabia também que os que trocavam sempre de carro,
eram casados,
que os que passavam de vidro aberto, braço pra fora e na maioria das vezes com som alto,
só queriam aparecer, já que não tinham como pagar.
Conhecimentos empíricos e involuntários.
O destino foi justo com ela apesar da injustiça que fazia com o corpo.
Anônima nos prazeres,
Carla era conhecida como microempresária pelos vizinhos da vila onde morava.
Tinha dinheiro,
era comunicativa,
independente
e trabalhava no centro comercial,
na área nobre,
frequentada só por gente boa de grana.
Perto de um tal “Clube Nit”, como ela dizia.
Categoria:
Crônicas e Contos
Microconto #225
Trocou a cidade pelo campo,
o marido pela solidão
mas só percebeu a depressão quando os pulsos choraram.
o marido pela solidão
mas só percebeu a depressão quando os pulsos choraram.
Categoria:
Microcontos
Microconto #224
O escritor solitário conversava com o papel,
o papel respondia em argumentos vazios
e a literatura se enchia de sofridos devaneios.
o papel respondia em argumentos vazios
e a literatura se enchia de sofridos devaneios.
Categoria:
Microcontos
Microconto #223
Olhava pro céu todas as noites na esperança de ver a mesma lua do casamento. Assim como o amor, o brilho nunca mais foi o mesmo.
Categoria:
Microcontos
Microconto #222
- Papai, tava pensando, acho que não é tão ruim morrer.
- Aé? Por quê?
- Por que vai dar pra ver a mamãe.
- Aé? Por quê?
- Por que vai dar pra ver a mamãe.
Categoria:
Microcontos
Figurinhas de Max Ernst
Dia desses reservei um tempo e fui ali no MASP ver umas colagens.
O artista era Max Ernst, pintor surrealista alemão.
A exposição era Uma Semana de Bondade, guardada há mais de 70 anos.
Foi bom. A mostra é separada em dias da semana: Segunda, Terça, Quarta e o resto de sempre. Max representa cada dia com elementos que retratam as dificuldades sociais da época. Contraditoriamente aos costumes trabalhistas atuais, a Segunda-feira é a melhor delas. Nada contra os outros dias, mas os leões representantes do poder, dão à Segunda um charme especial.
Cheguei em casa e contei pra minha mãe; ela disse que viu uma reportagem a respeito na TV. A repórter falou que o MASP tinha virado o ponto de encontro dos colecionadores de figurinhas da Copa, e que todo mundo ia lá pra trocar e colar.
E pra fechar com chave de ouro ela ainda me perguntou se a figurinha desse tal de Max “Ernesti” que eu falei, era mesmo a mais importante dessa colagem.
O artista era Max Ernst, pintor surrealista alemão.
A exposição era Uma Semana de Bondade, guardada há mais de 70 anos.
Foi bom. A mostra é separada em dias da semana: Segunda, Terça, Quarta e o resto de sempre. Max representa cada dia com elementos que retratam as dificuldades sociais da época. Contraditoriamente aos costumes trabalhistas atuais, a Segunda-feira é a melhor delas. Nada contra os outros dias, mas os leões representantes do poder, dão à Segunda um charme especial.
Cheguei em casa e contei pra minha mãe; ela disse que viu uma reportagem a respeito na TV. A repórter falou que o MASP tinha virado o ponto de encontro dos colecionadores de figurinhas da Copa, e que todo mundo ia lá pra trocar e colar.
E pra fechar com chave de ouro ela ainda me perguntou se a figurinha desse tal de Max “Ernesti” que eu falei, era mesmo a mais importante dessa colagem.
Categoria:
Arte e Cultura,
Indicações,
Textos
Microconto #221
Não conseguia terminar a carta de despedida.
A cada palavra que jogava no papel, outras eram borradas pelas lágrimas.
A cada palavra que jogava no papel, outras eram borradas pelas lágrimas.
Categoria:
Microcontos
Microconto #220
O roteirista anônimo ganhava dinheiro escrevendo sua própria história.
