A viagem

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Maravilha. Tudo pronto para a viagem de final de ano. Uma longa espera chega ao fim. Meses de trabalho cansativo e estressante, as dívidas serão deixadas para trás e os maus momentos serão esquecidos. Agora, só a união familiar preocupa Carlos, quais os lugares turísticos vão visitar, quantas fotos vão bater, se vão comprar muitas lembranças para os parentes, cuidados com o calor do sol e não mais com o calor do escritório, preocupação só em comer e não precisar lavar os pratos. Porém, uma coisa Carlos não abre mão, sua mania de perfeccionista.
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Tudo parecia bem, até que no meio da estrada Carlos: – Esqueci alguma coisa! – A família não se atenta a tamanho problema que estaria por vir, mas Marta, a esposa, sabia que aquilo seria o fim da viagem, que segue igual para todos, só que agora, diferente para Carlos. Ele já não sente o vento no rosto, não vê mais o verde das árvores, não reconhece o cheiro das flores e nem percebe que a poluição da cidade não os acompanha mais. Com um caos em sua mente, ele refaz todos os passos desde quando acordou até quando saiu de casa e não consegue achar o que havia esquecido.
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As horas passam, uma agonia toma conta de Carlos que já não se diverte como a família. Gasta muito tempo revirando as coisas tentando descobrir o que seria, nada tira de sua cabeça que o que foi esquecido fará a diferença em suas férias. Os dias passam e Carlos está irreconhecível, acredita ter deixado em cima da mesa quando saiu de casa.
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A família num ato desesperador para ver a alegria de Carlos novamente, resolve também abdicar das férias para ajudar o pobre homem em sua busca. Todos sugerem nomes de possíveis coisas que ele poderia ter trazido ou quem sabe, esquecido de trazer. Nada, tudo em vão, a família não aproveitou as férias, os 360 dias de espera não foram supridos. Carlos então, nada de bom fez, sua mania perfeccionista compulsiva de ser o impediu de aproveitar os momentos com a família.
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Os dias acabaram e sem nada terem aproveitado, voltam tristes e cansados, sabem que vão enfrentar mais um ano inteiro de desgaste até uma nova oportunidade para viajar. Carlos retorna ainda com uma ponta de dúvida, terá que encarar seu trabalho estressante, novamente suas dívidas e os maus momentos, porém agora com uma convicção, está certo de que esqueceu de novo alguma coisa na volta para casa.

2 comentários:

Nayara Diniz disse...

Carlos passará o ano inteiro nessa angustia para tentar lembrar o que esqueceu na volta?
Pobre coitado o Carlos, que não se da´conta, de que a única coisa que realmente esquece, é de viver.

Beijo
Nayara Diniz

Renata Carvalho disse...

Sempre Carlos vai esquercer algo, ele sempre vai viver nessa expectativa de lembrar algo que esqueceu e esqueceu da melhor coisa da vida esqueceu de ser feliz, se tivesse aproitados um pouco mais a viagem com sua familia, quem sabe mais tarde ele não se lembraria do que ele esqueceu! Realmente a vida é assim, nós preocupamos muito com uma coisa e esquecemos de viver.