Categoria:
Microcontos
O livro de Gênesis, segundo Antubal
É dito de uma vila, onde um camponês humilde cuidava de sua casa e de um filho calado. Tanto pai, como filho e mais toda a vila, frequentavam a pequena igreja que coordenava a vivência no local. O filho, conhecido como Antubal, parecia ser o único na região que não demonstrava com afinco, o amor pela santidade aclamada na capela.
Não só para o pai, mas para todos os moradores, começava a ser nítida essa antipatia gerada pela igreja no coração do menino. Os comentários cresciam, e a revolta chegara ao pároco, que mesmo sem saber o porquê, já alimentava, contraditoriamente as leis da igreja, repugnância pelo jovem.
A pressão trazendo cada vez mais constrangimento ao camponês, fez com que marcasse um encontro do filho com o comandante religioso. Local definido e tema acertado, o menino receberia todas as ordens apostólicas, e de uma vez por todas, faria parte da igreja.
O relato a seguir pode ter sofrido algumas mudanças com o passar do tempo, entre palavras e expressões, mas é exatamente o que saiu do encontro, a versão de Antubal sobre a origem.
Explica-se no livro escrito à várias mãos, que a origem do homem veio por intermédio de um casal conhecido, ele por Adão, e ela por Eva. Opostamente aos mais entendidos da ciência não divina, que atestam a origem do homem como a evolução de um animal que ganhou o nome de macaco não se sabe quando.
O que Antubal disse ao cervo religioso, foi a mais louca das blasfêmias já ouvidas desde a origem desta história. Disse, que na verdade, ambas as mentes defendem a mesma coisa sem saber. Afirmou que Adão e Eva eram macacos, e por serem animais, tem confirmado e explicado o motivo que permitiu o cruzamento e assim a reprodução entre os próprios descendentes.
Não parou por aí, disse também que a metáfora de terem visto que estavam nus, diz respeito aos anos de evolução das espécies e consequentemente da perda dos pelos do corpo. E que sendo assim, Deus, em sua infinita glória e tendo até hoje nunca dado as caras, e, por ter feito de Adão e Eva sua imagem e semelhança, torna-se também, um grande macaco.
Ao término da confissão, o padre, desconjurado pela invenção frustrante de Antubal, veio a falecer de morte morrida. Jogou-se da torre da capela, não suportando ouvir aquilo. Antubal, chocado com a credulidade e compaixão do velho sacerdote, converteu-se imediatamente ao mundo religioso e abandonou de uma vez por todas sua tese hipotética.
Mas, dizem, até meados dos dias que se escreve esta história, que o pobre homem da fé, ainda vaga pelas redondezas da porta do céu, justamente por não saber se comunicar com os primatas.
Não só para o pai, mas para todos os moradores, começava a ser nítida essa antipatia gerada pela igreja no coração do menino. Os comentários cresciam, e a revolta chegara ao pároco, que mesmo sem saber o porquê, já alimentava, contraditoriamente as leis da igreja, repugnância pelo jovem.
A pressão trazendo cada vez mais constrangimento ao camponês, fez com que marcasse um encontro do filho com o comandante religioso. Local definido e tema acertado, o menino receberia todas as ordens apostólicas, e de uma vez por todas, faria parte da igreja.
O relato a seguir pode ter sofrido algumas mudanças com o passar do tempo, entre palavras e expressões, mas é exatamente o que saiu do encontro, a versão de Antubal sobre a origem.
Explica-se no livro escrito à várias mãos, que a origem do homem veio por intermédio de um casal conhecido, ele por Adão, e ela por Eva. Opostamente aos mais entendidos da ciência não divina, que atestam a origem do homem como a evolução de um animal que ganhou o nome de macaco não se sabe quando.
O que Antubal disse ao cervo religioso, foi a mais louca das blasfêmias já ouvidas desde a origem desta história. Disse, que na verdade, ambas as mentes defendem a mesma coisa sem saber. Afirmou que Adão e Eva eram macacos, e por serem animais, tem confirmado e explicado o motivo que permitiu o cruzamento e assim a reprodução entre os próprios descendentes.
Não parou por aí, disse também que a metáfora de terem visto que estavam nus, diz respeito aos anos de evolução das espécies e consequentemente da perda dos pelos do corpo. E que sendo assim, Deus, em sua infinita glória e tendo até hoje nunca dado as caras, e, por ter feito de Adão e Eva sua imagem e semelhança, torna-se também, um grande macaco.
Ao término da confissão, o padre, desconjurado pela invenção frustrante de Antubal, veio a falecer de morte morrida. Jogou-se da torre da capela, não suportando ouvir aquilo. Antubal, chocado com a credulidade e compaixão do velho sacerdote, converteu-se imediatamente ao mundo religioso e abandonou de uma vez por todas sua tese hipotética.
Mas, dizem, até meados dos dias que se escreve esta história, que o pobre homem da fé, ainda vaga pelas redondezas da porta do céu, justamente por não saber se comunicar com os primatas.
Categoria:
Crônicas e Contos
Microconto #218
Aquela pele fina em formato ovalado, fazia dela, um ser deformado, que gerava um fruto, independente do amor ter acabado.
Categoria:
Microcontos
Microconto #217
Entre eles faltavam palavras pra demonstrar o amor. Mesmo assim, formavam um lindo casal de mudos.
Categoria:
Microcontos
Microconto #216
- Peraí, quem é o assassino agora? Perguntou ao juiz, o condenado a morte.
Categoria:
Microcontos
Alguém viu um filme por aí?
.

Sempre gostei de Tim Burton mais por sua visão artística do cinema do que pelo conjunto. Salvo exceções do tipo Edward Mãos de Tesoura e Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas.
Não esperava um grande filme sobre a história da menina Alice, principalmente porque não considero a história original tão grande assim. Lewis Carroll, sempre mostrou ser melhor matemático do que escritor. O filme dirigido por Burton é, na verdade, uma possível continuação da história original, onde Alice volta, depois de grande, ao “País das Maravilhas”. Que aqui sim, cabe muito bem o “Maravilhas”.
Com visual quase impecável, Tim Burton leva aos cinemas, mais uma vez, vida, cor e detalhe. O que enche os olhos, infelizmente não enche a expectativa. História acelerada, com diálogos fracos e de baixo conteúdo. Tim Burton se une ao time de Cameron e mostra mais uma vez que precisa de roteiristas. Alice, assim como Avatar, presa pela perfeição estética e peca na simplicidade narrativa.
Agora o que resta é dúvida: quem leva mais gente aos cinemas, Tim Burton e sua reunião de fãs alternativos, Johnny Depp e sua versatilidade ou animações 3D sem conteúdo?

Sempre gostei de Tim Burton mais por sua visão artística do cinema do que pelo conjunto. Salvo exceções do tipo Edward Mãos de Tesoura e Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas.
Não esperava um grande filme sobre a história da menina Alice, principalmente porque não considero a história original tão grande assim. Lewis Carroll, sempre mostrou ser melhor matemático do que escritor. O filme dirigido por Burton é, na verdade, uma possível continuação da história original, onde Alice volta, depois de grande, ao “País das Maravilhas”. Que aqui sim, cabe muito bem o “Maravilhas”.
Com visual quase impecável, Tim Burton leva aos cinemas, mais uma vez, vida, cor e detalhe. O que enche os olhos, infelizmente não enche a expectativa. História acelerada, com diálogos fracos e de baixo conteúdo. Tim Burton se une ao time de Cameron e mostra mais uma vez que precisa de roteiristas. Alice, assim como Avatar, presa pela perfeição estética e peca na simplicidade narrativa.
Agora o que resta é dúvida: quem leva mais gente aos cinemas, Tim Burton e sua reunião de fãs alternativos, Johnny Depp e sua versatilidade ou animações 3D sem conteúdo?
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